sábado, 17 de abril de 2010

Jó..., meu pai e eu...(parte I).


Está Escrito: “Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal.” (Jó. 1.1).
Podemos até indagar acerca da existência de tal homem supracitado. Seria ele uma figura metafórica para tentar ilustrar um sofrimento sem causa..., a dor como sinônimo de amadurecimento espiritual..., a perplexidade como efeito do pecado inerente ao homem...; a pobreza como vínculo da miséria...; a doença como sintoma moral de uma Teologia frustrada que se sustenta na Teoria Moral de Causa e Efeito? Ou este personagem pré-histórico seria a própia HISTÓRIA vivenciada, onde a intensidade e os fatos mais que reais e existenciais em sua vida, era a apoteose na priori dos acontecimentos vividos ponto aponto, cuja produção do que temos como posteriori, todo o sofrimento narrado, os seus pontos cruciais, a sua agonia agonizantemente brutal á simultaneidade das catástrofes que lhe sobrevieram,
Deixam claro pelo menos para mim, de que, tudo que lemos no Livro de Jó, tudo que está escrito em todos os relatos, todas as diretrizes, todas as deixas...,
Não se igualam ao que de fato o próprio Jó experimentou na pele!
Digo isto por uma simples razão: ninguém é capaz de saber até quando o ser humano pode suportar a dor, a depressão e a perplexidade!
Ora, enquanto neste momento me remeto ao relato de Jó, principalmente a sua fala no Livro.
Esbarro-me com tamanha perplexidade absurda no que tange ao plano natural e da percepção sensorial das coisas deste Mundo.
Fico atônito ao assistir de perto o sofrimento de alguém que na maior parte de sua vida serviu aos outros em benevolência e amor.
Quem nesta geração pode ser comparado com o saudita Jó?
Homem segundo a Bíblia, que dava conselhos aos que a ele vinham sem esperanças...,
Homem que tratava bem os seus empregados...;
Homem que temia a Deus mesmo sem conhecê-lo na Sua Graça e Essência!
Homem que apenas desejou RESPOSTAS para o seu sofrimento, desejou cura para sua dor, balsamo para as suas feridas; justiça para a sua alma; a compreensão da sua mulher; consolo de seus amigos; e por fim a VERDADE sobre a questão da Teologia de Causa e Efeito disseminadas por seus maus-amigos contemporâneos.
A resposta dele diante do discurso teológico de seus “amigos” foi a sua conduta diante de Deus.
Quando a sua esposa lhe sugeriu para amaldiçoar [se é que pode] a Deus, ele simplesmente vira para ela e diz: “Nós recebemos todas as bênçãos do Senhor em vida como sinal de Sua graça bondosa para conosco, e agora não receberemos o Seu “mal” como benção de Deus”?– “Minha filha eu não vou blasfemar agora porque eu sei que dói!” (grifo meu).
Ora, Jó jamais imaginou de que no plano espiritual se travava uma batalha na disputa pelo melhor homem da Terra..., Ele também não discernia que a disputa por este melhor homem seria uma manifestação da GRAÇA de Deus, para TORNAR este melhor homem da Terra num melhor HOMEM DE DEUS!
As vezes eu fico imaginando aqui sentado de frente do PC e com os meus dedinhos pressionando o teclado: A maior benção é sabermos que temos um corpo e mesmo tendo a consciência que possuímos um corpo, não carregamos o peso de sabermos que temos um corpo. Imagine se todo segundo parássemos para pensar que temos um corpo, e que precisamos toda hora dizer para os outros que temos um corpo...,
O máximo que posso dizer é: Esta a minha imagem!
E só verdadeiramente lembramos que temos um corpo quando de fato precisamos fazer algo que o envolva sinergicamente, i.e., quando subimos as escadas, quando tomamos uma topada no dedão do pé, quando batemos com a cabeça na grade da janela..., Aí de imediato descobrimos que temos um corpo!
Todavia se falando de Jó, não havia ponto em sua alma que não houvesse agonia, não existia parte de seu corpo que na fosse dor; não via senão perplexidade absurda no plano natural; não via senão antagonismo e ambiguidade no plano vertical do invisível..
Jó só desejou saber a causa de seu sofrimento e dor!
Ele quando quebrou o silêncio perante Elifaz, Eliude, Bildade e Zofar. Desejava saber o porque deste CAOS EXISTENCIAL que lhe sobreveio em meio a total bonança de sua existência...,
Parece-me que o medo e o temor de encarar a vida como ela é, ou se apresenta para cada um de nós, não nos dá o direito de nos escondermos atrás das máscaras....,
Não, a vida não é nenhum baile de máscaras e as suas fantasias só servem para aqueles que não desejam saber da verdade do existir, crer e transcender. Sim, a alma é capaz de se revestir da verdade e da sinceridade em amor...,
O poder precede a queda na vida da maioria dos homens, mas na experiência de Jó o fez mais generoso dentre os homens – “Tens visto o meu servo Jó [Deus]?” – “É a toa que tu tens o protegido por todos os lados [satanás]?”.
Deus conhecia a Jó mesmo Jó não tendo idéia de Deus.
Portanto, a fé em amor obediente a Deus permite ao homem a felicidade em meio a dor, a alegria em meio a pobreza; a paz em meio a guerra, o Amor em meio ao desprezo: a saúde em meio ao vale da sombra da morte; a Gloria em meio as demandas contrárias a razão de vitória; a força em meio a opressão do Diabo; a transcendência em meio a morte do corpo; a sabedoria em meio a ignorância do que se passa no interior do ser; a salvação de todos os nichos, de todos os fluxos, de todas as probabilidades, de todas ameaças que se ajuntaram em grilhões na alma e que atendem a um fluxo de destruição do ser.
Qual de nós seria capaz de discernir com semelhante lucidez no Espírito, o que o Apóstolo Tiago exortou a igreja vitoriosa de sua geração: “Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso.”(tg.5.11).
O que vejo é tanta gente boa de Deus por ai comendo o “pão que o demo amassou”.
E vejo também é que existem milhares de pessoas horrivelmente más, e que se dão “bem” nesta vida e só irão responder no que diz respeito aos seus atos-atitudes de amor e bondade, somente na eternidade...;
Diante disso ponho a prova a tal TEOLOGIA MORAL DE CAUSA E EFEITO, tal teologia disseminada pelos cientistas protestante fabricantes de FRANKENSTEINgélicos das aberrações teológicas..., E é exatamente assim que ELES enxergam a Deus.
Meu irmão, Jó não engolia tal teologia de seus maus-amigos!
Prova disso foi a sua indignação contra eles: “Todos vocês me acusam de coisa que jamais cometi, e fazem tal vaticínio terrível contra mim e contra a minha família”.
Afinal de contas quem cometeu pecados foram os “caras” ex-pert-es em divindade
De fato, Jó não sabia qual o motivo de seu sofrimento, mas compreendia que tal prova estava no controle de Deus, e que mais niguém poderia discernir o porquê de tudo isso!
Conquanto todo sofrimento neste corpo mortal e cheio de mortandade [bactérias patológicas] sempre estará sujeito ao tempo e o espaço debaixo do sol, ditados pelo rei Salomão.
E a minha dor...,
A sua dor...,
E a dor de meu “velho” não está fora deste contexto enigmático!
Posto que segundo Tiago, nenhum de nós está salvo de ser um dos Jó desta existência probatória!
Nele-Jesus, Aquele que sabe o que é padecer,
A. Serafim
Texto escrito dia -15/06/2009