sexta-feira, 6 de abril de 2012

Vai que o Amor me desnude...

                                   Por Mano Serafim

Em tese, o que vem do amor e é amor é propriedade do outro... E não minha!
O amor coincide numa viajem que parte de mim mesmo ao caminho do des-conhecido a se chegar a qualquer fronteira.
Sim, o caminho ao amor nos reserva surpresas e vivências  inevitáveis!
 -- Dias virão onde se poderão sentir saudades alheias as minhas palavras não ditas, porém, ditas: Eu te amo..., eu te desejo..., eu te quero somente para mim... E quando isso acontecer [você] então rirá de satisfação, por assim se ter preenchido do vazio sem tais palavras..., e quem sabe, de saudades... Saudades que agora não são mais saudades, porém, um pensamento da [minha e sua] presença marcante.
Escrito isso, então tu oh mulher feita, não poderás afirmar  de que te amo? Ou mesmo que  a des-amo?
O amor não pertence nem a mim e nem a ti... O amor é o objeto de adoração que se molda a alma dos amantes, não é propriedade nem minha e nem de ninguém...
O Amor é absoluto, é o elo-laço-ente que nos embaraça o tempo todo, ele vive a entrelaçar os amantes em ninhos de paixões recíprocas e ao probo recinto em única união dos seres inacabados, porém, salvos do holocausto das indiferenças que dilaceram o ser-de-amantes-serem...,
Caçados pelo sublime desejo de si pra si e entre si (o amor precedido de paixão), ambos se embriagam de paixão, cuja “droga” se torna letal para a alma ambivalente entre o amor e o ódio..., o amor que era amor não era pra se transformar em rancor..., E muito menos em dor!
Aliás, sem o postumeiro vaticinador apaixonado cupido..., deveria o mandamento aos entes que [SE] amam no amor dos amantes sensatos se inebriarem dos sabores das noites em recamaras de juramentos, onde da essência da cumplicidade do verdadeiro Amor, nascerem os amores eternais...!
O silêncio das palavras condenam também os ino-c(i)entes enquanto ab-solve o culpa-do por não amar como vínculo da inter-rela-ação.
Logo, o amar nos despe de tudo quanto se manifesta como posse-possessão e rejeição em rela-ação ao Outro...,
Todavia, nesta via, e em toda-via do amor, ninguém é de ninguém, a liberdade grita mais alto retubante-mente, a certeza será/haverá/existirá apenas a do Encontro onde dois seres individuais que se identi-e-ficam e se assemelham contendo todas as suas semelhantes diferenças que faculta quanto pessoa ao UNO.
Enfim, de um punhado de palavras se monta um diário particular (isso se torna bastante existencial pra mim em particular), e de uma frase simples se adere ao fato de se amar com livre e puro Amor em entrega sem os resgates existenciais de um e do outro...Justo que ambos possuam: direitos, virtudes e desejos próprios, ou seja, vida individual.
Poderia você assinalar isso por mim?
Sendo assim, a Flor de meu secreto jardim imploro apaixonada-Mente chancela em meu coração a sua imagem como uma tatuagem no aço escovado de meu ávido ser-coração amante que sou.

*Fragmento de meu Diário Existencial: "Confessionário de um Sedutor".
Mano Serafim