quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Evangelho que transforma...(19/10/2002)

Este artigo foi inicialmente escrito em 2002, porém, e ainda hoje continua atualíssimo em seu conteúdo e sempre que posso leio novamente...
"Pois vos foi concedido, por amor de cristo, não somente o crer nele, como também o padecer por ele"... (Fp. 1.29).
Vivemos em uma época em que poucos cristãos sabem discernir o significado de estar em Cristo, galgamos numa geração contraditória e confusa em seus ideais e onde o cristianismo Bíblico e autêntico fora transformado em uma fórmula moderna quanto eficaz para a satisfação imediata de todos os nossos anseios...
Existem em nosso meio (evangélico), e no mundo afora, inúmeros crentes dos mais variados perfis já vistos. São muitos (até mesmo a maioria) dos que desejam uma satisfação imediata e efêmera de seus desejos humanos, pessoas que realmente esperam a plena realização de todas as promessas divinas ainda nesta vida.
Elas almejam uma perfeição jamais exigida pelo próprio Deus; fomentam uma crença numa sociedade santa, imaculada e sem violência ao Reino (surrealismo religioso)...
Buscam a todo vapor uma comodidade e descanso “espiritual” que só poderão alcançar e usufruir no Céu...[...]
É como um paradoxo que nos arrebata ao ponto de delirarmos misticamente ao êxtase do nada... Ao contrário de tudo isso e o que se apresenta prontamente e frontalmente contra nós, é a DOR...
Conseqüência inata ao individuo (homem caído – Gên.3) - que outrora vivenciava os prazeres da alegria, serenidade e paz, mas que agora decaído de seu estado original perfeito, maculado, tornando-se o contrário de sua forma originária em que fora criado (tendo que viver com ambigüidades existenciais), sendo assim, o mesmo luta incessantemente para expulsá-la (dores) de sua "natureza adâmica" (pensamento teológico), porém sem sucesso.
Na verdade ou em verdade, o que percebo é que o Espírito nos conclama sabiamente é para uma maturidade de como saber conviver com esta "dor" que nos afeta e tenta a todo modo nos impedir de prosseguirmos em conhecer mais e mais a Deus...
O homem espiritual é forjado de sabedoria, ele consegue extrair de seus momentos de dor, a força espiritual que lhe mantém voltado para o Caminho. E que um dia o poderá levar a perfeição tão espiritualizada que almejamos ter. Todavia não quero dizer aqui de que necessariamente devemos nos acomodar e se conformar com o sofrimento interior quanto ao exterior, sim, não estou fazendo aqui nenhum "voto" de comiseração (autopiedade), e nem tampouco ensinando ás pessoas a se "auto-flagelar" para alcançarem a "evolução espiritual". Estou simplesmente tentando encontrar assim como você que me ler uma explicação para a DOR...
Não é de se admirar que nas Escrituras estejam recheadas de experiências vividas por homens e mulheres que apostaram de tudo e tudo em Deus, em troca de uma âncora para uma alma inquieta e sedenta por um Deus que nos parece tão distante, mas que está tão próximo como o oxigênio que penetra em nossas narinas e infla mecanicamente os nossos pulmões diariamente nos trazendo vida própria!
A marca do pecado na humanidade está revelada na morte do ser humano, no entanto o Evangelho de Jesus Cristo nos direciona e nos ensina de que através da dor e do sofrimento da alma podemos usufruir a abundância de vida que existe na morte de Cristo... Porque assim ensinam as Escrituras, que Jesus morreu para nos dar vida, e vida em abundância!
Portanto um só homem morreu por todos, para que todos MORRAM E NÃO OBSTANTE vivam somente por Ele e tão somente para Ele, através da fé.
Na epístola aos Colossenses, o Apostolo Paulo nos convida a termos o mesmo sentimento de Cristo que através da submissão a Deus mesmo sofrendo sem merecer, padecendo sem entender, e suando sangue sem retroceder, sendo assim aprendeu a obediência que agrada a Deus. Tornando-se o exemplo verdadeiro de servo fiel e de filho amado. E mesmo sabendo ele de que logo mais seria executado no madeiro como fruto de sua fiel obediência a Deus. Não desistiu, e enfrentou corajosa-mente a dor...
