segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Quem, Nietzsche?


A frustração de Nietzsche não foi com a música, pois, para ele a vida sem a música seria não tão somente uma "tragédia grega ", mas um tédio visceral para toda a vida. A sua decepção foi com Richard Wagner.
A frustração de Nietzsche não foi contra a mo
ral filosófica, mas com a moral filosófica alemã de sua época. A sua própria irmã depois de sua morte o havia acusado de fascista, tendo portanto manipulado muitos de seus pensamentos escritos ("Humano, Demasiado Humano").
A frustração de Nietzsche não foi contra o Deus desconhecido, nem quando ele grafou "Deus está morto", mas com as religiões fabricadoras dos deuses humanos.
Na construção do livro "O Anticristo" - no original alemão se lê: Contra o cristianismo. E não contra Cristo. O que fizeram de suas escritas é o que chamamos de balburdia dos "filisteus" (neologismo de Nietzsche).
A frustração de Nietzsche não foi com as mulheres, mas com Lou Salomé, poetisa e escritora intelectual russa (segundo a história ela teve vários amantes), por quem ele havia verdadeiramente se apaixonado, embora, ela jamais o tenha correspondido, senão por apenas interesse intelectual pelo filosofo.
A frustração de Nietzsche não o evitou de si mesmo, mas o fez escrever "Ecce Homo" (Eis o Homem) - é aqui que ele descreve quem ele é: "Nada", ou, em última análise, vontade de potência.
A frustração de Nietzsche não foi com as dores (físicas e da alma), mas com aquele homem religioso, exceto o de "espírito livre", a encara.
A frustração de Nietzsche não foi com o existencialismo humano, mas com a ignorância do homem "rebanho" conseguir sobreviver para além do bem e do mal diante de um "livre arbítrio" - embora para o homem sem a liberdade de escolha.
A frustração de Nietzsche não foi com a psicologia pródiga da antiga Alemanha que despontava para a sua derrocada, mas com toda uma Europa assolapada na arrogância materialista e capitalista pós guerra...
A grande frustração de Nietzsche, tenho por certo, foi a sua vinda antes do tempo, antes que o tempo o aguardasse como "profeta" das grandes verdades...
Mas a verdade é que este filosofo psicólogo deixou a sua marca na História, no pensamento filosófico moderno. Ele criticou também uma meta física fadada ao budismo (A.Schopenhauer)
Estudar filosofia e não "sondar" a mente de F. Nietzsche seria o mesmo que "retro-ceder" as primeiras obras mortas, das quais o "eu" Zaratustra jamais poderia proferir palavras proféticas como foram vaticinadas por Nietzsche, isto é, a 100 anos a sua frente.

M Serafim