quarta-feira, 27 de abril de 2011

O Deus da [dança] que permite o Pathos e que possui o Ethos do Amor...



O dançar é privilégio exclusivo da vida, e um dom de participação consciente nos seres hominais. Indubitavelmente, o viver de um homem não é uma dança (e nem poderia ser); o viver de um homem é a conjunção de seu verbo: dançar...,
O [ser animal racional] tem problemas, perdeu o compasso e melodia...
O caso é que ele não dança, ele só movimenta obsessivamente seu corpo e seus conceitos sem poder sobreviver fora de sua gaiola com barras de ouro (ou de aço, tanto faz), mas sempre normativas para satisfazer os fatores de poder, posse e prazer de seu phatos.
No Ethos, fora dessas gaiolas, se torna possível dançar: fora da gaiola está o coração daqueles que, por serem desconhecidos, foram temidos, quando em verdade eles tão simplesmente são os amantes capazes de dançar e de ensinar a dançar: Só para estes, no principio era o verbo...,
No principio era o Verbo e o verbo era o verbo amar: Então... A criação aconteceu não porque deveria, mas porque o Deus que possui o Ethos do amor desejou, e assim aconteceu...,
O principio não acabou... Apenas, acaba de recomeçar agora e neste instante.
O Verbo é sempre o verbo amar pela espontaneidade da graça de sua conjugação!
Posto que, e segundo o Evangelho tudo é Graça!
Esta é a Ética deles: Amar toda a criação que mesmo antes que algo viesse a existir, o Seu amor já havia vibrado no cosmos da inexistência, aliás, nenhuma palavra de poder fora determinada senão o vibrar de Amor sobre a face da águas -, Saber de que o invisível é também o real, é acreditar absolutamente que o Amor é a única razão de todas as existências...,
O assujeitamento do homem que se perdeu no caminho da sua própria existência o faz padecer contumaz-mente do mesmo mal que lhe aprisiona a alma passionalmente...,
E o que sabe o homem sem o diapasão da melodia que orquestra a vida?
Ele sofre o claustro de habitar na gaiola e mesmo que um dia esta gaiola se abra e o ponha em liberdade, ele ainda se sentirá engaiolado pela fixação psicológica de anos a fio no sarcófago que lhe trancafiava a alma.
-- Eis o segredo de quem espera e descansa na obra de Deus, este dança conforme a musica da vida em amor pelo renovo de cada dia...,
Do mal diário o próprio dia já se preocupa – “Não andeis ansiosos por coisa alguma, basta o mal de cada dia “- disse: Jesus.
Portanto, Senhor permita-me então expressar a gratidão que devoto a Ti no compasso da melodia do evangelho n’alma.
Nunca e jamais será um desejo meu, estar sem o hálito de Teu Espírito e da tua presença me esquivar.
Peço-te, não me lances fora de teu zunido. Envia o teu Espírito e esfacela-me e renova-me na pessoa que desejas que eu venha ser...
Ora, não sou eu um homem de barro e que trinca? Não sou eu um dançarino que procura sentido em te adorar conforme o som das muitas águas?
Doravante meus olhos se abrirão e de imediato passarei a entender o que eu antes não compreendia!
Agora posso te ver e temer; tremer e crer!
Todavia descanso e me aproprio de uma doce verdade: Estarei para sempre diante de um Deus de amor onde poderei dançar e pular de alegria na congregação dos santos.
A Ele a Glória, o louvor, o poder e o domínio sempiterno,
 Amém e amém!
Mano Serafim