Talvez seja sensato pensar que fugir da dor interior que nos atormenta e que de nenhum modo podemos contê-la ao nosso imediato desejo indolor, exista uma repulsa arrogante cujo brado de alivio seja atribuído ao desprezo de nossa cruz pessoal, entrando em cena o furor de um "eu" que procura através da essência da alma uma vereda de pastagens verdes e de águas plácidas para um seguro refugio distante da grande agonia da dor interior que esmaga [seus] membros mortais... Trazendo para a mente uma falsa revelação de que Deus se mostre um tanto quanto insensível ao sofrimento humano.
Portanto tal alma aflita e doída não consegue ouvir o Sumo Pastor bater com o seu cajado sobre o solo pedregoso e que por sua vez revela a trilha necessária para o rebanho, e qual seja o rumo a seguir e a qual destino chegar, na certeza de uma sombra segura onde o refrigério da alma estará...
O medo que enfrentamos de nos rendermos sem reservas a um Deus invisível nos faz duvidar das certezas do amanhã que somente a Deus pertence, no entanto quando nos desprendemos de tudo e de todos e priorizamos unicamente a Deus, a dor que anteriormente batia de frente com as nossas indecisões, incredulidades e medos, são freqüentemente suportados, controladas, superadas e em muitas circunstâncias banidas... E tudo isto serve para nos ensinar de que devemos nos concentrar mais na vida espiritual confiando(descansando) cada vez mais no poder e na Graça de Deus.
Mas, também acredito que o cristão maduro (aquele que consegue conviver com a dor sem aleijar a alma) pode desenvolver um equilíbrio ante ao sofrimento interior e as dores exteriores. Quando verdadeiramente passamos a usufruir das bênçãos espirituais e permitimos que o Espírito nos capacite com a mente de Cristo, conseguimos então dá um passo bem largo em direção a Deus e no cumprimento do seu propósito em nossa vida.
Há ainda aqueles que se projeta em meio a um "deserto" na certeza de que depois de serem "provados e aprovados" por Deus alcançarão toda a satisfação perfeita e plena que sua alma precisa e anseia.
- Na verdade o homem foi criado por Deus para gozar de todo o bem-estar e felicidade eterna, sendo o homem por sua vez formado em perfeição na imagem e semelhança de Deus, ele jamais teria que experimentar o sofrimento e dores...,
Entretanto temos que atentar para a nossa realidade latente – somos criaturas perfeitas, mas com o "seu estado original decaído," como é que realmente podemos viver num mundo imperfeito, tenebroso, oposto a vontade e direção do Criador, isto é, em um mundo em que os homens jazem no maligno e ainda assim exigirmos uma vida plena e totalmente satisfatória como no Paraíso? Analise - neste mundo caótico e desajustado longe do amor e da vontade de Deus. - Porque temos que fingir ser aquilo que não somos e fazer aquilo que não desejamos vivendo da maneira que não ansiamos? Seriamente há um número considerável de cristãos que acreditam que podem viver uma vida cristã prazerosa, gozando de uma paz intensa e perfeita, inundado por um amor perfeito e puro e principalmente com uma vida bem longe do sofrimento e da angustia da alma.
E o pior é que essas pessoas não meditam na Palavra de Deus como deveriam, não pensam como o Espírito deseja que pensem e não agem como agiria Cristo em seu lugar, talvez algum precursor do "evangelho de fórmulas mágicas", tenha introduzido tal anátema nos corações destes crentes marionetes, constituindo assim um utópico "pacote evangélico" de promessas imediatas quanto urgentes de que da noite para o dia os fieis sairão do colapso financeiro, ensinam as pessoas a barganharem com Jeová, isto é, se é que podem... E tem mais, proferem jargões como estes: "pare de sofrer; se revoltem com esta situação; chorar nunca mais"... O fato é que estes líderes ensinam aos seus rebanhos de que os mesmos não mais vivenciarão lutas interiores como exteriores e negam sagazmente o sacrifício do viver cristão.
Mesmo porque de agora em diante, os seus problemas já estão solucionados porque "deus" (mamon) o dono do ouro e da prata já encheu o seu bolso de dinheiro. E certamente o que vier após isto é lucro, esquecendo, portanto do verdadeiro significado da expiação de Cristo e negando sorrateiramente a eficácia da mensagem do Evangelho.
Quando o Apostolo Paulo escreveu esta epístola aos irmãos em Filipos, o mesmo estava encarcerado e preso por correntes nas mãos e nos pés por ser ele próprio um testemunho vivo de Cristo para o mundo de sua época, mas hoje é quase que impossível de se ouvir da boca de um cristão se o mesmo passa ou tem sido perseguido e injustiçado por causa do Evangelho de Jesus Cristo.
