terça-feira, 15 de maio de 2012

As ambiguidades do existencialmente cheio

                            

O indivíduo que já conseguiu se suportar poderia ser o candidato mais indicado ao prêmio Nobel da Paz.
Você já perguntou alguma vez para a sua esposa ou para os seus filhos se eles gastariam ou não de ter que lhe suportar todos os dias?
É que mais parece que essa pergunta só insiste dentro de nós, e não pulsa no interior dos outros que nós nos relacionamos no dia-a-dia desta life.
Poderia existir um manual para tudo nesta vida né?
Inclusive para quem acordasse de mau-humor e aborrecido consigo mesmo e  revoltado com o mundo inteiro a sua volta, conquanto, sem  nenhuma causa própria.
Se na vida tudo fosse somente flores os espinhos para nada vale-riam..., mas porque existem também os espinhos na vida, as flores podem ser de certa maneira, protegidas.
E quem não possui um espinho na carne, digo: na alma?
Carl Gustav Jung disse: “Tenciono agora fazer o jogo da vida, ser receptivo a tudo que me chegar, bom e mal, sol e sombra alternando-se eternamente; e, desta forma, aceitar também minha própria natureza, com seus aspectos positivos e negativos...”Alguém descobre que não é in-feliz não por ter encontrado a [sua almejada] felicidade, mas porque conseguiu compreender de que não se pode ser in-feliz sem se saber de que/quem seja de fato infeliz!
A felicidade é um tesouro valioso que encontramos dentro de nós e não fora, lá fora...Ou mesmo que esteja imaginadamente projetada em algo(objeto) ou em alguém(uma pessoa mesmo que um ente querido vista como uma extensão de nossa própria felicidade).
Existem pessoas que são felizes mesmo com o pouco que possuem, mas existem muitas outras pessoas que mesmo possuindo o muito que tem não conseguem nem um pouco serem felizes, estes se dão ao luxo de serem os ricos miseráveis infelizes psico-sociais!
Perdão, mas eu já conheci gente muito rica, porém, extremamente miserável existencial-Mente!
A felicidade talvez consista em se encarar a realidade com amor, disciplina e com um pouco de desleixo!
Austeridade emocional é fatal, assim como também o não desvelamento de uma paixão no coração em demasia leva ao próprio suicídio! 
TESTE, PROVOQUE E CONFIRA EM SI SER UM CAMALEÃO EM MUDANÇAS PRÓPRIAS...METAMORFOSEI-SE !
Parece-me que as pessoas menos felizes ou não-felizes, por assim se dizerem/sentirem, são as que mais se cobram diante da vida em favores; elas vivem num QG paranóico  e dentro de um regimento-mental-mente medíocre que mal as permitem sorrir para a vida lá fora de suas existências – se bem que se sabe de que muitas almas estão enclausuradas em seus próprios conceitos: de felicidade, de saúde emocional e psíquica – todavia, como individuo, ele se sente um pedacinho insignificante de trash humano!
...“E se virá será quando menos se esperar da onde ninguém imagina”...,
Daí a alma desejar desca(n)so sem as desventuras e sombras sem compromissos, porém, sem sucesso. Por que as suas escolhas foram mal Escolhida – a cobrança diante do fracasso sempre vem carregada das culpas: a culpa de ser pouco perfeccionista, ou não o bastante para que tudo nunca saia/dê errado (vive com se fosse um software programável sem margem de erros ou sem nenhum erro), mas corrobore atinja o alvo do que se pinta e imagina; a culpa de ter culpa de se [autoculpar] mesmo não tendo culpa de nada que acontece na própria vida, mesmo porque, as mesmas coisas que acontecem consigo são também os mesmos acontecimentos que acontecem com os outros neste único chão das ambiguidades existenciais (mazelas). 
A culpa não é minha e nem sua,ainda que tenhamos por natureza, alguma culpa -, a culpa faz parte do mecanismo da [desobediência a Deus] pela qual nos instalou o medo, e até mesmo o medo de viver sem culpa!
Ora, a alma fragmentada vive a mercê das compensações...e a ambivalência é a sua sombra indissociável, cujos fantasmas lhe assaltam a alma serena em plena luz do dia - e de repente sem o avisar, como repentinos relâmpagos em rajadas de ventos tempestuosos emocionais - é ambíguo, mas amamos, porém, quando amamos também odiamos, sim, a raiva é o outro lado do amor, ninguém nunca te ensinou isso, e você nunca percebeu experimentando desta verdade na vida? - Claro, não desejaríamos que fosse assim,mas é fato!
Olhar a vida de dentro para fora talvez seja um tanto quanto tenebroso para alguns; entretanto, a primeira pergunta deveria ser: O que poderá ser feito para que   em mim hajam/ocorram mudanças?
-- Ninguém conseguiu mudar o eixo de nada, e nem tampouco a perspectiva de ninguém, de lá receitar uma fórmula para a felicidade, se cumprido os dez passos para se atingir o degrau máximo para a felicidade existencial, a menos que este alguém desejasse mudanças interiores a despeito de se abri mão de alguns "valores" e "mágicas".
