quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Evangelho que transforma...(19/10/2002)

Este artigo foi inicialmente escrito em 2002, porém, e ainda hoje continua atualíssimo em seu conteúdo e sempre que posso leio novamente...
"Pois vos foi concedido, por amor de cristo, não somente o crer nele, como também o padecer por ele"... (Fp. 1.29).
Vivemos em uma época em que poucos cristãos sabem discernir o significado de estar em Cristo, galgamos numa geração contraditória e confusa em seus ideais e onde o cristianismo Bíblico e autêntico fora transformado em uma fórmula moderna quanto eficaz para a satisfação imediata de todos os nossos anseios...
Existem em nosso meio (evangélico), e no mundo afora, inúmeros crentes dos mais variados perfis já vistos. São muitos (até mesmo a maioria) dos que desejam uma satisfação imediata e efêmera de seus desejos humanos, pessoas que realmente esperam a plena realização de todas as promessas divinas ainda nesta vida.
Elas almejam uma perfeição jamais exigida pelo próprio Deus; fomentam uma crença numa sociedade santa, imaculada e sem violência ao Reino (surrealismo religioso)...
Buscam a todo vapor uma comodidade e descanso “espiritual” que só poderão alcançar e usufruir no Céu...[...]
É como um paradoxo que nos arrebata ao ponto de delirarmos misticamente ao êxtase do nada... Ao contrário de tudo isso e o que se apresenta prontamente e frontalmente contra nós, é a DOR...
Conseqüência inata ao individuo (homem caído – Gên.3) - que outrora vivenciava os prazeres da alegria, serenidade e paz, mas que agora decaído de seu estado original perfeito, maculado, tornando-se o contrário de sua forma originária em que fora criado (tendo que viver com ambigüidades existenciais), sendo assim, o mesmo luta incessantemente para expulsá-la (dores) de sua "natureza adâmica" (pensamento teológico), porém sem sucesso.
Na verdade ou em verdade, o que percebo é que o Espírito nos conclama sabiamente é para uma maturidade de como saber conviver com esta "dor" que nos afeta e tenta a todo modo nos impedir de prosseguirmos em conhecer mais e mais a Deus...
O homem espiritual é forjado de sabedoria, ele consegue extrair de seus momentos de dor, a força espiritual que lhe mantém voltado para o Caminho. E que um dia o poderá levar a perfeição tão espiritualizada que almejamos ter. Todavia não quero dizer aqui de que necessariamente devemos nos acomodar e se conformar com o sofrimento interior quanto ao exterior, sim, não estou fazendo aqui nenhum "voto" de comiseração (autopiedade), e nem tampouco ensinando ás pessoas a se "auto-flagelar" para alcançarem a "evolução espiritual". Estou simplesmente tentando encontrar assim como você que me ler uma explicação para a DOR...
Não é de se admirar que nas Escrituras estejam recheadas de experiências vividas por homens e mulheres que apostaram de tudo e tudo em Deus, em troca de uma âncora para uma alma inquieta e sedenta por um Deus que nos parece tão distante, mas que está tão próximo como o oxigênio que penetra em nossas narinas e infla mecanicamente os nossos pulmões diariamente nos trazendo vida própria!
A marca do pecado na humanidade está revelada na morte do ser humano, no entanto o Evangelho de Jesus Cristo nos direciona e nos ensina de que através da dor e do sofrimento da alma podemos usufruir a abundância de vida que existe na morte de Cristo... Porque assim ensinam as Escrituras, que Jesus morreu para nos dar vida, e vida em abundância!
Portanto um só homem morreu por todos, para que todos MORRAM E NÃO OBSTANTE vivam somente por Ele e tão somente para Ele, através da fé.
Na epístola aos Colossenses, o Apostolo Paulo nos convida a termos o mesmo sentimento de Cristo que através da submissão a Deus mesmo sofrendo sem merecer, padecendo sem entender, e suando sangue sem retroceder, sendo assim aprendeu a obediência que agrada a Deus. Tornando-se o exemplo verdadeiro de servo fiel e de filho amado. E mesmo sabendo ele de que logo mais seria executado no madeiro como fruto de sua fiel obediência a Deus. Não desistiu, e enfrentou corajosa-mente a dor...