O que temos visto e vivido em nossas congregações é um verdadeiro refluxo de uma igreja impotente e desprovida da autoridade como do amor incondicional do Cristo de Deus. Veja logo abaixo em uma cena bíblica de como Deus na pessoa maravilhosa do Jesus - homem reage diante de nossas impotências, mazelas e vulnerabilidades humanas... Um singelo toque de sua
Graça ao nosso favor imerecido:
...Logo depois, Jesus foi a uma cidade chamada Naim, e com ele iam os seus discípulos e uma grande multidão. Ao se aproximar da porta da cidade, estava saindo o enterro do filho único de uma viúva; e uma grande multidão da cidade estava com ela. Ao vê-la, o Senhor se compadeceu dela e disse: "Não chore". Depois, aproximou-se e tocou no caixão, e os que o carregavam pararam. Jesus disse: "Jovem, eu lhe digo, levante-se!" O Jovem sentou-se e começou a conversar, e Jesus o entregou à sua mãe. Todos ficaram cheios de temor e louvavam a Deus. "Um grande profeta se levantou entre nós", diziam eles. "Deus interveio em favor do seu povo." Essas notícias sobre Jesus espalharam-se por toda a Judéia e regiões circunvizinhas.
- Lucas 7:11-17 . Duas grandes multidões se encontram. Uma segue um corpo morto. Outra segue o Senhor da vida. Até hoje a humanidade se divide nestes dois. Infelizmente, ainda hoje o maior grupo não segue o caminho da vida, mas, rumo ao cemitério. Quando Jesus diz para a mãe não chorar, não é que ele despreza a sua dor. Marido morto, filho único sendo carregado para o enterro. A dor dela era demais para agüentar. Será que Jesus pensou em sua própria mãe, que em breve estaria passando por isso?
Jesus compreende nossas dores. Ele sente nossas perdas. E ele nos conforta com o anúncio de que a hora de chorar terá fim... (Apoc. 21.3-4)
Primeiro, as palavras de Jesus penetram a terrível dor de uma viúva que acaba de perder seu único filho. Depois elas passam pela escuridão do além e chama de volta aquele que ela havia perdido para sempre. Compaixão e Poder. Os homens que têm um, raramente possuem o outro. Jesus reúne os dois como ninguém antes ou depois.
Quando Jesus ressuscitou o filho da viúva, ele mostrou que a morte não tem a última palavra. A última palavra é de Jesus. É a palavra mais poderosa que existe, e é uma palavra temperada com compaixão. Como Max Lucado observou: "Jesus não ressuscitou os mortos por causa dos mortos. Ele ressuscitou os mortos por causa dos vivos". Um dia, toda a dor e sofrimento, todas as perdas que nos rondam se renderão à palavra de Jesus. Quando Jesus fala, até a morte tem que recuar...
Graças a Deus pela esperança viva e verdadeira que temos em Jesus.
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Temos visto uma grande propaganda de como adquirir uma vida feliz e próspera dentro da igreja. Na verdade o papel da igreja como instituição criada por Deus é de revelar Cristo como parte do Corpo (a cabeça) levando assim as famílias ao encontro de uma experiência com Deus e não colocá-las contra Cristo. É nosso papel levá-las a Ele de maneira espontânea e tão verdadeira quanto sincera como o Senhor deseja, ao contrário de negociarmos com os mesmos a cerca da salvação... Acredito que seja um mandamento para a "Igreja" (eu e você) propagar o Evangelho aos homens e não exigi-los que os mesmos fabriquem "poderosos" testemunhos com a finalidade de causar um impacto frustrante na vida de muitos cristãos sinceros. E em particular conheço vários cristãos que nutrem uma vida irrepreensível de santidade e oração diante de Deus, contudo não alcançou tudo aquilo que desejam, isto é, de estarem plenamente satisfeitos ou com resultados de orações satisfatórios. E mesmo assim continuam amando ao seu Senhor e o servindo incondicionalmente.
Não posso deixar de citar que quando estou no meio destes irmãos sinto-me mais humano, mais amado, e mais cristão, sabe por quê? Porque eles além de vivenciar a Deus, eles simplesmente me inspiram fé...
