quinta-feira, 18 de julho de 2013

Nasc(s)er...



“Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.” - João 3:5-7

O Evangelho é simples e de simplicidade é feito o evangelho.
E é por justamente ser tão simples que se torna muito complicado -, eu sei que o evangelho é o que descomplica toda a complexidade humana, porém, o ser discípulo de Jesus torna-se tão difícil de-se-ser seguindo-O e praticando-O, que o único critério para ser um discípulo, é simplesmente ser simples.


Posto que, invariavelmente seja muito difícil para muita gente "renunciar a tudo o que tem" e ser gente-simples como ensina o simples evangelho que tem como único mestre, Jesus Cristo.

Em dois dedos de conversa franca entre Jesus e Nicodemos. Jesus sem rodeios e mantras foi ao ponto crucial da razão humana. Ele salivou fogo e derreteu todos os blocos gélidos da religião farisaica de seu tempo, e fundamentou a “pedra angular” (pôs a si mesmo como fundamento existencial e divino para todo indivíduo que o cresse) pela qual todo prédio e casa poderiam se firmar nesta existência quanto na vida vindoura. 
A conversa com o Dr. Nicodemos acenou para novos horizontes, reabriu os olhos espirituais do pobre judeu para a verticalidade espiritual que Deus prometera aos que se arrependem pela sua repreensão acreditando e recebendo seu Filho como único Senhor e Salvador na/da vida.
Uma Boa Noticia para todos os judeus e gentios, sim, o evangelho deverá ser sempre uma boa noticia de Deus para os homens, e em todos os tempos!
A afirmação sobre o novo nascimento espiritual necessário a todo aquele que se abre para o evangelho e se lança Nele de verdade nesta vida, requer absoluta confiança na Graça de Deus recebida por intermédio de Cristo Jesus.
Na cruz, Jesus ergueu o alicerce para o céu, hasteou a bandeira da vitória fazendo uso das armas do amor (perdão, misericórdia e compaixão) perante a míope visão de todos os homens, e no final de seu ministério, Ele bradou a breve aniquilação de todo o mal e o apogeu do Reino de Deus começado a partir do interior de cada homem – Ele tinha fé nos homens. “O reino de Deus está dentro de vós” – despertemos!
Na cruz, Jesus uniu para sempre Deus à criação e destronou o império das trevas!
Foi na cruz fincada numa estação qualquer e provida pela plenitude da Graça que Deus fez as pazes com o coração amortecido dos homens. O nascer de novo abre portas para a glória em que Jesus está hoje- “Eu me glorifico neles”-. É certo que cicatrizará todas as chagas que o pecado provocou em nós. 
Sabemos que todo homem que vive no mundo um dia nasceu de sua mãe, porém, o nascer de Deus perpassa a utopia de que o homem renasce sempre e numa perspectiva linear de salvação de si mesmo em retorno cíclico a um invólucro neste mundo em cadeia de evolução entre mente e espírito. 
Oxalá Deus se todos de fato soubessem a que espírito pertence!
Jesus demoliu os pilares políticos e religiosos da perspectiva humana onde seu povo aguardava a figura de um Messias sanguinário e místico.
Ora, a confirmação de Jesus feita a Nicodemos de uma vital-necessidade de nascer do espírito é a validação de propriedade de um só dono do Cosmos, de tudo e de todos que vivem no mundo-, quer morram, quer vivam, - vivem e morrem para Ele e muitos por Ele.
Só há um novo nascimento e este nascimento só poderá ser realizado em Cristo Jesus no espírito do homem arrependido. 
Por isso que, teologicamente falando, a água simbolicamente serve para lavar/purificar o ser-homem complexo que para o lado de fora revela as suas arestas, porém, na sua íntima subjetividade suprema, o eleva a pensar-meditar-viver como quem já pertence à dimensão superior de onde sente saudades eternas a sua alma (céu). Impelindo-o desde tal instante, a trilhar por um novo caminho existencial ao processo simples do homem interior convertido para Deus. Posto que, neste indivíduo nascido de Deus habita a natureza divina junto a sua natureza terrena!
A água também possui a função de limpar,(como as palavras que os discípulos haviam ouvido e recebido de Jesus como a “SUA PALAVRA” que cura, liberta e restaura) refrescar e jorrar!
Nicodemos necessitou caminhar com os pés descalços por um caminho jamais imaginado, porém livre das cangas e da hipocrisia religiosa que se apoderara até mesmo dos sacerdotes do templo. 
A refutação de todos os “princípios” filosóficos e da religião fez com que este abismo interior se abismasse ainda mais nele. 
A necessidade existencial de um novo rumo, e de uma nova consciência interiorizada em Deus, provocou alguns desmoronamentos mentais, fundamentos racionais e falsas convicções balizadas nas obras da Lei.
Em Jesus o mundo pára, a Terra se transforma como estrada para o Senhor, o mundo reage com emoção a cada gesto, palavra e ação sua, a verdade e o amor se afloram no peito dos humanos, restringindo-se a uma só ordem: “AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO”.
Daí, todo o Universo, força, poder e tronos se convergem para Ele num só destino, a cruz. 
Nele estava toda a plenitude da divindade. Jesus é absolutamente, Deus.
Estava sobre ele tamanha autoridade sobre as almas humanas, sob o controle dEle estava o decreto para a vida ou para morte.
Nascer da água requereria arrependimento e discernimento de quem cria no seu testemunho em nome do Eterno – “Eu e o Pai somos um”... 
Era o dia da visitação do Eterno na Encarnação e pelo resto da História.
A sua esmagadora simplicidade dissolveu a presunção teológica de Nicodemos, expôs a ignorância espiritual judaica – “Esse povo me louva com seus lábios, mas os seus corações estão distantes de mim” - é o mesmo modus operandi das religiões de hoje. Tomam o seu nome para si como “poder e força” e negam-lhe impiamente a sua obre de amor.
Quando a instituição religiosa é o deus dos homens, eles com o tempo adquirem a mesma forma politicamente correta dela. O religioso perfeito é um perfeito soldadinho de papel machê.
O vento irá soprar contra ele e ele vai sucumbir em derrocada. 
Vai chegar um tempo que a alma manipulada cansa, e os hematomas irão supurar, pois, o coração não aguenta trancos e opressões por muito tempo, a alma vaza, a represa arrebenta e as cisternas rotas serão entulhadas.
Seria muito irônico se não fosse trágico e peripatético se não fosse um inferno na vida de quem se perdeu pelo caminho da salvação e não encontrou a Porta, a saber, Jesus.
O retorno a Videira consiste em dar meia volta na vida louca vivida até aqui...
Compreendendo que somente assim, estando e confiando no seu perfeito amor que poderemos caminhar juntos em fé, amor, graça e esperança com os santos.
Que Deus nos ilumine e nos guie hoje e sempre!
M Serafim 17/07/13