quarta-feira, 11 de agosto de 2010

UM é o homem de Rm.7 e OUTRO é o homem de Rm.8

Perguntaram-no: “Você é um cristão?” – depois de alguns segundos em silêncio, ele respondeu: “Hoje eu não estou sendo”. Posto que houvesse muito tempo que ele não pregava  mais o Evangelho com a energia que Deus lhe dera; não mais se envolvia com o Reino como deveria; e não mais cria que poderia fazer algo de interessante em relação ao simples Evangelho de Jesus Cristo...
Ora, ele havia se esfriado na fé, na verdade não se sabe se o seu arrefecimento espiritual se deu por causa da multiplicação da iniqüidade ou porque o seu amor havia sido cristalizado...,
Não se sabe o que de fato existe nele hoje, se o que há se con-figura como a Era do amor gélido ou se o amor visceral do Espírito havia se extinguido dentro dele...,
Posso sugerir uma análise de dois homens em um só!
1- O homem de Rm.7 – é o crente que ainda não chegou ao capitulo 8 de Romanos.
Ele não morreu para a Lei, e pela Lei está amaldiçoado a viver feito um crente zumbi-ficado pela condenação do existir pecaminoso!
Ele ainda não entendeu que na morte de Cristo o seu corpo também deveria morrer juntamente. E na ressurreição de Cristo o seu corpo ressurgir dentre os mortos - os mortos que ainda continuam vivos para o mundo e suas concupiscências passionais.
O homem de Rm.7 vive a milícia legalista, ele não consegue se divorciar da força de morte da Lei, ele não descansa na Cruz que traz a benção para a sua vida. Ele não consegue ver na obra da Cruz o que foi feito por ele e o que já está feito para ele (consumado).
Ele está sempre em busca de “agradar” a Deus, imprime um esforço de ser santo, de ser fiel, de ser obediente às ordenanças de Deus, cuja motivação sua, seja o medo de quebrar a Lei que a sua mente transgride inconscientemente.
O medo de não ser perfeito em seus passos na direção de Deus é a grande paranóia existencial. Decerto que o conhecimento do pecado veio através da Lei, mas a força de morte da Lei é desfeita em nós (nosso corpo) pela ação contínua (dAquele que tornou-se maldito na cruz – o Próprio Deus), a qual produziu a Graça de Deus na morte e ressurreição de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.
O homem de Rm.7 tem na Le(i)tra um espelho que o revela suas entranhas feita em trevas e pecados. Daí o fato: “E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri.” (sabe-se, portanto que a lei jamais poderia ser perfeita-mente cumprida ao pé da LE(i)TRA). Subentende-se então, que a Lei era um AIO (professor) para a Graça!
Todavia o religioso se esforça debalde para vivê-la paranoica-Mente!
Conquanto se discirna no coração: “E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte.”- Mas porque? Porque o entendimento que o homem-crente-legalista na situação existencial de Rm.7, embora a caminho de se tornar o OUTRO homem de Rm.8, tem é que: “Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço”- O cabra tenta racionalizar o mandamento espiritual com tal condição de sua natureza caída, cujo pecado que lhe é inerente.
Aí ele diz em profunda conexão com a sua alma: “Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado.”
O que lhe falta é uma inclinação para o que espiritual o é. Posto que o seu discernir se planifica no que sensorialmente se percebe no seu intuir e no própio discernir ante ao absurdo que invade a sua alma.
Seria acreditar absolutamente no poder absoluto de Deus. Pois, Deu é.
Daí poder se chegar a tal discernimento espiritual e dizer para fora: “De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo.”
Embora, o crente esteja "morto" para o pecado, o crente peca (paradoxo)!
A morte trouxe vida a Lei. A Lei mesmo sendo santa tornou-se morte para todos, “Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou.” Mas a consciência gerada em nós pelo Espírito Santo testifica em nosso espírito, e nos faz entender: “Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo.”
E daí?
O mal que a Lei nos trouxe fora extremamente BOM, pois, a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom!
Logo tornou-se-me o bem em mal ou o bem em morte? De modo nenhum; mas o pecado (natureza adâmica), para que se mostrasse pecado(se neste estado eu morresse), operou em mim a morte pelo bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno. É para esta consciência que o Evangelho convida o homem-crente que permanece no cap. De Rm. 7 e ainda não se lançou para o cap.8. (RSRSRS).
Então alguém pergunta: “E o que importa tudo isso?”
O que vale é que o meu homem interior evolua e cresça em Cristo e o homem carnal e “carma-mente” preso pela lei do pecado se aniquile consciente-Mente!
Ora, o proceso continua em fé e na confiança da Graça de Deus que confirma o entendimento que Paulo possui de sua condição de morte em relação a Deus: “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?”
