quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

“Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos”


O que é o homem? 
É um animal racional. E que é um animal? É um ser vivo. Mas o que é ser vivo? É...
Teoricamente, esta cadeia é infinita, ou seja, definir algo é relacioná-lo a outras coisas e essas sucessivamente a outras e a outras em um regresso ao infnito.
Mas se é assim, como podemos falar de algo determinado, se nunca chegamos a saber o que é exatamente aquilo de que estamos falando?
...[...]...
O que é um caminho sobremodo excelente? 

É que Deus em Sua infinita sabedoria,  nos coloca no mesmo chão da discussão e que se torna invariavelmente impossível a idéia de que o homem seja o sol do universo animal e que as demais criaturas giram em torno dele. O homem pode estar nu(m) grau elevado dos demais seres vivos deste planeta, porém, isso não lhe cabe no direito de  pré-determinar o  curso das coisas que regem a existência.
Ora, e para evitar esse regresso ao infnito, podemos recorrer a um círculo vicioso, como fazem os matemáticos na definição de ponto e reta quando eles definem a reta como a menor distância entre dois pontos, e definem o ponto como a interseção de duas retas. Assim, a definição de reta necessita da definição de ponto, e a do ponto necessita da definição da reta, o que encerra a cadeia definicional.

Portanto, é pura burrice e insensatez tentar nivelar a glória de Deus [Imagem perceptiva do Supremo] em amor ao conhecimento empirico que diviniza o saber humano.
Outra maneira seria definir um conceito como primitivo, tal qual as pessoas fazem com o conceito de “verdade”, relativizando-a na modernidade.
Com filosofia ou sem filosofia, na prática, geralmente o que ocorre é que paramos em algum lugar (ponto) de definição, e nos “damos por satisfeitos”.
Sim, paramos em algum lugar em que estamos dispostos a não mais perguntar e assumimos que sabemos o que algo quer dizer por considerá-lo, por assim dizer, evidente, óbvio, intuitivo ou ostensivo. Este último é o que mais preservamos quanto precisamos para nos autojustificar neste batente da lineridade das razões indefinidas...
Ora, para que a linguagem faça algum sentido, temos que pelo menos assumir um pano-de-fundo que consideramos coletivamente como consensual e para que, a partir daí, sigamos em nossa tosca cadeia de definições. Assim serve o homem ao seu deus interior humanizado dados aos seus caprichos socráticos "conhece-te a ti mesmo" -, que põe o Homem na procura das verdades universais que são o caminho para a prática do bem e da virtude.

Assim, eu como homem[interior] de minhas própias reflexões e que de mim originam-se outros conceitos perceptiveis ao que se possa saber ou conhecer nesta caminhada como prólogo da existência, necessito exaustivamente de um “aterramento” para que meus conceitos se tornem intelegíveis, e  não obstante, gestados pela filosofia moderna, como Fenomologia, a Analitica de Linguagem, o Pragmatismo, o Historicismo -, são algumas verdades tomadas como evidentes e sobre as quais se pretende construir um modelo capaz de facilitar nosso entendimento do [quanto] ser humano.
E onde entra a Teologia do filosofo Paulo de Tarso?
“Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou” (Rm.1.19).
E o que é maravilhoso é que no Evangelho todos se encontram debaixo da mesma nuvem, porém, uns com muitas coisas resolvidas na sua vida e outros irresolutos, entretanto, todos juntos e relativamente em condições espirituais diferentes, e é extraordinário saber disso, porque a Graça sem igual é quem nos une, apesar de tantas diferenças subjetivas...
Nesta carta aos romanos Paulo apresenta um Deus pouco filosófico e mais presente ante a percepção de quem O discerne “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis” (Rm.1.20).Se  tornaria de fato tão instintivo para o homem uma aceitação sem formas de um Deus [ou um Deus sem as formas do pensar antropológico...] mas que aberto conforme as adaptabilidades da vida, se formou no interior do homem?
Ora, o que de Deus se possa saber e compreender já é o bastante para se crer que além do universo do pensar filosófico dos pré-conceitos já pré-concebidos, a divindade se mantém ainda no mesmo pólo primevo da revelação!

E aí é que habita a sensatez de qualquer loucura!
Posto que o Evangelho seja a verdadeira loucura dos sábios sensatos!
Não de forma primitiva como o homem via a Deus e lia a sua própia existência. Porque Deus permanece o mesmo , mesmo o homem evoluindo no pensar sobre Deus...,
Quando o homem procura na ciência da hermenêutica o conhecer divino, e se abre para a interpretação da vida como ponto pivotal em Jesus Cristo, as demais definições se dissolvem diante do peso esmagador do absoluto Ser que é.
Aí os "gregos helenistas" novamente exclamarão sabia-mente:"Queremos conhecer este homem"...
Conquanto, eu diga: Eu conheço este Homem! Embora necessite urgentemente deste esfacelamento idiossincrático, posto que ele faz muito bem para a minha espiritualidade petrificada.
Eu disse que eu mesmo precisaria desta nuance espiritual, porém, esteja aberta para todos!

Mano Serafim