domingo, 20 de dezembro de 2009

Reflexão sobre a ética na igreja...(Maeli Lisboa)





  Pensamentos....




“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto…”
Rui Barbosa.


Nenhum homem pode ser um verdadeiro membro da igreja de Deus se for um estranho à justiça moral.
Anônimo


Fomos redimidos não somente para sermos legalmente salvos, mas também para sermos moralmente sadios.
J. Blanchard


A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio.
Martin Luther King


“Atos desonestos são consequência de corações desonestos. Corações que amam o Senhor também amam a justiça e a retidão”.
Anônimo

Por que ser uma Igreja Ética na atualidade?

Falar de ética é falar de paradigmas, de valores estabelecidos em cada indivíduo ou grupo. Ela está presente em diversas áreas a exemplo da ética profissional, política, social, econômica, filosófica, sentimental, religiosa, dentre outras. E cada sociedade ou grupo possui seus próprios códigos de ética e quando não se age de acordo com eles diz-se que o indivíduo está sendo antiético. No dia-a-dia muitas são as situações que exigem tomadas de posições que, na maioria das vezes, para não dizermos sempre, passam pelo crivo da ética.
Mas é na ética cristã que cabe aqui uma reflexão e com ela a noção de alguns princípios como: princípio da licitude e conveniência (I Co. 6.12) - Critério que orienta o cristão a que não faça as coisas apenas porque são lícitas, mas porque são lícitas e convém, tudo à luz do seu maior referencial, a Palavra de Deus. Outro princípio é o da honestidade, que de igual modo também é orientado nos livros bíblicos, a exemplo de: Provérbios; Mateus (5); Lucas (8.15); Romanos (13.13); Colossenses (3); Hebreus (4.13).
Existem também outros princípios norteadores como o da verdade, testemunho, idoneidade e prestação de contas. Até no âmbito administrativo secular estes princípios constituem-se elementos imprescindíveis para o bom andamento dos negócios, e porque seria diferente nas relações administrativas da igreja, uma vez que ela prega a “boa fé” no sentido mais amplo do termo? Em um mundo onde se prega que tudo é relativo, há que se terem posturas absolutas e “radicais”, sob pena de uma avacalhação da ética cristã.
Entretanto, mesmo sabendo de tudo isto, surge um questionamento: Por que é tão difícil se praticar esta ética? Para esta pergunta temos algumas respostas, dentre elas a questão da conveniência, interesses atrelados ao medo de perder, relativização das coisas, dentre outras. Às vezes a impressão que se tem é a de que, para determinadas práticas administrativas e até mesmo eclesiásticas, o “atalho” é a via mais cômoda, e aplicar um comportamento correto é “extravagância”.
Contudo, quando se está sob pressão, a exemplo de uma fiscalização, a noção de ética aparece como forma escapatória ou paliativa, quando na verdade deveria ser um estilo de vida, pois não basta só estar de acordo com as leis, é preciso ir além, tendo em vista o perigo de reincidências.
Estar eticamente correto é superar os limites da “boa vizinhança”. Se as igrejas adotassem o que diz o versículo bíblico “Quem anda em integridade anda seguro” (Pv 10.9), certamente não passaria por constrangimento algum, afinal o padrão é único e imutável. As Sagradas Escrituras não dão margem para “jeitinho gospel”. Dessa maneira, é prudente não se perder o estímulo na prática de bons princípios, ainda que inicialmente pareça prejuízo. Pois viver sem os mesmos sempre incorrerão em perdas significativas.
A propósito, ultimamente este assunto tem mobilizado vários segmentos da sociedade e a igreja não tem ficado de fora destas discussões, afinal com o avanço da Ciência algumas posturas terão que ser tomadas por aquela. Daí a relevância do exercício constante da ética, com vistas numa maior facilidade para se caminhar de maneira proba.
Infelizmente a igreja perdeu este exercício ao longo da história, sobretudo os batistas, porque no início de sua história, há mais de 400 anos, fez ressurgir na sociedade vigente o princípio da ética como elemento norteador de um bom cidadão. É certo que não o é para a salvação do indivíduo, mas este uma vez salvo terá que caminhar pelo trilho da boa conduta.
Falar de ética é também falar de transparência. Não se pode subestimar os membros de uma comunidade ou grupo e achar que eles não percebem algo que deveria estar transparente, no entanto está embaçado. A fé que se prega deve andar em consonância com os atos que se vive. Pois além de algo poder ser feito porque salutar, deverá ainda atender a outro critério, o da glorificação a Deus, Aquele que estabeleceu desde o princípio o modo correto para se viver e agir.
Para exemplificarmos o que muitas vezes acontece nas igrejas, eis alguns assuntos: arrecadação para determinados fins e o não cumprimento dos mesmos, utilização de bens da igreja para uso de cunho pessoal, aproveitamento da posição exercida para uso de vantagens, remuneração inadequada ou inexistente para com os serviços profissionais de outrem, gastos não previstos no orçamento, omissão de informações de interesse dos membros, passividade para com os dizimistas de maior montante e até mesmo uma simples promessa de oração por alguém, mas que na verdade não é feita, dentre outras muitas coisas.
Como bem diz um Pr. chamado Olavo Feijó: “Fazer aquilo que é bom e honesto é uma atitude de respeito ao Senhor. É uma postura de reconhecimento do Senhor e da Sua santidade. Consequentemente, antes de endireitar nossas balanças, é essencial endireitar nosso relacionamento com o Senhor. Quem O ama também tem prazer nos pesos exatos”.
Enfim, não sejamos céticos, mas sim éticos: A ética é possível, basta dar o primeiro passo. "Pois outrora éreis trevas, porém agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz". (Efésios 5.8).

Maeli Lisboa
maelilisboa@ig.com.br