O ponto crucial, porém verdadeiro que de maneira implícita aparece no texto de Fp. 1.29, é a total essência de ser cristão. Paulo revela na lucidez do Espírito Santo de que a profundidade de se conhecer a Deus está relacionada com o sofrimento que enfrentamos neste corpo dilacerado pelo pecado e afligido por uma alma aleijada pela dor da separação de Deus... Entretanto com toda essa nossa vulnerabilidade e fuga que nos afugenta da presença do Senhor ainda assim podemos obter um relacionamento santo e sincero com Deus.
E é exatamente através de nosso sofrimento neste corpo corruptível que o Espírito age dentro de nós e aos poucos reformula em nosso homem interior a imagem de Cristo, pronta e poderosa para o bom combate cristão. Contudo até chegarmos lá com o auxilio do Espírito. Sofreremos dores, desacomodações, perdas e danos, todavia o amadurecimento espiritual virá e será semelhantemente como se brotam os verdadeiros frutos de uma árvore não somente frondosa, mas de excelentes frutos...
É necessário compreender que todo homem tem uma sede insaciável de Deus e é justamente quando identificamos esta sede interior em nós é que entramos geralmente em conflitos com nós mesmos. Mesmo quando já somos vivificados pelo poder reformulador e restaurador do sangue de Jesus Cristo + do Espírito Santo. E este acontecimento sobrenatural ocorre em nosso espírito (homem interior). Em contrapartida a nossa alma deseja ardentemente uma satisfação plena de todos os nossos desejos e anseios. Seria muito bom vivermos em um mundo sem violência, ódio, desarmonia, dores e tristeza não seria? Contudo só encontraremos tal ambiente no Céu. È justamente por causa disso que não estamos livres de qualquer fatalidade, tristeza, dores e sofrimento que esta vida nos oferece, e isto nos traz a memória as palavras de consolo do Mestre da sensibilidade: "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo Eu venci o mundo". Ensina-nos também que podemos conviver com pessoas que possuem diversas indiferenças, traumas, frustrações e decepções... E que mesmo assim poderemos amar com a mesma intensidade do Mestre do amor e sermos aceito no amor fraternal, isto é, suportando uns aos outros em amor ou por amor ao Senhor... Sim e graças a Ele podemos amar e receber amor dos outros, porque Cristo demonstrou o seu muito amor para conosco nos amando sendo nós ainda pecadores. Alcançaremos a vitória como o Senhor já predisse, porém, se vencermos nossos pecados interiores, nossos conflitos interiores como também os pecados exteriores quanto aos conflitos exteriores. Descobrindo o cristão a sua sede interior por justiça e expelindo toda e qualquer impureza identificada com o auxilio do Espírito Santo de seu interior, aí fica mais fácil saciar esta sede que o ser humano possui da presença de Deus... "Encontramos um manancial" (a santa presença) de águas purificadoras em meio a um deserto árido de nossa alma, de repente passamos a odiar o "mal", passo a passo deixamos de cavar nossas "cisternas rotas" e pouco a pouco uma fonte de águas vivas e puras nascem em nosso interior, fonte esta que começa a jorrar nesta vida e se estabelecerá para a vida vindoura, isto é, ela não seca, é perene, flui a cada instante de comunhão com Cristo, a não ser que deixemos de saciar esta sede e por conseqüência disso a fonte ficará inativa ou até mesmo adormecida... (Apoc.21.6).
Examinando com um olhar cirúrgico o livro de Jó pude perceber que o Evangelho de Cristo esteve tão presente nos dias de Jó quanto a dois mil anos atrás e permanece vivo ainda hoje.
- [A provação em que Jó foi submetido é um exemplo sólido de um cristianismo autêntico e transformador, verifique que nos primeiros capítulos do livro (Jó), logo no inicio de sua prova e tribulação, a Bíblia relata: "Não pecou Jó"... E nem atribuiu a Deus falta alguma (Jó.1.22)].
Tudo aparentemente ia bem à vida de Jó até quando e de repente tudo de mais importante e significativo que possuía veio a sucumbir em questão de horas, tão inesperadamente o ventou começou a soprar fortemente contra Jó, o mal lhe sobreveio e o que ele mais temia começou então a acontecer em sua vida, logo as noticias de desgraças lhe chegavam aos ouvidos, uma após a outra, malmente Jó recebia uma noticia desagradável de que seus bens, suas crias, suas rendas haviam sido roubados, saqueados e mortos seus servos. Malmente ele acabava de recebe uma trágica noticia lhe chegavam outras piores do que a primeira e assim foi sua ruína, Jó chegou a uma situação tal que fora acometido de uma lepra terrível e por muitas vezes precisou rapar com um caco de telha sobre as feridas que lhe cobriam o corpo... Nesta ocasião Jó já havia perdido todos os seus bens que por sinal não eram poucos e até mesmo os seus bens maiores, os filhos.
