quarta-feira, 6 de abril de 2016

Há tempos


Há algo quase sempre a se dizer; existe tempo para quase tudo que não se foi dito. 
Escreva algo.
Há algo para se escrever; mas há também tempo de não se escrever nada além de nada.
A vida cheia de certezas, onde se faz tudo certinho,ou, fazendo-se tudo desse jeitinho dará certo - quem possui alma perfeccionista sabe do que estou falando - ela é paradoxalmente repleta de incertezas certas.
Há tempo que pára tudo, inclusive o tempo perece parar para deixar de fazer tudo aquilo que seja dúvida em nós (tenho dúvidas quanto a isso), mas que não funciona bem no nosso cotidiano imediato (isso quase todo mundo o sabe).
A dúvida é o preço de nossa pureza e seria inútil ter certeza?!
Há tempos...
Tempo de apagar o que foi escrito no bloco de notas; tempo de rabiscar a lápis o que escrevemos eternamente no diário da semana passada, e por uma única razão, nada se concretizou, portanto apaga-se com borracha...
Uma mudança de hábito, um viciozinho mental nunca deletado ou a imagem daquele namoro da balada que das entranhas não se apaga facilmente.
Vai o tempo, passa-se o tempo, há tempos.
Sopra o vento e as lembranças retornam a nós como se o tempo passasse num sonho e em outro sonho retornasse para nós num piscar de olhos.
Quem irá pagar para ver?

M Serafim