terça-feira, 19 de julho de 2016

Com ou sem religião, Ame!


Advindo do nada e moldado por uma consciência da gênesis da uma eternidade de coisa nenhuma, secularmente e a passos largos de Deus, caminha a "medíocre " humanidade.
Ao toque da ficção que sobe ao seu pensamento tendo o homem o homem como a medida de todas as coisas, a visão torna-se mais turva ainda, na medida que se põe Deus sob o seu senhorio egoístico.
Narcisisticamente, é essa a autoimagem do homem que acha sentido na ficção que o apavora há milênios diante da projeção de sua própria imagem almática no espelho d'agua.
Penso, logo existo.
A filosofia pediu durante séculos, reticências.
Depois de Descartes nós sofremos a segunda "queda adâmica" - pensamos que vivemos , portanto existimos de qualquer sentido que convenhamos viver egoticamente.
Boa é a estética quando da má estética do bom viver, nos iludimos como bons samaritanos cristãos.
Todo homem que em mim habita é naturalmente mal. Não há nada que se possa fazer para que ele se torne bom.
Tolo homem que sou, se eu bem soubesse, quem grita com voz de desespero é o meu ego inflado pela razão da minha justiça própria definir-me como um bom homem que não sou.
Bom só existe um, Deus - disse Jesus.
Abduzido pelo egoísmo que lhe seja peculiar, segue o homem na existência a procura de um sentido que o faça continuar caminhado em busca de respostas e de verdades, e de não poucas alegrias.
Ora perplexo com o seu mundo interior, ora desligado do mundo exterior.
É a máscara do egoísmo que faz com que aquele indivíduo esteja sempre solicito para querer ajudar.
É o auge do egoísmo humanizado por todos nós pecadores por natureza.
Uns procuram loucamente, porém sem razões, um espírito que lhes fale como proceder diante do mistério e do desconhecido.
Outros fingem ver a Deus nos lampejos dos fenômenos que mal podem discernir.
A humanidade ficou refém não somente dos filólogos e dos filósofos, mas sofisticamente dos teólogos de Deus
Mas nas relações humanas (interpessoais), os deuses se despem aos flagelos dos reles mortais.
Justamente para ensiná-los a exercer o vosso papel no teatro do mundo ora real, ora virtual.
Tudo acontece na mente. Seja o tempo consciente, seja a descoberta de tudo aquilo que ainda não se tornou em nós, consciência.
Se há uma consciência de quem se é.
Há também uma enorme consciência de quem Deus seja.
Surgem os arquétipos, figuras capazes analogicamente de construir pontes com o inconsciente.
Ciente disso, o homem esbarra na incapacidade de poder gerir a si mesmo num mundo permeado de seres, objetos, universos e mundos não palatáveis.
Sim, o mundo para o homem torna-se fictício ao passo que da existência o mesmo se mantenha distante sensivelmente do elo que une o universo da sua realidade com o mundo da ficção, na maioria das vezes, mal interpretado.
Há de se conhecer coisas novas, a vida vem sendo para nós repleta de descobertas, e cabe ao homem prosseguir em conhecer a si mesmo e ao mundo que o cerca do inicio ao fim.
Porque só assim há sentido.
Dissociar-se deste mundo e espaço é romper com o mundo do contato físico, químico e biológico.
E isso só poderá ser gerido por nós sensitivamente, sensivelmente e perceptiva-mente (antes que morramos).
Muitos chamam tal rompimento involucral de morte. Mas Deus chama isso de eternidade para os que Nele vivem - em Deus não há morte.
Ora, quando Deus deixar de ser visto pela maioria esmagadora como uma entidade que proporciona dinamicamente bênçãos e bênçãos intermináveis para "ganhar" a atenção e a obediência do homem, nasceremos para o amor.
O amor brotará na humanidade banindo todos os seus medos.
Deus tocará com as suas mãos a mais longínqua alma de sua santa presença.
O muito que conhecemos do nosso inconsciente não perpassa dos 10%.
Acredito que a qualquer momento Deus virará a mesa e nós seremos vitoriosos contra todos os nossos inimigos mortais.
A começar, derrotando em nós a nossa caída natureza humana.
Não há nada de novo no Mundo, mas é notório que muitas coisas estejam fora do lugar.
O mandamento nunca foi novo.
"Ame"!
Se para nos tornamos seres humanos bons, sob a pena de irmos para o inferno, morreremos desesperados por termos alcançado o céu pelo medo?
Se não conseguimos sermos bons na essência, na prática do amor já começamos a melhorar.

M Serafim