quinta-feira, 26 de agosto de 2010

De ver a dizer...

Se eu pudesse orar, agir e for assim...
Assim falaria e me justificaria diante do Eterno – Para me criar, e criar você, Deus tem que criar meio universo. O corpo e a mente de um homem formam um foco em que se concentra e se delineia até certo ponto. Então, desejaria que me transformasse num mancebo ignorante que aprende apreciando o sol e se alegra com os rios que irrigam este planeta...,
Sim, o sol nasce todas as manhãs e se vai logo, bem depressa para o lugar de onde veio – um mistério para mim.
Já os rios correm para o mar, contudo o mar não se enche; ao lugar aonde os rios vão, para ali tornam eles a correr.
Então vi que o ponto de total relatividade em relação ao mundo seria eu mesmo debaixo deste sol de cada dia e não o rio que corre na direção do mar...
O que foi; isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol, o que muda em nós, é o olhar quanto a percepção do ser.
Muita coisa passou despercebida diante de mim, e jamais me darei ao luxo de experimentá-las, pois, tudo é vaidade, embora, de vaidade a vida seja feita (isso não me tortura jamais).
Talvez, o enfado e o maldito tédio resultem no universo subjetivo do nosso egotismo!
Procuraria instrução e sapiência nos antigos escritos dos Vedas?
Eles serviriam somente para preencher o sarcófago de meu inconsciente e aumentaria a minha ansiedade pelos oráculos e mistérios de Deus...
A sabedoria humana fracassou quando o homem decidiu ser semelhante a Deus - “sois deuses” – está Escrito, porém, o ser-homem não conseguiu entender que ser deus, requer trabalhar, agir e fazer as obras de Deus. Somos semelhantes a Deus no trabalho porque toda obra tem origem nEle e é Ele quem determina o que devemos fazer, e não destino...
Há dupla intenção no trabalho: continuar o processo da criação e enfrentar as conseqüências do pecado. A obra original de cuidar do jardim não foi revogada pela Queda, mas por certo ficou mais complicada com a presença de espinhos e pragas.
Ora, talvez seja um convite para não somente arar a terra, mas preservar a Terra!
Certa vez me perguntei: o que de fato é ser feliz? Seria trabalhar estudar e entreter para poder acumular dinheiro e posses – e daí ter acessos aos mais diversos gostos e prazeres?
Percebi também que era vaidade – assim como ao homem que trabalha para comer e se vestir sem usufruir do luxo e das riquezas!
Ser feliz seria descobrir todos os segredos do universo e ocultar o meu mundo de fantasias dando margem para as mais ambíguas interpretações do próprio existir?
Entretanto percebi que ser triste é decorrente de uma instabilidade do próprio Planeta em que vivo, e por quê?
Por mais que pensemos que possuímos a “imagem de Deus” como uma metáfora controladora, o entendimento de nosso lugar no universo se desfaz, substituído pelo mito da auto-suficiência. Cada vez menos pessoas perguntam: “Qual o plano de Deus na criação?”. Elas querem saber: “como posso usar a criação para atingir meus objetivos?”.
Os propósitos deixam de ser avaliados em comparação com os de Deus. Simplesmente parte-se da convicção de que o que é bom para os humanos é bom para tudo...
Não! O que vejo é a dádiva de Deus sobre a vida do homem, o fazendo trabalhar, para que de seu trabalho ele viva e goze a sua vida hoje e amanhã morra...
A experiência determinou que o que plantar o homem, isso ele colherá!
A percepção é que o homem seja a semente, e o solo é este chão da vida onde todos nós nos encontramos e buscamos discernir... Muitos com muitas áreas da vida resolvidas e outros irresolutos, mas todos juntos no mesmo terreno, amassando o mesmo barro, e buscando ser feliz com a vida!
Na verdade somos residentes de um lar e não objetos em um ambiente. “Mundo” é mais do que objeto de estudo e uso. Ele é permeado por espírito – de Deus e meu. Somos parte do que conhecemos.
Fazemos parte do mundo, porém do mundo não somos, antes dele fomos escolhidos!
Desejaria ver o que e somente o meu espírito pode ver, pois, o terreno está fértil e a germinação de cada semente na terra exige um manuseio cuidadoso por parte do Agricultor – e nisso eu percebo sensivelmente “O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou”. Não por culpa do tempo, mas por causa de um coração que se refugiou na escuridão, como um eclipse lunar no interior de uma pobre alma aflita... Devemos ser objetivos?!
Quando Deus iniciou a Criação, ele parou, e num foco de criação e graça, ele formou parte do mundo: o homem interior que veio a ser carne!
Posto que Deus colocasse o universo no interior do homem e o fizeste ser um ser eterno.
Também vi debaixo do sol da in-justiça que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar de justiça iniqüidade – que partem como torrentes de ódio e de inveja do animal, homem.
Então julguei o que via... Aos homens Ele disse “sois deuses”, ou seja, vocês são juízes na Terra!
Olhei e vi que os animais são imitadores dos homens. Todavia, percebi que são os homens que se tornaram semelhantes aos animais!
Não busquei razão para o que vi e tentei compreender a motivação dos sábios-insensatos - a lógica se perdeu diante dos prantos dos inocentes e oprimidos pelos poderosos da terra.
Também percebi que os crentes não amavam a terra, nem suas fontes de vida e sustentabilidade de renovo... Eles vivem como quem viverá num “Céu”... E a preservação do planeta se guardará inutilmente para o “fogo do juízo”.
E as demais gerações?
Vi também que este pensamento global é vaidade e vaidade!
Outra vez me voltei e olhei o sol. Vi que ele não mais brilhava como antes, mas escurecia e esfriava ante as atrocidades de criaturas que não se encantavam mais com o seu fulgor incessante de cada dia, e nem contemplavam mais com o seu poente que trazia uma paisagem única a cada crepúsculo... Eles haviam se tornado robôs de suas ações e com todas as ciências humanas.
A contemplação do que é simples e belo no interior do homem se perdeu em meados de uma evolução rumo à pré-história na arte de amar.
Perdemos o desejo de viver como soldados de um ecossistema em expansão e paridor!
Voltamos constantemente o nosso olhar para o nosso EU - epicentro.
E o que vi foi à aflição do aflito...
A verdade seria encarar o que agora colhemos por nossos atos de insubmissão e rebeldia ás leis da natureza e de Deus – o nosso juiz-consciência alerta que seremos todos cobrados pelo que fizemos neste mundo; as suas criaturas e ao planeta em que vivemos.
Ora, se somos parte deste mundo e desta natureza seremos argüidos como um todo. Ainda que não consigamos descobrir e desbravar o mundo plenamente.
Conclui que tudo é vaidade nesta existência, não porque deveria ser assim, mas porque a tornamos deste jeito, pois, Deus criou o espírito do homem reto, mas ele procurou invenções para além da Graça e do amor do Criador.
Portanto a Deus tudo pertença nesta vida. E ao homem que é bom diante Dele, Ele traça um caminho de paz, alegria e contentamento. Ele o torna uma semente híbrida que semeará sabedoria, amor e paz na seara do bom existir. E nisso não há aflição de espirito. Mas, amor e segurança pra sempre.
Pense nisso!
E seja uma boa semente neste chão de baixo deste sol onde ainda brilha o Sol da Justiça de Deus!

Mano Serafim 26/08/10