domingo, 5 de setembro de 2010

Na solidão do deserto...



Eu vim te procurar na sequidão de um deserto.
Lamentar-se-á uma alma neste divã solitário – “Estou fraco e mui quebrantado; tenho rugido pela inquietação do meu coração” (sl.38.8).
Talvez, esteja eu, no rumo certo.
Há um sonho e há uma Voz.
Sim, não consigo avistar a ponte que me levará para o outro lado...
E como um vento preenchendo um vácuo recipiente, cujo invólucro envolve a alma – uma brisa bem distante traz uma voz ecoa das camadas mais profundas de minha alma cálida...
A sensação térmica mais parece ser de 45ºc. O meu cérebro parece não mais oxigenar ante a fadiga e dores que pulsam vulcanicamente de um peito doído...
Quem me conduzirá nesta jornada que já se tornara ofegante para a minha esperança?
Qual o nome a chamar?
Quem agora cuidará de mim?
Mas a voz insiste em vociferar de que os sonhos são meus, somente meus e de mais ninguém, posto que não haja mais ninguém senão eu a vaguear neste mar de areia da incompreensão do viver!
Vejo Oásis...
São apenas miragens!
A minha língua se apega ao paladar e o meu ânimo em prosseguir se exauriu sobre os meus próprios devaneios.
Não posso percorrer outros caminhos – não há outros caminhos a percorrer!
A gente pensa que vai ser feliz percorrendo outro caminho (se outro caminho houvesse) neste chão empoeirado da vida.
Não há, a perplexidade alerta: O meu caminho é no deserto - O deserto se tornou a minha existência.
Seguirei o rastro do escorpião nas dunas;
Desvendarei o caminho da serpente nas rochas – a voz mais uma vez me diz: Tudo em vão!
Aonde quer que eu vá às palavras se amalgamam com as vozes do árido deserto...
Rendo-me ao cla-Amor do Espírito, e desconjunto-me: Senhor ensina-me a ouvir a Tua voz e ensina-me a entender os teus sinais, pois, não quero errar mais...
Não discirno se são as minhas palavras que retornam ressoadas para mim, ou se o vento grita contra a minha alma árida e desértica!
Penso que seja difícil ao homem natural saber conviver com os paradoxos da fé!
Chorei, porque ninguém entendeu a minha dor...
Sinto que necessito ser preenchido no coração – porque te mostras indisponível a mim?
Eu sei que não mereço, mas eu bem sei que tu és amor, somente amor!
Porque te tornas insensível a minha voz-de-dores, a qual me impedes de prosseguir na peregrinação de um “hebreu” existencial?
Não ouço mais a tua Voz...,
Os temporais do deserto me arrebentam a fé...
Tenho desejo de teu fogo cortando a escuridão de uma noite fria...

...[...]...

Quando leio a História dos filhos de Israel- o bichinho de Jacó...,
Visualizo o teu braço forte os guiando pelo deserto das lamentações existenciais!
A voz que de mim emerge, sussurra-me: Ninguém é tão perfeito que consiga - Fugir dos olhos vivos do senhor..., o Qual pode ver ao mais profundo e profuso abismo, e até segredos que eu jamais revelei - Ele sabe cada um dos meus desejos – O que faço, onde ando e a quem procuro!”
Preciso de forças para crer que em algum lugar, alguém me espera!
Aprendendo com o silêncio do deserto...
Aprendo a lutar contra a minha própria alma no anfiteatro da sobrevivência.
Ora, e o que eu ganho e o que eu perco ninguém precisa saber...
Pode até parecer fraqueza - “Porque quando estou fraco então sou forte”- que seja fraqueza então...
A esperança é crer contra a esperança. A esperança do que se ver, esperança não o é...,
Mas se auspiciosamente desfaço a colcha de retalhos que molda a minha razão e lógica, espiritualmente me envolvo e absorvido sou pelo encantamento da Graça!
A Graça me faz entender o seu enigma; de que dela emana o Amor metafísico favorecido, o qual eu jamais mereceria se assim não o fosse – ou seja, é Deus abraçando o homem (a mim) sem exigir em ser abraçado!
E creiam, a cada dia a minha percepção muda no ambiente do confessionário subjetivo!


Nele- em quem existencialmente existo!


Mano Serafim 05/09/10