Talvez seja sensato pensar que fugir da dor interior que nos atormenta e que de nenhum modo podemos contê-la ao nosso imediato desejo indolor, exista uma repulsa arrogante cujo brado de alivio seja atribuído ao desprezo de nossa cruz pessoal, entrando em cena o furor de um "eu" que procura através da essência da alma uma vereda de pastagens verdes e de águas plácidas para um seguro refugio distante da grande agonia da dor interior que esmaga [seus] membros mortais... Trazendo para a mente uma falsa revelação de que Deus se mostre um tanto quanto insensível ao sofrimento humano.
Portanto tal alma aflita e doída não consegue ouvir o Sumo Pastor bater com o seu cajado sobre o solo pedregoso e que por sua vez revela a trilha necessária para o rebanho, e qual seja o rumo a seguir e a qual destino chegar, na certeza de uma sombra segura onde o refrigério da alma estará...
O medo que enfrentamos de nos rendermos sem reservas a um Deus invisível nos faz duvidar das certezas do amanhã que somente a Deus pertence, no entanto quando nos desprendemos de tudo e de todos e priorizamos unicamente a Deus, a dor que anteriormente batia de frente com as nossas indecisões, incredulidades e medos, são freqüentemente suportados, controladas, superadas e em muitas circunstâncias banidas... E tudo isto serve para nos ensinar de que devemos nos concentrar mais na vida espiritual confiando(descansando) cada vez mais no poder e na Graça de Deus.
Mas, também acredito que o cristão maduro (aquele que consegue conviver com a dor sem aleijar a alma) pode desenvolver um equilíbrio ante ao sofrimento interior e as dores exteriores. Quando verdadeiramente passamos a usufruir das bênçãos espirituais e permitimos que o Espírito nos capacite com a mente de Cristo, conseguimos então dá um passo bem largo em direção a Deus e no cumprimento do seu propósito em nossa vida.
Há ainda aqueles que se projeta em meio a um "deserto" na certeza de que depois de serem "provados e aprovados" por Deus alcançarão toda a satisfação perfeita e plena que sua alma precisa e anseia.
- Na verdade o homem foi criado por Deus para gozar de todo o bem-estar e felicidade eterna, sendo o homem por sua vez formado em perfeição na imagem e semelhança de Deus, ele jamais teria que experimentar o sofrimento e dores...,
Entretanto temos que atentar para a nossa realidade latente – somos criaturas perfeitas, mas com o "seu estado original decaído," como é que realmente podemos viver num mundo imperfeito, tenebroso, oposto a vontade e direção do Criador, isto é, em um mundo em que os homens jazem no maligno e ainda assim exigirmos uma vida plena e totalmente satisfatória como no Paraíso? Analise - neste mundo caótico e desajustado longe do amor e da vontade de Deus. - Porque temos que fingir ser aquilo que não somos e fazer aquilo que não desejamos vivendo da maneira que não ansiamos? Seriamente há um número considerável de cristãos que acreditam que podem viver uma vida cristã prazerosa, gozando de uma paz intensa e perfeita, inundado por um amor perfeito e puro e principalmente com uma vida bem longe do sofrimento e da angustia da alma.
E o pior é que essas pessoas não meditam na Palavra de Deus como deveriam, não pensam como o Espírito deseja que pensem e não agem como agiria Cristo em seu lugar, talvez algum precursor do "evangelho de fórmulas mágicas", tenha introduzido tal anátema nos corações destes crentes marionetes, constituindo assim um utópico "pacote evangélico" de promessas imediatas quanto urgentes de que da noite para o dia os fieis sairão do colapso financeiro, ensinam as pessoas a barganharem com Jeová, isto é, se é que podem... E tem mais, proferem jargões como estes: "pare de sofrer; se revoltem com esta situação; chorar nunca mais"... O fato é que estes líderes ensinam aos seus rebanhos de que os mesmos não mais vivenciarão lutas interiores como exteriores e negam sagazmente o sacrifício do viver cristão.
