sexta-feira, 11 de junho de 2010

O néctar da Graça nos ambientes da vida animal...


“Eu posso fixar flores artificiais numa árvore, flores que não florescerão, ou posso criar as condições para que a árvore floresça naturalmente. Talvez eu tenha de esperar um longo tempo para ter minhas flores reais, mas elas serão as únicas verdadeiras” (John Fowles).

Na mesma toada segue o raciocínio experimental de se por uma flor artificial dentro de um jarro e num outro jarro colocar uma flor natural.

Ainda que aparentemente as duas flores esteticamente se pareçam, e a semelhança seja perfeita, a abelha posará somente na flor natural.

Isso ocorre por que a sua viagem se dá na expectativa de se achar o nécta, uma substância aquosa secretada pelos vegetais através de glândulas especializadas. Sua constituição química geralmente inclui açúcares em quantidades variáveis de acordo com a espécie, é por isso que tal substância atrai as abelhas, e outros insetos.

O que há é uma química substancial, o que estaticamente existe é essencial para a relação da abelha com a flor...

Embora a sua inconsciência de manter uma relação involuntária com a flor nos pareça tão simplória, o fluxo de vida que decorre e se constitui com tal relação entre a abelha e a flor é revelada nos milhares de espécies de vegetais que permeiam a Terra...

Um verdadeiro Gênesis de vegetais que a cada dia mais se expande na Natureza!

Quando a abelha repousa sobre uma flor e suga o seu saboroso nécta (fonte de água e de carbohidratos), grãos de polens desprendem-se da superfície da antera e se agarram nas cerdas do corpo, principalmente, nas pernas das abelhas...

O néctar também pode ser produzido em outros órgãos das plantas, onde assumem função protetora. Em certas espécies, como nos gêneros Passiflora, Croton e Impatiens, o néctar é produzido por glandulares nas folhas ou no caule.

Cientistas e biólogos descobriram que outros insetos que mantém o contato com plantas nectaríferas, como as formigas, as quais são atraídas por estas fontes de açúcar, elas atacam qualquer outro animal que se aproxime da planta, protegendo-a contra possíveis predadores. Em mais este caso, há uma relação com vantagens mútuas intermediada pelo néctar.

Há um excelente alerta no livro de Provérbios para quem busca ter sabedoria e sentido existencial na vida, meditando na Bíblia: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos, e sê sábio” (Pv.6.6).

Através da apreciação e da imaginação, Salomão discerniu muitas coisas em relação a vida humana e animal, ele prossegue na sua observação cientificamente biológica: “Pois ela, não tendo chefe, nem guarda, nem dominador” (Pv.6.7). Como poderia um ser sem autoconsciência arquitetar tão sabiamente a sua sustentabilidade e provisão sem mesmo possuir “um patrão, um chefe, um mentor, e um tutor”?

E quem demanda tal força, energia e mecânica?

Um mistério?

Ele (Salomão) vai explicar logo na frente no vers.8: “Prepara no verão o seu pão; na sega ajunta o seu mantimento”. Simplesmente ele quer dizer que elas ‘plantam’ e depois ‘colhem’ o que plantaram com o seu interminável serviço coletivo!

E eu, quando me vejo diante de um formigueiro e penso que desisto das coisas tão facilmente.

Ora, a formigas de fato nada plantam, não há semeadura por parte delas, elas apenas chegam no ‘pedaço’ e aos poucos vão dominando o ambiente para o vosso favorecimento, assim acontece quando elas são atraídas pelo nécta dos vegetais, se for possível elas ‘cortam’ a planta em partículas minúsculas e levam sobre os ombros para o seu QG (formigueiro residencial). O que o sábio Salomão tenta nos transmitir com tamanha perspicácia utilizando de uma ilustração do reino animal, é a 'perseverança' destas minúsculas criaturinhas, um verdadeiro exército que percorre quilômetros de distância para adquirir o seu sustento e a sua instintiva sobrevivência neste planeta!

O nécta para elas deve ser tão bom e tão gratificante que elas viram uma ‘fera’ contra qualquer criatura que ponha em risco a vida do vegetal...

E tudo funciona pelo combustível do nécta!

Assim é a Graça de Deus na vida de toda a Criação. Ela é um 'Nécta" mantenedor da Vida e de suas derivaçõs existenciais!

Ela está presente nos ambientes de vidas: tanto macro universo como no micro universo das coisas. O que foge do nosso olhar astronômico e calidoscópio se concentra em grande volume na polinização de esperança e solicitude – “olhem os lírios dos campos!”

Tem que haver esperanças...

A esperança bíblica, entretanto, é um ato – como adquirir um “vegetal nectarífero”. A esperança age na convicção de que Deus vai completar o trabalho que foi iniciado, mesmo contra todas as evidências, especialmente quando estas são adversas.

A esperança é a confiança na Graça (nécta) mesmo diante da morte: a questão é receber a vida como uma dádiva, não como recompensa ou punição existencial (que carrega a culpa); esperança é viver de maneira permanente, paciente, com expectativa e alegria baseadas na eficácia da Palavra de Deus. Cada pessoa que encontramos deve ser atraída para essa mesma expectativa-do-Nécta. Cada situação em que nos encontramos deve ser inserida no reino que, temos certeza, Deus está edificando.

Ter esperança é investir no que acreditamos. Não dar meia-volta em desespero, não levantar as mãos para o céu inconformado, não desprezar determinada pessoa como incorrigível, não nos desviarmos da complexidade do mundo por ser difícil demais para nós.

É muito fácil desfalecer em desespero do que viver com base na esperança, pois quando vivemos em desespero não temos de fazer nada nem assumir riscos. Podemos então viver de maneira preguiçosa e medíocre, desfrutando da fama imaculada de nossa praticidade, sendo apenas levados pelos ventos das circunstâncias presentes. Está na moda o último cinismo. Se vivermos com esperança, nadamos contra a maré.

Retornando a faceta extraordinária das abelhinhas, alguém talvez pergunte: Por que o pólen adere à abelha?

Certamente Salomão não explicaria, mas a ciência moderna explica, é uma questão de física, o que está em jogo é a atração de forças elétricas.

Já em relação a nós o que está em jogo é a energia da Graça que nos atraí ao jardim de Deus, cujo Éden esteja logrado em nossa subjetividade, sim, somos as verdadeiras flores naturais do Seu Jardim. E onde o Nécta da Graça transborda em nosso ser!

Daí o fato de nós pertencermos a classe das flores reais...E pela consciência que nos é dada pelo Espírito, de quem somos no Reino. Podemos assim dizer sem arrogância, que somos as únicas flores verdadeiras! (rsrsrsrs!)

Louvado seja Deus pelo Nécta existencial de Sua maravilhosa Graça sobre toda a Criação!
Mano Serafim             10/06/10