...Existem fases em que atravessamos nesta vida probatória que parecem que vão nos destruir por inteiro, momentos que nos sobrevém total escuridão e solidão e somos fortemente tentados a tirarmos a visão do alvo e a abandonarmos nossos relacionamentos com Deus e com outras pessoas, uma força negativa que tenta nos empurrar deixando de alguma forma a nossa visão um tanto quanto embaçada...
E sem razões e motivos para termos fé na providência divina, porque nestes momentos nos parece ser mais fácil acreditar que Deus tem o poder pra nos salvar do inferno em chamas do que termos que exercitar a fé por intermédio de nossas fraquezas nestes momentos de dores e lutas interiores a fim de sermos permeados pela Graça que nos é concedida para vencermos o mal a cada dia, na esperança rumo ao aperfeiçoamento dos santos?!
- Conheci uma pessoa "muito usada por Deus” (não gosto muito de usar esta frase), dócil, amiga, irmã, fraterna, detentora de uma inteligência e capacidade de raciocínio fantástica, mas que também experimentou uma fase muito difícil em sua vida chegando a cair em depressão (uma tristeza profunda)... E esta fase, provação, como queira chamar lhe sobreveio quando a mesma estava liderando um trabalho, uma extensão de nossa igreja. E poucos, a minoria mesmo, aceitaram o seu estado de depressão e dor, outros a ignoraram pelo fato de atribuírem a ela os conflitos e problemas em que estava enfrentando era absolutamente em detrimento de porventura a mesma haver escondido um pecado embaixo do carpete...
Parece coincidência, mas estes "irmãos" se assemelham com os mesmos amigos de Jó. Entretanto é bastante válido o aconselhamento pastoral nestes momentos de angustias e sofrimento, contudo em alguns casos o silêncio fala mais forte, a exemplo dos amigos de Jó quando o viram naquele deplorável estado e situações de sofrimento ficaram perplexos diante da cena patética de seu amigo e resolveram fazerem um jejum de palavras ( de fato eles não pronunciaram palavra alguma durante sete dias)... Ora, Jó era conhecido não somente por causa de sua riqueza, mas bem mais conhecido por sua destreza e sabedoria em aconselhamentos perante o próximo. Outrora ele aconselhava aos outros a seguirem com fé na pratica do bem tendo como recompensa válida o recebimento da verdadeira felicidade como também os exortavam a se desviarem das veredas dos ímpios se mantendo íntegros. Porque dentro da cabeça de Jó só existiam duas classes de pessoas, os justos e os ímpios. – Posso contemplar a atitude sábia destes três homens!
Veja se não é vero? Houve e haverá situações em nossas vidas em que nos consideramos impotentes, desesperançosos, desamparados, aflitos diante dos problemas que nos sobrevém, e o que é mais sufocante, não temos a direção, a solução e nem tampouco o domínio da situação para resolvê-los e solucioná-los. E obtemos uma falsa certeza de que Deus nos ignora.
No terceiro capítulo do livro. Depois de sete dias e sete noites de silêncio e de sofrimento Jó quebra o ciclo do silêncio introspectivo de sua alma e rasga (desabafa) o seu velho coração para os seus amigos. Ele inicia o seu discurso amaldiçoando o "bendito" dia de seu nascimento e sua trajetória de vida na face da terra...
Dias atrás, o mesmo Jó disse a sua mulher: "Recebemos o bem de Deus s o mal não receberemos? Como manifestação de Sua Graça?" – "nu sai do ventre, nu voltarei para ela"...
- É impressionante como nós seres humanos mudamos de opinião perante aos fatos e aos problemas que estão diante de nós. Penso que o homem se converte a Deus não através do sofrimento, porém em face do sofrimento que o homem experimenta, ele de alguma maneira se converte a Deus. Posto se Deus é amor, como poderia fazer que o homem sofresse para assim amá-lo?