Mesmo porque de agora em diante, os seus problemas já estão solucionados porque "deus" (mamon) o dono do ouro e da prata já encheu o seu bolso de dinheiro. E certamente o que vier após isto é lucro, esquecendo, portanto do verdadeiro significado da expiação de Cristo e negando sorrateiramente a eficácia da mensagem do Evangelho.
Quando o Apostolo Paulo escreveu esta epístola aos irmãos em Filipos, o mesmo estava encarcerado e preso por correntes nas mãos e nos pés por ser ele próprio um testemunho vivo de Cristo para o mundo de sua época, mas hoje é quase que impossível de se ouvir da boca de um cristão se o mesmo passa ou tem sido perseguido e injustiçado por causa do Evangelho de Jesus Cristo.
O que temos visto e vivido em nossas congregações é um verdadeiro refluxo de uma igreja impotente e desprovida da autoridade como do amor incondicional do Cristo de Deus. Veja logo abaixo em uma cena bíblica de como Deus na pessoa maravilhosa do Jesus - homem reage diante de nossas impotências, mazelas e vulnerabilidades humanas... Um singelo toque de sua
Graça ao nosso favor imerecido:
...Logo depois, Jesus foi a uma cidade chamada Naim, e com ele iam os seus discípulos e uma grande multidão. Ao se aproximar da porta da cidade, estava saindo o enterro do filho único de uma viúva; e uma grande multidão da cidade estava com ela. Ao vê-la, o Senhor se compadeceu dela e disse: "Não chore". Depois, aproximou-se e tocou no caixão, e os que o carregavam pararam. Jesus disse: "Jovem, eu lhe digo, levante-se!" O Jovem sentou-se e começou a conversar, e Jesus o entregou à sua mãe. Todos ficaram cheios de temor e louvavam a Deus. "Um grande profeta se levantou entre nós", diziam eles. "Deus interveio em favor do seu povo." Essas notícias sobre Jesus espalharam-se por toda a Judéia e regiões circunvizinhas.
- Lucas 7:11-17 . Duas grandes multidões se encontram. Uma segue um corpo morto. Outra segue o Senhor da vida. Até hoje a humanidade se divide nestes dois. Infelizmente, ainda hoje o maior grupo não segue o caminho da vida, mas, rumo ao cemitério. Quando Jesus diz para a mãe não chorar, não é que ele despreza a sua dor. Marido morto, filho único sendo carregado para o enterro. A dor dela era demais para agüentar. Será que Jesus pensou em sua própria mãe, que em breve estaria passando por isso?
Jesus compreende nossas dores. Ele sente nossas perdas. E ele nos conforta com o anúncio de que a hora de chorar terá fim... (Apoc. 21.3-4)
Primeiro, as palavras de Jesus penetram a terrível dor de uma viúva que acaba de perder seu único filho. Depois elas passam pela escuridão do além e chama de volta aquele que ela havia perdido para sempre. Compaixão e Poder. Os homens que têm um, raramente possuem o outro. Jesus reúne os dois como ninguém antes ou depois.
Quando Jesus ressuscitou o filho da viúva, ele mostrou que a morte não tem a última palavra. A última palavra é de Jesus. É a palavra mais poderosa que existe, e é uma palavra temperada com compaixão. Como Max Lucado observou: "Jesus não ressuscitou os mortos por causa dos mortos. Ele ressuscitou os mortos por causa dos vivos". Um dia, toda a dor e sofrimento, todas as perdas que nos rondam se renderão à palavra de Jesus. Quando Jesus fala, até a morte tem que recuar...
Graças a Deus pela esperança viva e verdadeira que temos em Jesus.
