segunda-feira, 23 de março de 2015

Fariseu, eu?


A denominação de Fariseu nos tempos de Cristo tinha um sinonimo de santificação, ser separado dos demais...indivíduos que (se) zelavam da Lei de Deus e nutriam o compromisso de serem obedientes ao extremo a Deus, assim eles eram vistos e respeitados pelo povo judeu.
Diferente do que significa hoje tal expressão no meio religioso.
Hoje ser fariseu significa ser um hipócrita.
Já a expressão: Publicano , a de coletor de impostos(funcionário público), era vista como corrupto e odiado pelo povo.
Gente que explorava o povo pobre, embolsando o que sobrava de tributos que o povo pagava ao Estado.
O fariseu de antes era tão extremista que, jejuava duas vezes por semana, embora, na Lei mosaica ordenava apenas uma vez ao ano. Façam a conta aí de quantos dias durante um ano eles jejuavam?.
Jesus por vezes censurou suas práticas exageradas...e que não os levariam a nada.
Pois pensavam (acreditavam) eles que fazendo algo a mais do que Deus pedisse estariam agradando a Deus.
Ora, inté parece uma carência patológica divina, pelo qual necessita de bajuladores formais!
Na oração no templo feita pelo fariseu e pelo publicano (parábola produzida pedagogicamente por Jesus), podemos enxergar nós nos projetando no outro, ou em última análise, a manifestação do nosso desejo suicida de auto justiça, o da justiça própria.
"Ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, que são ladrões, injustos, adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho". Foram essas as palavras de oração do fariseu a Deus.
Na verdade o que leva uma pessoa a acreditar estar acima de seu semelhante ou sentir-se superior de alguma forma em relação ao outro?
Nada justifica tamanha presunção religiosa cega.
Quanta cegueira ainda nos habita, digo, nos fariseus de hoje, hein?
Se pôr num lugar junto ao sol e ao mesmo instante professar uma fé cristã, faz afugentar o mais belo brilho das estrelas de uma galáxia.
Engana-se profundamente quem desconhece a que espírito pertença, e muitos nem sabe ao que pertencem.
Deus nos conhece visceralmente. Ele sabe o que pensamos, o que desejamos e o que procuramos...não se iludam.
Essa tal de justiça própria é PECADO.
Jesus julgou que quem retornou para a sua casa redimido e em paz com Deus fora o publicano pecador..
"O publicano, porém, estando a alguma distância, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim pecador".
O "coitado" do fariseu se expunha publicamente no templo, orava em voz alta, fazia gestos de piedades...e por fazer da prática da Lei a sua justificação diante do Eterno, "morreu espiritualmente" em detrimento da letra que mata.
Deus busca misericórdia!
Deus requer arrependimento do pecador!
Deus espera que o homem reconheça que é ele quem peca e mais ninguém; que é somente ele, o desgraçado, cego e nu.
Você é alguém que tem se sentido assim, como um fariseu espiritualizado no entremeio de sua devoção, profissão de fé e comunidade?
A via da humildade é o caminho virtuoso para ser exaltado por Deus.
Quer ser abençoado por Deus, quer fazer a vontade de Deus?
Reconheça a sua fraqueza pessoal, reconheça os seus pecados nas relações com as pessoas e reconheça a graça de Deus na vida de todos.
Tomara que, entendendo isso, possamos não mais agirmos como aqueles fariseus moralistas que desejavam que os demais fossem semelhantes a eles, mas como indivíduos separados pelo amor de Deus.
Pessoas que amam o seu próximo sem tentar impor qualquer crença, ideologia ou moral.
Cuidemo-nos para que a arrogância não nos tomem por inteiro, e que cegamente venhamos a julgar os outros, ou torná-los réus de nossos comportamentos projetados nos mesmos, mesmo que tal julgamento seja em forma de uma "justa"oração.
Senhor, por favor, tenha misericórdia de mim e livra-me dessas toxinas que sucumbem a alma.
M Serafim