domingo, 12 de setembro de 2010

Dois reinos em um só...

O pensar filosófico acerca do mal é objetivamente raso, não havendo profundidade na ciência do mal (como objeto) e como ele evolui profusamente na vida do homem, o conhecimento se mantém na superfície do terreno sem penetrar nos magmas mais profundos do saber humano. A antropologia jamais desvendou a essência do mal no homem e no mundo. A única teoria que se abraça é que o mal só existe se for por intermédio da ação do homem – embora nem todo mal seja de fato um mau para o homem e nem todo o bem seja bom para o homem!
Certa feita Einstein disse que o mal não existe e que o mal seria apenas reações advindas dos homens que não tem a Deus nos seus corações... Ou seja, o mal é a ausência do bem!
Assim como as trevas jamais seriam trevas se a luz não existisse, portanto, as trevas não existem, o que existe é a luz – “haja luz” e houve luz!
Ora, e houve luz sobre as trevas... Cientificamente não se pode medir a velocidade das Trevas (rsrsrs), entretanto, da luz se pode medir!
De uma maneira diferente de ver o mal no mundo como resultado ruim entre causa e efeito, o apostolo João verticalizou sua percepção sobre o bem e o mal – polarizando dois mundos distintos.
O seu dualismo definia o Bem como conseqüência da graça, bondade e amor de Deus que o colocava num mundo superior (sobre - de cima) em relação ao mundo governado pelo Diabo, o atual mundo inferior (de baixo), onde o mal seria reinante como mundo decaído quanto sistema corruptor dos homens (moralmente).
Ora, o mesmo João disse que Jesus se manifestou em carne para destruir as obras do Diabo!
Daí ser auspicioso para João pensar num paralelo entre dois MUNDOS – o do alto, no plano espiritual (dimensão vertical) e o de baixo, plano animal (dimensão horizontal). Todavia o astrofísico Isaac Newton (judeu) ainda não havia nascido e trazido consigo a “revelação” de que a força da gravidade revolucionaria o pensar dos antigos filósofos gregos e as convicções religiosas dos judeus.
O céu e o firmamento para o judeu era algo muito difícil de se compreender... Mas depois que se descobre de que a terra é esférica, o que pensar desde então, já que se pensava que haveria mundo de cima e mundo de baixo, qual seria a localidade geográfica, qual o espaço físico para se fixar tal mundo superior e assim dissociá-lo do mundo de baixo?
Pergunto; estamos em que posição agora? Já que a terra gira em torno de seu eixo? Causando assim os movimentos de translação e rotação?
O (s) céu(s) fica(m) em cima ou em baixo? E o inferno onde está localizado? (rsrsrs)
E tem mais, o próprio João conceituou de incredulidade, a relação ocorrida entre Jesus (Luz dos homens) e os homens que por sua vez viviam em densas trevas (estado caído) e sob o domínio de Satanás (Príncipe deste século). Assim, todo aquele que despreza o testemunho de luz e da Luz, que ilumina todo o homem que vem para a luz – este próprio é considerado incrédulo!
O Apóstolo Paulo diz meio que zangado que trevas e luz certamente não se combinariam...
Outro contraste que encontramos no dualismo Joanino é que carne pertence ao reino de baixo (reles mortais), porém, não materialmente má, como os gregos pensavam que a matéria era totalmente má.
Portanto, ele interpreta que o Verbo-logos se fez carne e habitou entre os pecadores cheio de graça e de verdade (e não cheio de pecado e pleno de maldade). Do contrário, Jesus seria formado de uma antimatéria, pois, desta forma toda matéria seria má, logo o Cristo não escaparia de qualquer essência do mal- e seu sacrifício humano não atenderia as exigências de um Deus não matéria,  mas Espírito e essencialmente Santo!
Apesar de João ter dito de que Deus amou o Kosmos (cosmos) de TAL maneira e que deu o seu Filho para salvá-lo, implica que mesmo a raça humana tendo caída e se alienado do Criador, ainda assim, o Pai ama eternamente a sua criação e universo!