Se ao menos soubéssemos do teor do mal que nos vem sem conhecimento prévio de nossa parte, bem saberíamos  como vencer esse mal que nos faz enxergar o dia/tempo/estação tão mal por um mal visto e des-percebido de que este mal não seria tão grande mal assim. 
O tempo como o mestre e o educador relacional nos fazem ver que tudo na vida pela via do sofrimento como do felicitamento passam...E há tempo para tudo debaixo deste sol.
Daí a minha alma gritar silenciosamente e para mim mesmo em sussurros: o meu bem querer é as vezes um desejo-de-tão-bem querer pra mim que, eu sem querer não compreendo o meu querer de estar sempre de bem comigo mesmo –, mas bem eu bem sei que não estou - o ego-í-smo não cessa dentro de mim a me querer acima de tudo o meu Bem!
"O meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer  ajudar".
Vai que deixei me perder em meio ao corre-corre da vida...E a mesma competição de que se alarga o mundo dos competidores influenciou a mim...,
Perdi o prazer do diálogo com as formiguinhas que não se cansam de ajuntar alento para as suas vidas visionando o próximo inverno...
Fugir de mim? Não consigo, pois, caça-do estou eu de mim!
Virei um preguiçoso no exercício mental de sempre me dispor enérgica-mente a pensar no bem moderno, qual foi definido como: Pensamentos positivos. Energias positivas interagem positivamente e sinergicamente nas relações com outros...sim nas construções do amor!
Petrifiquei-me por me faltar à solução que dissolva a massa e faz moldar-me não pelo sistema louco e da morte do eu, pelo qual se extinga o fogo da minha própria essência, mas pelo apelo de um coração que já não suporta mais o surreal. Cansei das falacias dos homens e do discurso filosófico...,
Antes eu lia nos livros e assistia nos filmes onde a ficção se misturava com a realidade, e era tudo emocionante e muito lindo e maravilhosa-mente fantástico.., mas hoje é fato de que a própria ficção se tornara realidade para muitos e também uma ameaça para cada realidade de ser...,
Me vi enlutado num estreito discernir onde me ofuscava entre o apreciar a pureza do belo pelo avesso do esteticamente correto á simples anarquia da simplicidade natural dos pombos...
Me flagrei que estava perdendo também a simplicidade do Evangelho n'alma!
Então se levantou a minha alma em direção da luz, da luz que atrai a alma em derrocada.
Levantei os olhos de meu entendimento e aprendi não facilmente que, da sombra de que a minha alma vivente necessitava virtualmente se chocaria numa compreensão de mim e em mim mesmo (tentei resolver a minha psicose básica entre o ser sem necessaria-mente possuir; ou de ob-ter sem realmente o ser possuído pelo ter), mas que para além de um pequeno olhar a Sua presença em mim já me basta. Aqui entra a fé!
Na minha singular existência o surreal pode se tornar palpável, basta eu desejar – daria alma e corpo as minhas fantasias num grau que elas me fariam um fetiche próprio do meu inconsciente - Um convite para se transformar num buraco negro abismal.
Então, por desejo desejei não mais suicidar-me dentro de mim, re-vi-vi em meio ao caos existencial, vociferei para minha mente-coração : O que acontece comigo acontece com milhões de pessoinhas mundão afora...Meu surto foi para a fagulha que me restava de vida...,E aos que se encontram nas exterioridades das aparências fingindo pra si possuir vida própria - mas esses de fato não vivem e se vivem,vivem das exterioridade do outros, seria mais ou menos assim: "Vão e vivam a minha vida própria,a vida que eu sempre sonhei ser vivida um dia, mas não tenho a coragem de vivê-la escandalosamente na minha vida; uma vida fantasiosa e sem mágoas, sem decepções relacionais, sem atritos, sem ranhuras, sem ressentimentos e sem as in-felicidades!".
Quando neste mesmo instante obtive a cônscio-consciência de que não poderia evitar as turbulações e os tsunamis da vida emocional, cingi-me de alegria e prazer numa excitação enorme pela Vida!
Mas que bobagem esta minha – não nasci pra ser mártir de mim mesmo – eu nasci com a convicção psicológica de ser gente, de sentir o cheiro de gente no meio da gente; de ser gente pra frente, gente igual a você, gente feliz; e que ama se sentir gente; gente boa mesmo no meio de uma mesma boa gente – a gente tem cada uma né?
“Enquanto isso não nos custa em insistir na questão do desejo de deixar se extinguir – desfiando de vez a noção na qual se crê que o inferno é aqui.”
Vou agora tomar um cafezinho e logo após escrever um texto do que eu fui..., ou melhor, do que acabei de ser. Ora, e sabe por quê?
Por que: “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia...”

Mano Serafim