sexta-feira, 17 de junho de 2011

Bem-aventuradas sejam as minhas (suas) raizes...


                                           Por Mano serafim                           
Final de outono com inicio de inverno, humm, sopa com torradas, chocolate quentinho e debaixo do edredom, uma combinação que me põe em estado permanente de hibernação (risos).
Conquanto, coisa boa mesmo seja esse mês de Junho, festas juninas no meu Nordeste. Ao som do veio Lua de Exu-Pe, o rei do Baião...,
Frio de lascar o cabra bão, no esquentar de uma fogueira de pau de peroba ou de pau de jacarandá – antigamente lá na casa de meus pais era assim, a gente reunia uns paus para a fogueira, e certa feita no S. João queimamos uma cama velha de jacarandá!
Muitos fogos para tocar.... Meu velho papai trazia um saco grande contendo: bombas, chuvinhas, morteiros, cobrinhas, vulcões, etc. A gente pequeno se divertia sem se machucar e sem queimar a ninguém da vizinhança.
Lembro-me bem que na nossa rua que morávamos ficava toda ornamentada a caráter, cheia de fogueiras e bandeirolas com balões e muita palha de coqueiros...,
Cresci, e me tornei gente, ou melhor, homem (risos). Converti-me, casei e construi família.
Mas e daí?
É que iludido pela religião que petrifica o ser deixei de ser feliz dentro de minhas raízes nordestinas, me converti a religião protestante e de maneira meio que inconsciente permiti que outra cultura que não fosse a minha me roubasse as tetas onde mamei desde tenra idade. 
Tudo em nome de um Jesus menos UNIVERSAL, e que era somente um judeu ( mas acho que burro mesmo fui eu que não cri desde o inicio no que desconfiavam os crentes de Beréia no N. T.)!
Neguei-me e me perdi cultural-MENTE por vários anos, em razão de estar não agradando a Deus, e por outro lado fazendo de forma incoerente com o Evangelho o que a igreja local ordenava...
Mas a minha alma cansou dos rótulos [foi ai que me achei novamente] e quase que surtei como a dissolução da maioria dos pró-testantes, os emblemas, as insígnias, a fórmulas prontinhas, o estereótipo judeu-evangélico, a tradição judaica impetrada sorrateiramente nas doutrinas cristãs, as bravatas gospel do momento, e com toda essa cultura tupiniquim!
Ufa! Cansei de verdade, e terminei reiniciando de volta as minhas raízes e hoje bem  mais crente e do evangelho do que jamais!
Se quiserem saber, o evangelho para mim hoje é mais existencial do que antes, sim, quando eu me sentia um boneco manipulado e hipnotizado pelo coletivo religioso inconsciente da galera, por esta indústria colossal de bonecogélicos de agora...
Estes estão por ai espalhados nas vitrines dos shoppings igrejas centers da vida!
Mas hoje não tô querendo falar da crentaida não (brincadeiras)...meu foco é outro sô, se bem que já tem gente dizendo que estou des-viado. Confesso  que estou SIM. DES-igrejado mas não DES-viado!(risos).
Atualmente e de bem com a vida sigo em vento e popa, sigo em paz comigo mesmo, com Deus, família e amigos... Tranquilo e pacificado a ponto de ser impelido pela musicalidade do conterrâneo (Luiz Gonzaga) de meu velho pai, meu saudoso velho que no dia 24/06/11 fará 02 anos que ele se foi dentre nós...,
Acordei com saudades daquele [São João] entre família, na comilança dos bolos de Mainha: bolo de aipim, bolo de puba e o delicioso bolo de tapioca (aquele que somente ela sabe a receita)...
E no baixar da queima dos paus da fogueira vem o milho assado na brasa, sem se esquecer de comer muito amendoim cozido inté as tripas doer! (risos).
E no outro dia bem cedinho no café da manhã, a canjiquinha que Mainha se doou tanto para debulhar, moer e triturar o milho verde-doce pra dá tempo de cozinhar antes da familharada assim acordasse!
É, hoje eu acordei assim,  com essa nostalgia, uma boa nostalgia sô!
Eu não gosto de dançar, aliás, nunca fui fã de dança qualquer..., mas ao som do arrasta pé, inté que me deu uma vontade sô de ralar coxa-com-coxa com a minha MULUNGU (musicalidade de Luiz Gonzaga "Uma pra mim outra pra tú"). Calma, é com a minha matuta esposa! (risos)
Mas, hoje e tão logo cedo um cabra bão daqueles veio me dizer que na fazenda de seu papai vai ter um forró entre a família ao som de Luiz Gonzaga!
Confesso fiquei doido para ir causo ele me convidasse!
Mas ele mesmo me disse que não iria mais porque decidiu não contrariar os seus “princípios”. 
E como eu sou curioso perguntei para ele quais seriam estes "princípios" que porventura estariam sendo “contrariados”?
E ele disse-me: “A minha igreja evangélica não permite festejar a morte de João batista”.
Perguntei para ele se o evangelho de Jesus Cristo proibia que ele festejasse o S. João como forma cultural e regional? 
Ele não soube me responder.
Apenas o disse que o Jesus da Bíblia era um JUDEU e amava as festas culturais de seu povo (tabernáculos, pentecostes e das prímicias), e que Ele foi o JUDEU dos judeus, o mais bão de todos,  inté na sua morte. Ele nunca negou as suas raízes... , inté nas sinagogas aos sábados ele ia ouvir e ler a Torah..., nasceu debaixo da Lei de Moisés, foi circuncidado, se pronunciou ao ministério depois dos 30 anos (idade legal do inicio rabínico em Israel)...,E tem mais, Ele não tomou licor, mas bebeu bastante vinho sô - não é atoa que ele foi apelidado nas suas redondezas de "beberrão e comilão".
E pru que eu não posso ser um brasileiro multi-étnico e simplesmente um NORDESTINO que creu/crer no Evangelho? Ou seja, manter as minhas raízes naturais e culturais sem negar a minha fé Nele?
Besteira sô!
Decerto que o Próprio Mestre reprovaria se eu negasse a minha essência regional e aderisse a sua religião cultural ou tal cultura judaica deste evangelho multifacetado vigente...
Todavia a sua proposta seja outra....,
Seja você mesmo sem a negação do que você seja e sempre foi, mas jamais deseje ser o mesmo!
Portanto aos que ouvidos sensíveis possuem : "Bem-aventuradas sejam as minhas (suas)raízes"!
Nele, - com ou sem festas (juninas e judaicas), posto que tudo há de passar, porém, quem Nele esteja se eternizará festivamente.
Mano Serafim