quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Haja Cruz!


Na carta[ou livro] aos Hebreus, quando a lemos, tudo parece se entender como figuras de um futuro longínquo, mas que fora do tempo e do espaço apresenta ser antes de mesmo acontecer na História como factual em relação ao que se cria acontecer no A.T., e mais, um vislumbre para além de um relato histórico.
A relação entre o ato e o pensamento da Graça de Deus perfaz o acontecimento de que ANTES que tudo fossem gerado e criado no Universo já visto, Deus determinara que já o fosse, ou seja: é-ERA...,
Desta forma a Graça se revela como uma ação invisível e incognoscível a mente humana – a frase do autor de hebreus: O Cordeiro que foi morto antes da criação do mundo”, revela a grande significância de haver um Sumo Sacerdote impecável, porém, humano e sujeito as mesmas falências existenciais dos outros sacerdotes da antiga aliança [movido pelas mesmas paixões do mortais].
Porque somente desta maneira, i.e., Encarnado, Deus poderia se tornar cognoscível ao homem – carne se entendendo com carne!
O que implica é que se Deus não se transformasse em gente, o contato do infinito com o finito e o temporal com o a-temporal jamais poderiam existir como redenção de toda uma Criação caída (corrompida) de seu estado original [fenômeno histórico].
Ora, o que para o homem seria apenas uma ficção tornou-se verdade pela possibilidade de haver um contato, uma conexão com os dois mundos, posto que a idéia da Cruz ter vindo primeiro do que tudo e as demais coisas existentes, corrobora com o perfeito Amor dAquele que traz de volta toda a Criação para Si como que jamais de Si havia se alienado [domínio, força e poder]...,
 A necessidade de um Sacerdote sublime que mediasse de forma eficaz à condição inglória humana[destituída da glória de Deus] diante de Deus se corporificou em Jesus Cristo [homem], cuja figura alienígena de Melquisedeque descortina uma genealogia sem a genealogia; uma linhagem sacerdotal sem a linhagem sacerdotal Levítica; uma ascendência humana sem a ascendência adâmica, aliás, este é o protótipo do segundo Adão, e no entendimento de Paulo, o Homem Perfeito Vivificado pela a-temporalidade..., Conquanto uma figura “mítica” a quem o próprio pai da fé, Abraão se lançou aos seus pés e deu os dízimos de tudo [Melquisedeque]!
E aqui em Hebreus ele é mencionado como Alguém que aparece fora do tempo, mas Senhor de todas as eras, o qual irrompe pela cortina do tempo e se apresenta, ora como o Cordeiro de Deus que ANIQUILA o pecado do Mundo [Auto-existente mesmo sem ainda haver os mundos]; como disse João Batista ás margens do rio Jordão: "Antes de mim Ele já existia". Ele quem? "O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo"...,
Ora se revela como o Sumo Sacerdote mais sublime que os céus, mas que no Livro da Vida já estava Escrito a respeito dEle, como A Palavra Profética de Deus para humanidade.
E o que é mais fascinante, e que também põe as minhas entranhas em total suspense: O Cordeiro discernido por João, Pedro e Paulo era o mesmo Cordeiro que permanece sentado no Trono ao lado de Deus (Apocalipse), e sempre será o Cordeiro eterno de Deus. A Ele foi dado o poder e o direito de desatar os sete selos -, em outras palavras se compreende que: O Cordeiro é, era e sempre será!
Na visão apocaliptica de João ninguém foi achado no Céu e na terra digno de abrir o Livro do Cordeiro...,
Portanto, na mesma toada eu reverbero pela fé que em mim habita : Antes de ser dito: “Haja Luz” fora dito: “Haja Cruz!”
A Cruz e o Cordeiro são dois símbolos significantes pelos quais Deus criou e reconciliou o mundo em Si mesmo. Deus criou o Mundo já reconciliado pelo sacrificio do Cordeiro que foi imolado ANTES da criação e ação de qualquer força, energia e vida!
É o que penso e creio na medida que a Graça de Deus se manifesta nesta vida e nas existências, e de igual modo se instalou na minha alma. No meu ver, sem este entendimento sou levianamente tentado a discordar com a Teologia cristã que postula que a Redenção vem depois da criação, ou seja, somos todos um rebanho de hamsters desalmados num imenso laboratório de cobaias existenciais.
E se caso fosse necessário canonizar tal presunção humana em relação ao "pensamento" divino , de antemão se diria que o Criador já começou a sua invenção errando, pois, nada é tão semelhante do que coser retalho de pano novo em vestido velho! 
Me perdoem em nome de minha ignorância espiritual, mas para mim a Graça está presente antes de qualquer pensamento, gesto ou atitude de bondade ou maldade (como assim a definimos), e de qualquer criatura que aconselhe ao Eterno receitando uma bula para o mesmo...,
E é claro, a Redenção como Graça de Deus ANTES de qualquer ato de[pecado ou de justiça], é a Matriarca da Criação, aliás de todas as criações!
Seria tão difícil acreditar que Deus já criou redimindo o Universo?
Pense nisso!
 Mano Serafim