sábado, 21 de agosto de 2010

O alto-Altar pela Graça...

Num dado momento de minha ignorância espiritual tentei decididamente olhar para cima e delinear a “escadaria” rumo ao Céu, mas os meus pés vacilavam neste chão da relatividade real... Projetei um olhar no horizonte da Criação e percebi que todo homem que se diz um ateu, ele também escolhe um deus.
Posto que as suas forças estejam nos seus atos e ele se vale somente de seu saber racionalizado...
E na maioria das vezes, um ateu é um crente traumatizado com o deus da religião!
Ora, a ordem de Jesus seria que pregássemos o Evangelho do Reino de Deus aos homens. Mas como?
O Evangelho transcende ás minhas expectativas caleidoscópicas!
Como posso traduzir algo que seja vertical e multidimensional à horizontalidade humana? – “Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?” (Jo.3.12).
Também percebo que na maioria das vezes, o meu egotismo mancha a mensagem de Cristo e termino anunciando o meu eu-evangelho cheio de fragmentos e pigmentos limitados!
Mais parecido com um mago que busca a Deus, não por Deus, mas o busca e o vasculha pelo poder de Deus. E tendo o conhecimento do poder de Deus passar a “domesticá-lo”.
Daí surge a silhueta de um galileu desprezado pregando nos guetos e nas favelas de Zebulom e Naftali (Galileia dos gentios) – “ As regiões de Zebulom de Naftali viram uma grande luz”
Daí o sentido verdadeiro de falar de uma Justiça que transcenda a justiça dos homens!
Daí a idéia única e perfeita de haver um Único Salvador que mostre o Caminho para quem caminha em busca de um horizonte vertical - “Eu sou o caminho”.
E para um simples judeu(Natanael) fora revelado uma ESCADARIA para a dimensão celestial – Um portal para outro mundo invisível, porém, real. E indivisivelmente separado deste mundo criado!
Na Cruz de Cristo está o logotipo para a visualização de todos os que se arrependem e crêem no Evangelho nesta existência!
Na haste vertical da cruz do nazareno anuncia o amor a Deus acima de todas as coisas; de todos e de si próprio. Este se culmina no primeiro e maior mandamento de todos!
Na haste horizontal da cruz do nazareno anuncia uma comunicação visual no que se traduz para a nossa compreensão ; AME AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO, ou seja, faça tudo ao seu semelhante como você gostaria que fosse feito a seu favor!
Este é o único nó que prende os cristãos ao Evangelho - o Amor. E se este amor bilateral não for compreendido ou discernido pelo cristão, ele corre sérios riscos de estar negligenciando e assim quebrando a Lei do Amor de Deus!
Mas aqui eu insisto, e apesar de perplexo, estou a descobrir a linha vertical deste novo horizonte, porém, com os olhos bem abertos, vejo os anjos subindo e descendo sobre o Filho do homem... E o que sobe ao meu coração é a mesma realidade vista por Jacó – Israel sonhou com Deus e viu uma escada que lhe dava acesso ao Céu. Portanto a minha procura acaba aqui, Ele, Jesus Cristo é a Porta, a Escada, e o Caminho... Para o Céu da eternidade em Deus!
Pronto me achei, aliás, Deus me achou, pois, é Ele quem busca o homem, e não o homem que o escolhe como Deus de sua vida!
Eh aqui está o ponto de parada de Deus – Betel..., cuja Face eu estou - e cuja performance me revele o coração quebrantado!
É extraordinário e simultaneamente estonteante o que se entende sobre o que já era desde o começo. Num lampejo de glória me é revelado que é fato de que o Cordeiro foi morto antes da fundação do Mundo, pois, só então, e desta forma entende-se que a Graça seja o maior motivo da Criação de amor do Pai. Aliás, devo assim entender de que a REDENÇÃO VEM PRIMEIRO QUE A CRIAÇÃO; pois, só poderia haver criação se Deus já tivesse redimido por sua maravilhosa Graça atuante o que haveria de ser hoje Nele!
É por isso que eu creio que mesmo ANTES de ser dito:"haja luz" foi estabelecido "Haja Cruz"- é discernir de que ANTES da fundação do(s) MUNDO(S), Ele (Jesus), o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo havia sido IMOLADO antes dos tempos (cronos) que se chama historicamente: tempo, HOJE.
Se eu crer ao contrário, incorreria no mesmo erro do poeta Cazuza em profanar no íntimo sagrado: "Nós somos todos cobaias de Deus!"
E quanto ao meu discernimento de agora?
Meu coração então, resoluto, decidiu certamente em te amar, amar ao Deus de amor...
Quanto mais eu conheço ao senhor (que chamo de meu) - me envolvo mais e mais com o seu amor. Inevitavelmente me aproximo deste “Seu-Altar” – me propicio a servi-lo e adorá-lo na beleza da sua Santidade. E a minha alma sabe e responde: custe o que custar!
A minha vida-Ser é um Culto racional na peregrinação do próprio existir na vertente-verticalizada de sua verdadeira presença na terra – que como sacerdote, (n)um mistério me aproxima novamente deste altar virtual, toda-VIA, real na comunhão mística com Deus...E serve também de testemunho para os homens!
A tua Graça me faz erigir um novo altar ambulante e que se edifica para dentro e para a verticalidade espiritual do absoluto, pois, sacerdote santo, tu a mim , me tornou...
O teu rosto desejo visceralmente beijar e aos teus pés arrependido me ajoelhar!
Não compreendo o que me une a Ti, digo: o relativo ao Absoluto. Mostre-me tal relação se posso compreender...
Acredito na Tua promessa de que nenhum mal noturno me envolverá, e o inimigo não me tocará - como sacerdote, eu subo neste “ALTAR”, consagrando todo o meu ser...
Portanto, toda a minha alma-vida eu entrego neste “Seu-Altar”, sim, tudo o que poderia me exaltar, e o meu ser de Ti, se separar...
Logo eu que tenho conhecido o teu poder, e sei que a Tua Destra me poderá suster..., E a cada DEGRAU que subo deste alto-Altar quase posso te tocar!Peço então a Ti que venhas logo em me socorrer!
Penso que ninguém tenha a obrigação de NÃO O QUESTIONAR... Pois, Jó des-graça-da-mente questionou a Deus, e não pecou contra Deus(disse Deus acerca de Jó).
Mas o meu quebrantado coração fez um compromisso em te amar e viver da minha fé - tendo compreendido o Teu poder!
Pai! Agora subirei neste Altar; e nova-mente me sentirei (n)este altar!
E permita-me só mais uma coisa a declarar:
Necessito da tua Graça em meu Viver!

Mano A. Serafim