O sofrimento interior de Jó o levou a mudar de atitude em relação ao seu estado consciente de santidade e comunhão com o Criador Benevolente..., Entra em cena outro Jó, o qual ele jamais conheceu..., Um Jó que estava oculto no mais profundo de seu âmago, território emocional onde o pastor; o psicoterapeuta e o psicanalista jamais puderam penetrar, mas somente e através de um auto-exame profundo com a ajuda do dócil Espírito Santo que o homem pode reconhecer tal natureza decaída e impotente ante ao sofrimento; angústia e dor...,
Jó era tido como o homem mais justo da terra em sua época.
Acumulava uma fortuna invejável em seu País; era chefe de uma linda e maravilhosa família que todo casal almejava formar, pai de filhas formosas e de beleza exuberante, diz o texto. É obvio que todo mancebo de sua vizinhança cobiçava em ser um genro seu. Jó obtinha uma posição de destaque na sociedade era bastante famoso não Oriente, carregava no peito um altar ambulante, cujo propiciatório interior sacrificava freqüentemente ao Senhor, suas oferendas cobriam os seus filhos através dos sacrifícios de animais em prol de seus filhos e família...,
Pensava o árabe (Jó): "Quando porventura os meus filhos se reunirem para banquetear-se possam agir em desobediência ao Eterno."
Posto que na sua consciência, o temor e o tremor a Deus o faziam viver sobre os ditames de Sua palavra (mesmo não havendo Lei escrita que o restringisse)!
Muitos até podem dizer que Davi foi um homem segundo o coração de Deus (isso disse o próprio Deus aos homens acerca de Jó), porém como Jó eu não conheço. Um homem possuidor de uma paciência tremenda e de uma humildade desejada por muitos cristãos sinceros (sem dizer que Deus o considerava um homem justo)....
É interessante quando ao romper de seu silêncio, Jó se colocou diante do tribunal de Deus como um inocente [talvez o fosse de fato], pois, ele se julgava ser um homem segundo os parâmetros estabelecido nas leis divinas, o qual se desviava de todo o mal e onde até mesmo Satanás confessa na face de Deus: "Tu o tem protegido de todos os lados".
E quando o Senhor pela terceira vez permite que satanás tente/prove a Jó. O Senhor ordena: "Não toque no seu espírito". Ora Deus estabeleceu um limite para o Diabo agir na vida de Jó, posto que o próprio Deus soubesse quais eram os intentos de satanás e como também conhecia o limite humano de suportar tal provação sem desvanecer.
E todos nós sabemos que Jó suportou pela Graça de Deus em seu favor todo aquele insuportável sofrimento sem ser destruído..., é daí que Tiago nos consola e nos ama quando aponta para a longânime paciência de Jó. O Senhor conhece o limiar de uma alma em sofrimento profundo, Ele misericordiosamente cria todo um aparato espiritual ao nosso favor imerecidamente...,
Se não fosse o Seu perfeito amor, nenhum de nós suportaria qualquer provação/tentação, entretanto Ele permite, nos faz passar pela prova e no final Ele mesmo nos aprova diante de Seu poder sem igual.
Os amigos de Jó argumentaram e argüiram-no no afã de descobri qual seria o pecado de morte cometido por Jó. Eles não podiam entender de que Jó era um homem inocente e justo diante de Deus..., E se algo de mal e avassalador estava o assolando, só poderia ser algum pecado que Jó escondia debaixo do tapete do coração.
Sim, para Eliú, Zofar, Bildade e Elifaz disseminadores da Teologia Moral da
Causa e do Efeito, para eles tinha que haver algo associado com pecado, más-obras, influência causada pelo mundo espiritual o qual "rege "o mundo físico (Teologia da previsibilidade absurda)..., Teria que existir alguma relação entre a causa e o efeito...,
Neste caso a causa seria o pecado enrustido de Jó não confessado a Deus e nem a eles..., E o efeito seria as mazelas, a desgraça, o dor, a doença, a fome, a prova literalmente!
E o coitado do Jó todo purulento, supurando, cujas feridas iam dos pés á cabeça (provavelmente um câncer de pele), ele se rapava com um caco de telha e fazia a assepsia do local utilizando silício – imagine a ardência e dor que ele Sentia..., todo o seu corpo era dor, não havia pedaço de corpo que não fosse: agonia, sofrimento e perplexidade absurda...,
E segue a indagação de seus amigos e a culminação de um juízo terrível em relação à Jó e da sua família. Eles o acusaram de injusto, de infiel, de mentiroso, de arrogante, de caluniador, e possuidor de um espírito de cobrança, de descrente, de falacioso em seus argumentos diante de Deus..., o chamaram de asno, de burro...,
E Jó apenas os entrega a justiça de Deus..., E se voltando para eles diz: "O Senhor seja aminha testemunha e juiz diante de vocês"- E de fato, ele se rende totalmente a Deus mesmo sem saber o que estava lhe acontecendo, e deixa que Deus aja a seu favor sabiamente.
