terça-feira, 16 de novembro de 2010

O discernimento...

"O discernimento consiste em saber até onde se pode ir." (Jean Cocteau).
No singrar da vida percebi que...
O cavalo se prontifica inconscientemente para a batalha, mas não sabe que uma lança inimiga o faz sucumbir ao chão da derrota...,
O cervo sempre está presente nos lugares onde há alimento farto para a sua ceia, mas não percebe o perigo que o espreita na mira de um caçador...,
O destemido Leviatã (Cronossauros, jacaré marinho) enfrenta qualquer oponente dos mares, mas se rende quando lhe é posta uma argola em sua ventana...,
O inteligente falcão voa em direção ao horizonte, porém desconhece a sua capacidade de ser livre por não obter auto consciência norteadora...,
O elefante por seu tamanho e força pode afugentar qualquer inimigo, mas desconhece a sua capacidade destrutiva podendo ser dominado inteligentemente por um homem franzino...,
Sem discernimento ninguém pode chegar a lugar algum!Alguns pensam que o pode, mas se esquecem de seus limiares...,
Qual o homem que já conseguiu controlar os seus instintos animais e permanecer livre de seus desejos?
Qual o homem que na História conseguiu vencer ao seu tempo e por intermédio do próprio Tempo discernir a sua própria historia na existência de dias?
Posto que o discernimento consista em saber até onde se pode ir?
Sempre que posso me pergunto: Até onde eu posso ir e chegar a tempo no que me foi outorgado dentro do Tempo?
Sinto uma frustração quando penso no tempo que perdi e percebi que o desperdicei tanto sem sabê-lo discernir que era o meu tempo de...
O tempo nos trata sem piedade, não lhe importa nossa tristeza. E não adianta sentar sobre uma pedra e lamentar o choro dos nossos pais, pois, eles são também crianças diante do Tempo que os fez refém assim como nós.
O Tempo é um “pedófilo” inveterado, porque nos enxerga como “infantes objetos” de sua manipulação perversa e animal, sim, e tudo isso porque não entendemos até aonde podemos chegar e estender as nossas tendas imaginárias de onde retiramos os nossos sonhos de auto-realização...,
Olhamos em volta e surrupiamos porque a demanda da vida nos exige mais tempo e qualificação interpessoal...O incômodo que se instala na alma mais parece que estamos dormindo sobre uma “cama curta” e que malmente nos cabe deitados para descansarmos do ativismo imposto pela tirania da ignorância espiritual... ,
Como se não bastasse, além, da “cama curta”, o cobertor é estreito demais para nos cobrir dos pés a cabeça..., E geralmente isso acontece com pessoas que como eu, que cresceram demais e alongaram-se as canelas (Rrrrssr).
Não adianta ter tudo, ser o que desejou profissionalmente, realizar pessoalmente, possuir, gostar, gastar, ter saúde para dar e vender, entreter, relacionar-se bem com os outros, casar, vencer os obstáculos da vida, etc. E não poder contar com uma “cama” em que se possa deitar e dormir o sono do justo. Sem Deus não é possível sentir uma satisfação profunda na alma, não, sem Deus na cama as noites são de insônias, o descanso foge, e a aflição toma conta do coração!
Aí o impiedoso Tempo age como um fantasma que não se vai logo, mas lentamente grassa sobre a vida daquele que não se quebranta diante de Deus, o Senhor do tempo!
Eu não sei, embora cogite que às vezes a nostalgia me faz “bem”, pois, é um fruto inato da alma humana. Faz parte do meu ser..., me faz refletir no tempo..., e é bem-vinda poucas vezes...,
Entretanto encontro um paradoxo, pois, também não concordo que viver a vida toda num passado nostálgico seja de fato uma qualidade de vida melo - emocional exeqüível para ninguém... Acho que revela um ser não liberto de seu passado, e talvez o maior problema de todos nós seja factualmente o nosso passado...
Mas em quem se pode realmente confiar neste mundo louco e infeliz?
Onde o fluxo de informações nos deixa mais perplexos do que pacificados?
Onde a demanda da vida e de todos os seus vetores nos atraia para o contexto existencial de todas as ambigüidades e crenças possíveis (psicologia, ciência, filosofia e Teologia).
Esta geração ama o pecado e zomba da justiça porque se faz “cega” ante aos males que cobrem a Terra!
No olhar do homem cético não há Deus e a Sua suposta justiça que deveria reinar sobre a Terra mais parece uma injustiça divina.Ora, e qualquer homem normal já cogitou sobre estas coisas que correm sob o lençol freático do coração....,
Diria eu ser uma analogia feita sobre o sofrimento do servo de Deus, Jó e o Seu povo (Israel) na Babilônia..., Um drama vivenciado por Jó mesmo sem saber onde se poderia ir sem discernimento algum, aliás, sem conhecer a Deus face a face...,
Neste instante retorno a mim e pergunto-me em silêncio investigatório: Se não confio em mim mesmo como poderei confiar no próximo?
Se o meu próximo se intitula como o meu “salvador” já não descortino mais a minha alma ante a sua jactância, já não me sinto seguro em confessar a dor que espinha a minha alma...,
E quanto tempo me resta para confiar em alguém?
Preciso desabafar com alguém que deseje me confortar, é o que a minha alma pede!Mas, a razão se opõe a emoção do coração oprimido e o faz rebelar-se contra os meus sentimentos...
Sim, é o Tempo que nos mata com lealdade!
E tão contrário assim é o Amor.
Não poderia ter sido eu um aborto e não ter conhecido a luz da vida no meu ser?
Mas, agora que vivo, e na minha percepção de vida pulsante percebo que a cada dia o significado de ser feliz e pleno é apreciar o belo na exposição artística da Criação como um todo...,
Na exuberância dos seres sem autoconsciência, mas dotados de inteligência instintiva dada por Deus.
Talvez este tenha sido o pensamento reflexivo de Jó quando o mesmo passava por uma ebulição emocional dentro do tempo de provação que lhe fora imposto debaixo do Tempo.
O óbvio de tudo isso é deitar na cama de DEUS e recobrar as forças pelo sono restaurador, e pela manhã olhar a vida com outros olhos de esperança...,
Sim, te convido a olhar a sua via, o mundo e as coisas sobre uma tônica espiritualmente reconciliadora e humanizada. E juntos descobrirmos que nem sempre na vida o entendimento sobrepõe a Fé em Deus!
Na vida verificável dos animais irracionais vimos que a inteligência instintiva era quem os guiava rumo ao destino.
E na percepção de Jó sem nenhum discernimento racional do que estava acontecendo na sua vida e o que lhe esperava no futuro podemos ver a intervenção divina com amor ao ser humano - "Não valeis vós mais que dois passarinhos” (disse Jesus).Quem agora ousa discernir além do que lhe convém como revelação pessoal?Prova disso: “Na verdade as nações são como a gota que sobra do balde[...] Ele se assenta no seu trono, acima da cúpula da terra, cujos habitantes são pequenos como gafanhotos.”Deus se mostra como Senhor da natureza, da historia – na verdade, do universo inteiro.

Nele, que é o Deus que nos concede discernimento, intuição e fé.

Mano Serafim 08/12/2009