quinta-feira, 5 de maio de 2011

O tempo do Deus eterno se chama HOJE...


O tempo do Deus eterno se chama HOJE (o presente)...
“Cada qual examine seus próprios pensamentos, e os encontrará todos ocupados com o passado e com o futuro. Quase não pensamos no presente; e, quando pensamos, é apenas a fim de buscar nele luzes para preparar o futuro. [...] Assim, nunca vivemos, só ficamos à espera de viver; e sempre nos preparando para ser felizes, é inevitável que jamais o sejamos.”
(Blaise Pascal).
Certa vez Walt Whitman disse: "O futuro é tão incerto como o presente."
Presumo, portanto, que o tempo é o presente contínuo!?
O tempo é, simultaneamente, enigma e evidência: é possível experimentá-lo, mas não se pode apreendê-lo, pois está sempre fugindo.
A propósito, Santo Agostinho declarava: “Se ninguém me pergunta, eu sei; mas se me perguntam e eu quiser explicar, então já não sei”.
O tempo é alma transitória e fugidia que não pode parar. Sem ele, não haverá o presente. Na sua ausência, como poderiam existir os seres e as coisas? Veja a fala de Kant: “O tempo é a condição a priori de todos os fenômenos”; vale dizer que é condição de tudo.
Ora, o tempo supõe um antes e um depois, um infinito ou uma eternidade. Por tal razão, intui-se de que tudo se aniquila tudo perece, tudo passa. Só o mundo fica. Só o tempo dura, porque permanece e devora tudo. Este é o chronos [o tempo na linearidade dos homens e que não é tempo permanente ante a eternidade]...,
Ser é ser no tempo. Mas o que é o tempo? A sucessão do passado, do presente e do futuro? E na eternidade não há tempo!
Sim, na eternidade o passado não é mais. O futuro ainda não é. Só o presente é a realidade, em pleno movimento. Tempo é uma continuidade e um medidor entre ficções: o futuro e o passado, porém toda verdade é o presente
Daí o fato de Jesus ter afirmado “Eu Sou”-, ele afirmou que já era antes de tudo o que veio a ser no tempo e no espaço que chamam passado, presente e futuro, portanto Jesus seja Deus, e Deus em Jesus é.
Na História se entende como Aquele que saiu da sua atemporalidade (eternidade de sua auto-existência) e se Encarnou no tempo, cuja temporalidade o fez Senhor e Salvador dos mortais debaixo deste sol...!
E o que se ver em razão do tempo, digo, no que tange a Sua Encarnação?
O presente, no entanto, funde-se no passado, sem desaparecer. Todavia, o passado não é o tempo. Como poderia ser o passado, se ele permanece? De outro lado, o futuro ainda não é – o porvir ainda inexiste. Não pertence ao mundo real. Como o tempo seria o porvir se está presente sempre?
Embora passe o tempo, não é passado. Só o presente passa, muda; porém, só lhe é permitido mudar com a condição de permanecer, cria-se então um paradoxo diante do evangelho eterno - “céus e terra passarão”.
Quem já viveu um só momento que não fosse o presente?
Um só dia que não fosse o presente? Tudo pode cessar, mas o presente não cessa, continua e persiste na infinitude da sua existência.
Os seres (criaturas) é que são finitos, ou seja, as formas humanas é que são impermanentes; o tempo, não. Ele não cessa de manter. É de tal modo que tempo e eternidade confundem-se. O passado não é e também o futuro. Logo, só o presente é o tempo real. Este é o kairós de Deus - seu tempo, se é que podemos determinar um tempo para Aquele que atemporal o é.
Está Escrito: “Deus é Espírito”.
Conquanto meu caro leitor, o tempo na concepção humana, é mera duração (rsrsrs). É muito mais uma dimensão da consciência, e não do Cosmos como um todo; um dado do sujeito, mais do que objeto.
Na verdade [creia] o presente não passa de um instante sem duração, que separa o passado do porvir, e esses não são o tempo. Apenas a consciência retém o que já foi e projeta o que ainda não é.
Contudo, “viver no presente não é apagar a memória”. No entanto, quem poderia viver no passado ou no futuro senão Aquele que se intitulou ante a memória do Patriarca da fé Abraão - “Antes de Abraão Eu Sou!”?
Saiba de uma coisa, tudo, do ponto de vista material, só é possível no presente.
Sentimos e experimentamos que somos eternos [algo que para muitos seja visceral]. Porém, isso não significa que não morremos nem que não somos, mas que permanecemos no tempo que se chama, HOJE!
Significa que a morte não nos tomará nada (já que só nos tomará o futuro, que não é)?!
Efetivamente, o tempo não nos toma nada (já que o presente é TUDO e segundo o Evangelho a nossa salvação é JÁ!). Enfim, que absurdo espera a eternidade – pois já estamos nela!
Então, tem vida eterna quem vive no presente? Sendo assim, todos são salvos? E a eternidade é uma interminável presença da realidade?
O tempo não é dado ao absoluto: varia em função da velocidade.
Finalmente, a vida não está hibernada no futuro nem encarcerada no passado. Está aqui e agora.
Com efeito, é preciso viver o presente, o tempo presente, a vida presente. O que eventualmente acontecerá depois é do domínio espiritual (diriam os filósofos, metafísico) e, portanto incerto.
Viver no presente é uma escolha racional. É um viver na verdade e na eternidade do agora, e eu não vejo outro estilo de vida senão o Evangelho!
O tempo foge e cura todos os males, deixando marcas nos homens, em seu eterno e enigmático retorno.
Sua salvação depende de sua fé, mesmo que além e que incerta seja a atemporalidade, porém, O Verdade promete (u): “Quem crer em mim AINDA que esteja morto viverá eternamente!”- Jesus Cristo.
Nele – Yeshua Hamashia,
Mano Serafim