Todavia o que fica claro em todo o seu sofrimento, é que mesmo ele não entendendo qual era razão de seu sofrimento nesta vida, ele entende de que Deus possuía o domínio de qualquer situação, e isto ele afirma diante de sua mulher, dos anjos e dos demônios: "Eu sei que o meu Redentor vive e por certo Ele se levantará para me salvar!". Uma falácia em nosso meio evangélico se incorpora facilmente nos círculos de amizades, digo, é bem mais fácil apontarmos os erros de alguém e descobrirmos a falta de outros do que olharmos para dentro de nós mesmos e identificarmos pecados inerentes á nossa natureza pecaminosamente doente...,
Daí a exortação de Jesus e de onde se origina a cura em nós: "tira primeiramente a trave que está posta em teu olho e depois verá claramente o cisco que impede o teu irmão de enxergar". Queremos sempre atribuir a culpa e a debilidade no amar ao outro e nunca a nós..., e este alguém é sempre a pessoa que está mais próxima de nós, seja: o irmão, a esposa, o filho, o pastor, a igreja, o grupo religioso...,
É verdade que sofremos e nos machucamos com os pecados de outras pessoas contra nós, sim, isto é um fato...,
Entretanto, sofremos muito mais em relação aos nossos pecados não identificados e não reconhecidos que guardamos no interior de nosso coração.
O exemplo de Jó revele talvez um espírito de cobrança oculto no exercício e esforço de se cumprir o padrão moral exigido não por Deus, mas pelas produções doentias da religião que existe para se auto-justificar como DEUS sobre o homem!
Depois, lá na frente Jó descobre que para servir, amar e conhecer a Deus seria algo mais interessante e mais profundo do que: dogmas sem espírito e rituais sem vida...,
Jó percebe que amar a Deus acima de todas as coisas nada mais era que se lançar ao seu cuidado e amor no caminho...,
Possuir uma consciência pacificada com Deus e consigo mesmo. Saber de que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus, mesmo que o BEM aparente ser um mal, mas que culminará em um "mal-para-o-bem" de quem ama e é amado por Deus.
-- Desde cedo aprendi que viver obedecendo no amor de/a Deus incluía, guardar não a Bíblia decorada, mas a Sua Palavra impregnada no coração; é ter prazer em Sua lei noite e dia e nela meditar silenciosamente; é carregar no peito uma gratidão por tudo o que Deus fez, faz e fará; é ser livre dos juízos dos homens; dos meus e do Diabo; é nutrir uma comunhão com o Espírito e ser-pertencer a Cristo até as pontas mais profundas das minhas vísceras....,
O profeta disse que Jesus APRENDEU a ser obediente a Deus em tudo através do sofrimento..., e foi obediente até na morte de cruz.
Não entenderemos totalmente os desígnios de Deus enquanto estivermos neste corpo e neste mundo caótico, ambíguo, degenerado e perdido! Conquanto seja através da Pessoa do Espírito Santo que Deus age e interage neste plano natural e do imediato..., ora nos orientando..., ora nos confortando..., guiando-nos pelos caminhos estreitos e difíceis do nosso existir. E nada tenha de fato a vê com a teologia moral da causa e do efeito gospel, ninguém sabe nada de nada nesta existência, só existem conjecturas humanas e nada mais...
O próprio Jó convivia com um drama que lhe fazia vê que ao seu redor havia pessoas boníssimas, mas que comiam o pão que o diabo amassou, e de outro lado ele via gente da pior estirpe possível vivendo uma vida maravilhosa e arregaladamente, estes indivíduos conseguiram se desviar e fazer manobras para se livrarem de todos os obstáculos e desgraças da vida, e só se encontrarão com o juízo de Deus na eternidade.
D. Helder Câmara tem um belo pensamento que diz: "Há criaturas que são como a cana, mesmo postas na moenda, esmagadas de todo, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura...". Assim foi com Jó e assim deveria ser com o cristão que vive com tamanha gratidão a Deus...,
Muitos interpretam "o carregar a cruz" como um peso de ter que suportar um irmão problemático que nunca muda de conduta, ou expressa qualquer motivo de transformação...,
Outros atribuem a sua cruz a sua família; mulher que sofre de esquizofrenia, um filho que nasceu com uma enfermidade incurável, um pai que está morrendo aos poucos, o emprego, o patrão, a profissão, o salário que ganha; a casa que mora, as escolha que fizera na juventude, o espinho na carne, o colega NE trabalho, o vizinho do lado, etc.