O Apostolo Tiago disse que aquele que ama o mundo se consagra (separado está) inimigo de Deus nesta existência e no porvir. O mundo-cosmos referido aqui se interpreta como sistema mudano e reprovado por Deus e não como os gregos pensavam como criação atômica.
O discernimento que o Evangelho nos traz é que o mundo não pode ser salvo por Deus, pois, profeticamente o mundo condenado esteja. O mundo reconciliado e, porém, salvo é exatamente o mundo dentro do tempo e do espaço em que contamos as gerações – na cosmovisão de João, o mundo seria as pessoas que habitam um sistema, e que aderindo as Boas Novas do Reino Superior (de cima - Deus), neste caso, o Evangelho de Jesus Cristo, tais pessoas passariam agora a pertencer ao mundo de cima, mesmo no mundo vivendo, mas do mundo não mais pertencendo - Jesus disse: “Antes do mundo vos escolhi”.
De certo que João não era um filosofo e sim um discípulo, o qual viu e ouviu coisas inefáveis – “Pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram” (Lc.10.24).
A morte para João era encarada como um estado de transição para a vida eterna – “Aquele que crer em mim passou da morte para a vida”.
Conquanto aquele que estiver morto viverá e, em alguns casos, pessoas jamais sentirão a morte!
João revela que a condição para o homem ser salvo ainda em vida é crer em Jesus Cristo como o Unigênito do Pai, o qual "desceu" de seu mundo (de cima) e estabeleceu o seu Reino neste baixo mundo linear.
É crer ou des-crer!
É pegar ou largar!
Posto que quem optar em largar e descrer assim aniquila a Graça e o testemunho que o Filho dá do Pai!
Haja vista que o Rei do Reino de cima rompe o tempo e o espaço e penetra na História como servo e estabelece um “Portal dimensional” entre o reino de cima com o reino de baixo – “O que ligares aqui na terra será ligado nos céus!”
Apesar dos discipulos não entederem plenamente este reino, ele é instalado de forma sobrenatural em suas vidas – um ensaio para o que há de vir vindouramente na verticalidade da glória do Cristo Ressurreto!
Apesar de não se heterogeneizar com os outros três evangelhos sinópticos, o evangelho segundo S. João se iguala no que tange ao Reino escatólogico, em todos os quatro evangelhos nutrem a esperança de um Reino celestial e com recompensas aos que vencerem o mundo mal, o mal no mundo e milicia contra a própia alma, embora habite o Reino de Deus e ambiguamente sirva de abrigo para o mal. Neste caso, não deve haver dualismo, e sim consagração do ambiente como templo do Espírito Santo.
O que desejo dizer com isso?
Que cada vida e cada corpo representa um mundo, seja ele na sua subjetividade quanto na sua coporalidade de estrutura bioquímica.
É Deus salvando os homens de seus mundinhos e universos aos avessos!
Daí o pensamento Joanino de Deus criar o mundo(cosmos) e desejar amantemente libertá-lo de seu cativeiro existencial...[...]...
Por outro lado, ao gênero homem discípulo, o mundo globalizado do Evangelho atende as suas demandas humanas em infindáveis dimensionalidades. A multiforme graça abrange a todos.
O mandamento é certo quanto ao “deves amar” quanto ao “deves ser” luz e sal da terra!
Vivendo assim, na substancialidade do sal (sendo nós o sal da terra) e da Luz(tendo luz e luz sendo) no mundo, o mundo verá que temos a autoridade de colocar o sabor da alegria na vida do próximo, e luz da verdade nas trevas existenciais daqueles que andam na escuridão em pleno dia...
Ora, dessa maneira se cumpre a palavra de Deus na vida daquele que assim abraça o Evangelho sem ódio e rancor, mas com ações de liberdade de quem na luz está, e desta forma agirá como o bom samaritano, que quer onde colocava os olhos via reconciliação, perdão, regeneração, cura e salvação!
E sabe por que?
Por que se teus olhos forem luz, o teu corpo plena-MENTE também será luz...
E apesar de eu crer no que João creu e assim falou, eu particularmente acredito que estes dois reinos são apenas UM!

Nele-Cristo, a Quem João chamou de Luz dos homens.

Mano Serafim