quarta-feira, 16 de março de 2011

Caça ou caçador...


Caçador de mim...
(Milton Nascimento)
Por tanto amor, por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz
Eu, caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu, caçador de mim
Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim
Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim
....
Uma analogia idiossincrática com a canção “caçador de mim”
Para quem assim como eu possui um “espinho” na carne!
Ás vezes (eu) a mim me pergunto:

Onde foi que eu me perdi para que eu precise procurar por mim mesmo?; ou o que posso entender sobre mata escura..., e que armadilhas existem nessa busca do ser humano por si mesmo?????
[...]
Sou sempre tentado a enveredar num arquétipo judaico-cristão de Adão e Eva, que se perderam, se esconderam e foram expulsos do jardim das delicias existenciais (a minha alma imagina isso surreal-mente)...,
Seria factual a fala teológica que implica no afastamento de Deus, a razão pela qual todo ser humano busca se encontrar?
Será que o encontro da pessoa consigo não  deveria ser precedido pelo encontro com o divino?
Não seria verdade que a salvação de que tanto se fala é uma dupla reconciliação, da pessoa com Deus e consigo, e que uma não existe sem a outra?
Será que mata escura é o oposto de jardim?
Será que não acreditamos mesmo que não existem gente boa e gente ruim, e que todo mundo é, ao mesmo tempo, manso ou feroz, doce ou atroz?
Na minha[nossa] lucidez em espírito com o Espírito encontramos uma resposta que invade e acalenta as [nossas] minhas ambiguidades existenciais,
Ou seja:
O encontro com o divino reconcilia essas contrariedades interiores que fazem de nós caça e caçador?
Aliás, não seria  o divino em nós o grande caçador?
Ou o divino é a caça?.

Nele, que sai á caça do caçador homem, e nisso sou encontrado por Ele, como presa Sua.


Fonte: Este artigo é uma adpatação do texto extraído do livro "Um nova Espiritualidade" (Ed René Kivitz).

Mano Serafim