Todavia o que o Senhor Jesus nos revela claramente é que a nossa cruz somos exatamente NÓS MESMOS, i.e., são: a nossa natureza caída; os conflitos de uma alma degenerada e obscura; nuances de uma alma sedenta por Deus; uma alma insaciável pela presença do amor, do prazer em viver, de regozijo espiritual, paz espiritual e perene, felicidade plena e de eternidade concreta..., A vida abundante que o Senhor promete aos remidos quando estes alcançarem o Reino dos céus, nas mansões celestiais junto ao Pai da luzes.
A cruz do Evangelho existencial m amor é diferente da cruz do cristianismo histórico, posto que a cruz do cristianismo histórico produza no outro o estigma da religião separatista e exclusivista..., Já a cruz do Evangelho existencial em amor, exige uma renúncia própria de nossos anseios críticos e casuais e nos direciona aos anseios cruciais, onde só podem ser obtidos através do reconhecimento de nossa sede pela gloriosa presença de Deus (doxa).
Semelhantemente a Jó todos nós lá no fundo tentamos atribuir a Deus todos os nossos problemas sofrimentos indesejados – isto talvez nos revele um "espírito de cobrança" guardado pó debaixo da superfície da alma.
Deus é soberano e Senhor – Deveríamos entender isso, e isto já nos bastaria para aquietarmos a alma...,
Todavia amando no seu amor entendemos a necessidade que temos de entender a Deus e o Que Ele de fato representa para nós criaturas. O nosso amor para com Ele não é nada comparado com a grandiosidade de Seu amor para conosco.
Sim! O Seu amor nos constrange profundamente e compreendemos nisso, que não somos consumidos pela facilidade de renovo de suas misericórdias dia após dia...
Portanto que fique discernido como principio espiritual mais elevado que se possa ter com Deus: O amor a Deus nos faz pessoas fortemente espirituais. E se viver-vivendo-amando no amor de Deus conheceremos a Deus e quem Ele é, e não apenas conheceremos o que Ele fará por nós, pois, Deus é AMOR!
E porque Ele é amor que ama a todos, Ele repreende a quem ama. Então meu irmão (ã) se está sendo provado (a) não desamine, mas persevera Nele. Confie em Seu poder e amor que não sofre variações e nem mudanças de estado.
O Evangelho de Cristo consiste em uma mudança de DENTRO PARA FORA...,
Quando evangelho passa a ser secundário, sem respostas, sem espírito, sem mensagem, sem saúde, sem cura, sem poder, sem salvação e sem revelação para quem ouve e crer. Creiam já se transformou em engano in-substancial para a alma. Ele deixou de ser o poder para salvação de todo aquele que nele CRER.
E daí em diante o que ocorre é a liquefez da alma...,
Quando expulsamos o pecado do nosso homem interior é que descobrimos que a necessidade de satisfazer os nossos desejos cruciais está em primeiro plano na vida de um cristão sincero que busca amar a Deus.
Só então quando correspondido ao amor recíproco, Deus estabelece o Seu reino em nosso interior e o nosso coração TRANSFORMA-SE, como num majestoso trono de Deus, cujo prazer do homem agora é ter comunhão e um relacionamento estreito com o Senhor.
É preciso lembrar de que Deus é Espírito?
É necessário afirmar de que somos seres perfeitamente imperfeitos?
E que doidamente como carnais desajustados procuramos pastos verdejantes e águas tranqüilas..., sedentos como a corsa pelas águas correntes para se deliciar..., Entretanto nos deparamos com um paradoxo: É-nos outorgado um lampejo da Graça para nos fazer compreender os desígnios e os pensamentos de Deus [mente de Cristo].
Portanto agora Cristo passa a ter o controle sobre o homem-ovelha nascido de Deus para brilhar feito astro no Mundo.
Se nos identificarmos como seres carentes e limitados por um poder superior, então compreenderemos o significado de haver um Deus de Amor infinito preocupado com a raça humana caída de seu estado original e perfeito.
Conhecer Jesus é tudo 19/10/2002.
Mano Serafim