domingo, 4 de abril de 2010

A Páscoa ecoa como uma intermitência da VIDA...

Jesus havia predito aos discípulos por diversas vezes que seria necessário a sua paixão...
Veja nos evangelhos: “Ora, achando-se eles na Galiléia, disse-lhes Jesus: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens (Mt.17.22);”
“Eis que vamos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e condená-lo-ão à morte (Mt.20.18);”
“Bem sabeis que daqui a dois dias é a páscoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado (Mt.26.1);”
“Então chegou junto dos seus discípulos, e disse-lhes: Dormi agora, e repousai; eis que é chegada a hora, e o Filho do homem será entregue nas mãos dos pecadores (Mt.26.40);’
“Porque ensinava os seus discípulos, e lhes dizia: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão; e, morto ele, ressuscitará ao terceiro dia (Mc.9.31);”
“Dizendo: Eis que nós subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e o condenarão à morte, e o entregarão aos gentios (Mc.10.33);”
“Ponde vós estas palavras em vossos ouvidos, porque o Filho do homem será entregue nas mãos dos homens (Lc.9.44);”.
Reescrevo o que o escritor Dennis Downing disse asseguradamente em relação à expiação pascal do Cordeiro de Deus: “Ao longo de três anos Jesus havia dominado as forças da natureza, do mundo sobrenatural e até o poder da morte. Nas próximas horas ele teria que abrir mão do seu poder e se submeter a todas estas forças. Mas, ninguém se engane. Jesus se entregou de livre vontade e por submissão a Deus. Embora nenhum outro fez, ele vigiou, ele orou e ele se submeteu totalmente à vontade de Deus. E nós achamos grande coisa obedecer a Deus?”
Penso que a desobediência de Jesus naquele instante resultaria numa incontinência existencial [não poder reter pacificamente a sua missão redentora] de não saber quem de fato ele era, ou, o que as Escrituras acenavam a seu respeito!
A dependência do Pai não o impossibilitava de sua independência de ser quem já nasceu sendo para re-dimir a humanidade – “para isso nasci”.
A efervescência do Mestre pôs em descompressão os gases do moralismo farisaico e liquefez a ética filosófica judaica.
A inconsciência e a aparência dos que se intitulavam seguidores de Cristo, e pseudo-seguidores até na morte de cruz, nada se fez mais concreto e presente do que uma indolência INTER-espiritual por parte dos discípulos, principalmente quando o Senhor foi preso no secreto horto das intermitências de orações... No jardim do Getsêmani!
A advertência do Evangelho é para que todos foquem o olhar para o Cordeiro Pascal, ou seja, olhemos para o Re-den-tor ensangüentado, cujas,
Magnifi-cência...,
Transpa-rência...,
Assis-tência...,
Refe-rência...,
Cons-ciência...,
Convi-vência...,
Perma-nência...,
Devolva-nos a reminiscência do íntimo sagrado..., no curso da e para alma..., Entretanto, já esteja consumado: Jesus morreu por mim independentemente de que eu tenha aceitado morrer com Ele, em Sua intermitente morte. Está Tudo Feito para que, em mim, possa ser feito; e em tal tarefa sou colaborador de Deus, abrindo o ser para que a operação do Espírito não encontre a pior impertinência da Graça, que é a nossa própria indisposição de aceitarmos a cura como morte... Em Jesus.
Vinda agora a RESSURREIÇÃO que nos outorgaVIDA, que outrora pela intermitência da MORTE nos aprisionava no sepulcro da existência probatória caída e ambígua, distante da nossa identidade de filhos ressurretos de Deus.
Glorias a Deus!
Pois, o Seu Cristo com a bravura e a força do Leão de Judá, bradou despedaçando as ataduras da morte e nos colocou numa posição de povo re-mido, cuja aspersão no seu sangue comemore a Páscoa...
Todas as palavras em ítalico-negrito rimam com a expressão INTERMITÊNCIA. Embora, nem todas conspirem a nosso favor!
Portanto a Graça do Filho de Deus nos põe novamente de pé com os lombos cingidos com o Seu sangue, e os pés preparados para continuarmos a peregrinação pascal, assim, a verdadeira Páscoa existencial, segundo o Evangelho, é todo dia; e é algo que a gente faz no tempo chamado: HOJE...
Feliz Páscoa!
Mano Serafim
04/04/10