Por outro lado, o homem-crente-carnal GLADIADOR de Rm.7 é impelido pelo Espírito Santo para vivenciar o homem espiritual de Rm.8. O qual o coloca num estado sem CONDENAÇÕES...,
Quando se chega ao capitulo oito de Romanos, se entende que é possível DAR GRAÇAS A DEUS POR JESUS CRISTO.
E por quê?
Porque nos é dado um entendimento de que o conhecimento do Evangelho é a Sua lei de amor para todo aquele que crer e vive enquanto houver amor - E ama amar enquanto se possa viver. E ainda se pode viver neste mundo infeliz, porque Ele ainda nos ama!
Podemos servir a Deus com este entendimento o qual nos proporciona a liberdade de ser em Deus - e a negação e repúdio deste entendimento nos acarretam um serviço carnal à lei do pecado de morte (maldição). É viver ou morrer para Deus!
2- O homem de Rm. 8 - é o homem espiritual que não se deixa vencer pela milícia profusa do espírito e da mente (alma). Ele se escancara para a ação do Espírito Santo em seu ser que está em Cristo Jesus; ele entende perfeitamente que foi adotado pelo Espírito da Adoção; e que agora verdadeiramente se entrega aos seus cuidados para sempre [este de fato descansa na paz Shalom de Deus]..
A sua inclinação agora são para as coisas do Espírito, Ele discerne existencialmente que está livre de qualquer condenação estando Nele, e conhece desde já que a lei do Espírito é de VIDA e não de morte!
O que antes o impelia para “carma-Mente” obedecer ao destino da Lei da morte enferma pelo pecado na carne, agora fora desfeita pela Encarnação do Filho de Deus – Deus enviou o seu Filho em forma humana para desfazer o CORPO CORRUPTÍVEL e de morte, sendo assim, condenou o pecado na carne fazendo de Jesus carne semelhante aos homens, porém, sem pecado.
Portanto o pecado foi condenado na carne de Cristo e exposto no madeiro – sendo assim a Lei foi sumaria-mente assassinada no Seu próprio corpo mortal!
Ele simplesmente matou a morte e deteve o poder de morte do Diabo!
É a história de quem se tornou voluntariamente Réu do réu...
É Deus tomando o lugar do homem e advogando a seu favor diante do tribunal divino!
Daí o fato de quem está vivendo na carne não poder agradar a Deus no espírito, ele pode até se "esforçar" em agradar a Deus, semelhante ao homem de Rm.7[ora a sua mente digladiava com o seu entendimento por causa do pecado que lhe era imposto], mas na essência falta-lhe a existência de estar agradando ao Pai. Não há meio termo no evangelho, o “cabra” é ou não o é. Ele vive segundo o Espírito e anda no Espírito ou ele simplesmente não está em Cristo - se de fato o Espírito habita nele..
E é verdade para quem anda segundo a lei do Espírito, este não vive na prática do pecado, antes o guarda e anda como Ele andou. Guarda no sentido de não praticá-lo como dantes vivia preso e dado ao inconsciente coletivo de morte fazendo-se inimigo de Deus e amigo do mundo!
O guarda, não para se tornar devedor e refém da carne, haja vista que se assim viver morrereis (o salário do pecado é a morte), mas não o pratica para que por intermédio do Espírito toda a obra do corpo seja mortificada, e sendo assim vivereis.
Ora, mesmo eu sabendo que peco e que pecado sou, não darei direito a minha carne para pecar contra a minha consciência regenerada pelo Espírito Santo. Eu seria um hipócrita se dissesse que seria fácil viver sem pecar, porém, não é impossível obedecer a Deus em tal condição adotiva em que me encontro.
Ainda que o gemido da criação seja agonizante, mas a soberania e a bondade de Deus nos fazem andar com esperança, mesmo trôpegos no andar pela vereda apertada; e falhos no amar ao próximo.
As mazelas de o próprio existir nos acenam para as dores de uma mulher em trabalho de parto, porém, o Espírito nos ajuda intercedendo em nossas fraquezas e nos alimenta na esperança de serem revelados os verdadeiros filhos de Deus nesta existência.
E nisto ressoa o chamado do Senhor para aquele que o via de maneira inteiramente subjetiva- e independe de o crente está em processo contínuo de transformação de mente e coração, porque "E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos"
E, "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito."
"Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos."
"E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou." Sendo assim, o cabra crente se pacifica e se tranquiliza existencial-Mente em Jesus...! Este é o homem do cap. 8 de Romanos.
E finalizando : "Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou".
Ah, então a pergunta do interlocutor persiste: "Você é cristão?"
Enfim ele o responde: "Sou apenas um ca(b)ra que creu no Evangelho!".
Mano Serafim