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Temos visto uma grande propaganda de como adquirir uma vida feliz e próspera dentro da igreja. Na verdade o papel da igreja como instituição criada por Deus é de revelar Cristo como parte do Corpo (a cabeça) levando assim as famílias ao encontro de uma experiência com Deus e não colocá-las contra Cristo. É nosso papel levá-las a Ele de maneira espontânea e tão verdadeira quanto sincera como o Senhor deseja, ao contrário de negociarmos com os mesmos a cerca da salvação... Acredito que seja um mandamento para a "Igreja" (eu e você) propagar o Evangelho aos homens e não exigi-los que os mesmos fabriquem "poderosos" testemunhos com a finalidade de causar um impacto frustrante na vida de muitos cristãos sinceros. E em particular conheço vários cristãos que nutrem uma vida irrepreensível de santidade e oração diante de Deus, contudo não alcançou tudo aquilo que desejam, isto é, de estarem plenamente satisfeitos ou com resultados de orações satisfatórios. E mesmo assim continuam amando ao seu Senhor e o servindo incondicionalmente.
Não posso deixar de citar que quando estou no meio destes irmãos sinto-me mais humano, mais amado, e mais cristão, sabe por quê? Porque eles além de vivenciar a Deus, eles simplesmente me inspiram fé...
O ponto crucial, porém verdadeiro que de maneira implícita aparece no texto de Fp. 1.29, é a total essência de ser cristão. Paulo revela na lucidez do Espírito Santo de que a profundidade de se conhecer a Deus está relacionada com o sofrimento que enfrentamos neste corpo dilacerado pelo pecado e afligido por uma alma aleijada pela dor da separação de Deus... Entretanto com toda essa nossa vulnerabilidade e fuga que nos afugenta da presença do Senhor ainda assim podemos obter um relacionamento santo e sincero com Deus.
E é exatamente através de nosso sofrimento neste corpo corruptível que o Espírito age dentro de nós e aos poucos reformula em nosso homem interior a imagem de Cristo, pronta e poderosa para o bom combate cristão. Contudo até chegarmos lá com o auxilio do Espírito. Sofreremos dores, desacomodações, perdas e danos, todavia o amadurecimento espiritual virá e será semelhantemente como se brotam os verdadeiros frutos de uma árvore não somente frondosa, mas de excelentes frutos...
É necessário compreender que todo homem tem uma sede insaciável de Deus e é justamente quando identificamos esta sede interior em nós é que entramos geralmente em conflitos com nós mesmos. Mesmo quando já somos vivificados pelo poder reformulador e restaurador do sangue de Jesus Cristo + do Espírito Santo. E este acontecimento sobrenatural ocorre em nosso espírito (homem interior). Em contrapartida a nossa alma deseja ardentemente uma satisfação plena de todos os nossos desejos e anseios. Seria muito bom vivermos em um mundo sem violência, ódio, desarmonia, dores e tristeza não seria? Contudo só encontraremos tal ambiente no Céu. È justamente por causa disso que não estamos livres de qualquer fatalidade, tristeza, dores e sofrimento que esta vida nos oferece, e isto nos traz a memória as palavras de consolo do Mestre da sensibilidade: "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo Eu venci o mundo". Ensina-nos também que podemos conviver com pessoas que possuem diversas indiferenças, traumas, frustrações e decepções... E que mesmo assim poderemos amar com a mesma intensidade do Mestre do amor e sermos aceito no amor fraternal, isto é, suportando uns aos outros em amor ou por amor ao Senhor... Sim e graças a Ele podemos amar e receber amor dos outros, porque Cristo demonstrou o seu muito amor para conosco nos amando sendo nós ainda pecadores. Alcançaremos a vitória como o Senhor já predisse, porém, se vencermos nossos pecados interiores, nossos conflitos interiores como também os pecados exteriores quanto aos conflitos exteriores. Descobrindo o cristão a sua sede interior por justiça e expelindo toda e qualquer impureza identificada com o auxilio do Espírito Santo de seu interior, aí fica mais fácil saciar esta sede que o ser humano possui da presença de Deus... "Encontramos um manancial" (a santa presença) de águas purificadoras em meio a um deserto árido de nossa alma, de repente passamos a odiar o "mal", passo a passo deixamos de cavar nossas "cisternas rotas" e pouco a pouco uma fonte de águas vivas e puras nascem em nosso interior, fonte esta que começa a jorrar nesta vida e se estabelecerá para a vida vindoura, isto é, ela não seca, é perene, flui a cada instante de comunhão com Cristo, a não ser que deixemos de saciar esta sede e por conseqüência disso a fonte ficará inativa ou até mesmo adormecida... (Apoc.21.6).
