terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Humano, demasiadamente divino .

Por Mano Serafim


"Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar". 1 Coríntios 10:13
Divino, demasiadamente divino.
E porque não, "humano, demasiadamente humano"?!
Em Jesus as tentações des-tenta-nos (ele é a justiça de Deus sobre nós tentados). Não é como se "apresenta" a/em nós, toda tentação - quando por nós vista como "oportunidades" - nos tentam em Jesus (Cordeiro expiatório).

Que divinamente nos seja por fé.

Em Jesus a humanidade divina se assenta conosco a banir todas as párias entres os homens. 
Ninguém mais o tenta, o Tentador tenta, mas quando o tentou, quebrou a cara...
Com Jesus o "papo é reto" my brother!
Nem pense, e só em pensar em tentá-lo você será tentado.
Tal verdade culmina na revelação que Ele mesmo faz do Pai. Deus não pode ser tentado por nenhuma criatura, o homem até que tenta, mas sem êxito algum.
Humano, ente, gente, pessoa, servo, filho. Tudo isso vem da humanidade não-caída de Deus. 
Escândalo?
Nada!
Blasfêmia, muito menos da minha parte.
Paulo gritou: "Ele se esvaziou!".
Quem mais exotérico e isotérico que seja saberia discernir com "perspectivismo" (neologismo Nietzscheano) isso?
Seria olhando de cima ou percebendo de baixo?
O profeta Malaquias disse que Deus visitaria pessoalmente a Terra.
Portanto, o que nos faltou a compreensão?
O Cristo foi tentado em tudo e não sucumbiu.
Deus "sentiu" a tentação na pele do Nazareno, Messias rejeitado antes de nascer. 
Ser tentado é ser provado - independe a origem da tentação - Deus não tenta a ninguém, mas o homem segue sendo tentado e tentando o outro pela sua própria concupiscência inata.
Tanto para o bem quanto para o mal. 
Talvez e quem sabe, nós somos almas e não apenas alma, e nunca uma "alma-palheiro" que vasculha por dentro um "eu-alfinete".
Vontade de potência, natureza e não natureza humana. Já que tudo na vida leva o nome de desejo.
Livre-arbítrio, soberania, determinismos, fatalismo, naturalismo, humanismo - quem se salvará da ala de "rebanho".
A Teologia não salvou o homem religioso do inferno cultural.
A filosofia não detém a absoluta verdade sobre o saber e não-saber, e todo filósofo que faz da sua filosofia a verdade, sofrerá duras penas pelo inimigo da modernidade.
É reducionista também o reducionismo científico. 
Ninguém será tomado por coitadinho, nem tampouco condenado por não corresponder corretamente religioso aos caprichos dogmáticos de um "espírito-moral-religioso" de uma época.
Quem nos vencerá no final?
A tentação de cada dia de nos tentar-mos contra nós mesmos ou a tentação que carregamos como auto-engano de auto-santidade sobre nossos pensamentos, desejos e ações?
Se é pela alienação de um passado que seremos julgados, só nos resta lamentarmos o tempo que perdemos sem nos lambuzarmos no pecado.
Mas já que a morte soa forte aos nossos ouvidos, a verdade torna-se absolutíssima quando a mentira é a ampla matéria em expansão em todos nós ("O que é a verdade?"), pois, nenhum ser sabe o caminho para a Vida, mas a morte sempre a encontramos em qualquer atalho da existência. 
Falar sobre questões da vida no faz morrer diante do fluxo deste mundo secularizado pela tecnologia.
A gente cresce até um determinado tempo neste chão, mas chega a um espaço que só se cresce se o crescimento for para baixo, para dentro da gente. A consciência exige maturidade reflexiva, ela nos dá uma chance para isso...
Nada furtará a alma de nós - nós somos almas - a alma está em nós e nós em Cristo.
De Cristo tudo está pronto e consumado, de nós quase tudo não-pronto e muitas áreas irresolutas - o caminho é longo, e não obstante durará um segundo.
As tentações virão...deveras num desses "vales pela sombra da morte" - uma alma, em nós, sobreviva. Perseveremos!
Conquanto a superação e a perseverança nos tecem de um espírito forjado pela esperança que não-espera, mas que vai, que busca, que refuta; que questiona; que discorda; que concorda; que intui.
A fé que habita no divino-Ser é demasiadamente humana para esperançar - posto que, acreditar no que se espera é não-esperançar, porém crer contra e qualquer esperança que espera algo cair do céu ou magicamente aparecer do nada, é burrice.
Escrito isso, a Igreja nunca deixou de "andarilhar" na existência, seja quando Hebreu, Judeu, escravo, gentio ou livre.
Que o vosso "sim" seja o "amém" de Jesus e o vosso "não", o "não comas" de Deus.
M Serafim