Examinando com um olhar cirúrgico o livro de Jó pude perceber que o Evangelho de Cristo esteve tão presente nos dias de Jó quanto a dois mil anos atrás e permanece vivo ainda hoje.
- [A provação em que Jó foi submetido é um exemplo sólido de um cristianismo autêntico e transformador, verifique que nos primeiros capítulos do livro (Jó), logo no inicio de sua prova e tribulação, a Bíblia relata: "Não pecou Jó"... E nem atribuiu a Deus falta alguma (Jó.1.22)].
Tudo aparentemente ia bem à vida de Jó até quando e de repente tudo de mais importante e significativo que possuía veio a sucumbir em questão de horas, tão inesperadamente o ventou começou a soprar fortemente contra Jó, o mal lhe sobreveio e o que ele mais temia começou então a acontecer em sua vida, logo as noticias de desgraças lhe chegavam aos ouvidos, uma após a outra, malmente Jó recebia uma noticia desagradável de que seus bens, suas crias, suas rendas haviam sido roubados, saqueados e mortos seus servos. Malmente ele acabava de recebe uma trágica noticia lhe chegavam outras piores do que a primeira e assim foi sua ruína, Jó chegou a uma situação tal que fora acometido de uma lepra terrível e por muitas vezes precisou rapar com um caco de telha sobre as feridas que lhe cobriam o corpo... Nesta ocasião Jó já havia perdido todos os seus bens que por sinal não eram poucos e até mesmo os seus bens maiores, os filhos.
...Existem fases em que atravessamos nesta vida probatória que parecem que vão nos destruir por inteiro, momentos que nos sobrevém total escuridão e solidão e somos fortemente tentados a tirarmos a visão do alvo e a abandonarmos nossos relacionamentos com Deus e com outras pessoas, uma força negativa que tenta nos empurrar deixando de alguma forma a nossa visão um tanto quanto embaçada...
E sem razões e motivos para termos fé na providência divina, porque nestes momentos nos parece ser mais fácil acreditar que Deus tem o poder pra nos salvar do inferno em chamas do que termos que exercitar a fé por intermédio de nossas fraquezas nestes momentos de dores e lutas interiores a fim de sermos permeados pela Graça que nos é concedida para vencermos o mal a cada dia, na esperança rumo ao aperfeiçoamento dos santos?!
- Conheci uma pessoa "muito usada por Deus” (não gosto muito de usar esta frase), dócil, amiga, irmã, fraterna, detentora de uma inteligência e capacidade de raciocínio fantástica, mas que também experimentou uma fase muito difícil em sua vida chegando a cair em depressão (uma tristeza profunda)... E esta fase, provação, como queira chamar lhe sobreveio quando a mesma estava liderando um trabalho, uma extensão de nossa igreja. E poucos, a minoria mesmo, aceitaram o seu estado de depressão e dor, outros a ignoraram pelo fato de atribuírem a ela os conflitos e problemas em que estava enfrentando era absolutamente em detrimento de porventura a mesma haver escondido um pecado embaixo do carpete...
Parece coincidência, mas estes "irmãos" se assemelham com os mesmos amigos de Jó. Entretanto é bastante válido o aconselhamento pastoral nestes momentos de angustias e sofrimento, contudo em alguns casos o silêncio fala mais forte, a exemplo dos amigos de Jó quando o viram naquele deplorável estado e situações de sofrimento ficaram perplexos diante da cena patética de seu amigo e resolveram fazerem um jejum de palavras ( de fato eles não pronunciaram palavra alguma durante sete dias)... Ora, Jó era conhecido não somente por causa de sua riqueza, mas bem mais conhecido por sua destreza e sabedoria em aconselhamentos perante o próximo. Outrora ele aconselhava aos outros a seguirem com fé na pratica do bem tendo como recompensa válida o recebimento da verdadeira felicidade como também os exortavam a se desviarem das veredas dos ímpios se mantendo íntegros. Porque dentro da cabeça de Jó só existiam duas classes de pessoas, os justos e os ímpios. – Posso contemplar a atitude sábia destes três homens!
Veja se não é vero? Houve e haverá situações em nossas vidas em que nos consideramos impotentes, desesperançosos, desamparados, aflitos diante dos problemas que nos sobrevém, e o que é mais sufocante, não temos a direção, a solução e nem tampouco o domínio da situação para resolvê-los e solucioná-los. E obtemos uma falsa certeza de que Deus nos ignora.
No terceiro capítulo do livro. Depois de sete dias e sete noites de silêncio e de sofrimento Jó quebra o ciclo do silêncio introspectivo de sua alma e rasga (desabafa) o seu velho coração para os seus amigos. Ele inicia o seu discurso amaldiçoando o "bendito" dia de seu nascimento e sua trajetória de vida na face da terra...
Dias atrás, o mesmo Jó disse a sua mulher: "Recebemos o bem de Deus s o mal não receberemos? Como manifestação de Sua Graça?" – "nu sai do ventre, nu voltarei para ela"...
- É impressionante como nós seres humanos mudamos de opinião perante aos fatos e aos problemas que estão diante de nós. Penso que o homem se converte a Deus não através do sofrimento, porém em face do sofrimento que o homem experimenta, ele de alguma maneira se converte a Deus. Posto se Deus é amor, como poderia fazer que o homem sofresse para assim amá-lo?
O sofrimento interior de Jó o levou a mudar de atitude em relação ao seu estado consciente de santidade e comunhão com o Criador Benevolente..., Entra em cena outro Jó, o qual ele jamais conheceu..., Um Jó que estava oculto no mais profundo de seu âmago, território emocional onde o pastor; o psicoterapeuta e o psicanalista jamais puderam penetrar, mas somente e através de um auto-exame profundo com a ajuda do dócil Espírito Santo que o homem pode reconhecer tal natureza decaída e impotente ante ao sofrimento; angústia e dor...,
Jó era tido como o homem mais justo da terra em sua época.
Acumulava uma fortuna invejável em seu País; era chefe de uma linda e maravilhosa família que todo casal almejava formar, pai de filhas formosas e de beleza exuberante, diz o texto. É obvio que todo mancebo de sua vizinhança cobiçava em ser um genro seu. Jó obtinha uma posição de destaque na sociedade era bastante famoso não Oriente, carregava no peito um altar ambulante, cujo propiciatório interior sacrificava freqüentemente ao Senhor, suas oferendas cobriam os seus filhos através dos sacrifícios de animais em prol de seus filhos e família...,
Pensava o árabe (Jó): "Quando porventura os meus filhos se reunirem para banquetear-se possam agir em desobediência ao Eterno."
Posto que na sua consciência, o temor e o tremor a Deus o faziam viver sobre os ditames de Sua palavra (mesmo não havendo Lei escrita que o restringisse)!
Muitos até podem dizer que Davi foi um homem segundo o coração de Deus (isso disse o próprio Deus aos homens acerca de Jó), porém como Jó eu não conheço. Um homem possuidor de uma paciência tremenda e de uma humildade desejada por muitos cristãos sinceros (sem dizer que Deus o considerava um homem justo)....
É interessante quando ao romper de seu silêncio, Jó se colocou diante do tribunal de Deus como um inocente [talvez o fosse de fato], pois, ele se julgava ser um homem segundo os parâmetros estabelecido nas leis divinas, o qual se desviava de todo o mal e onde até mesmo Satanás confessa na face de Deus: "Tu o tem protegido de todos os lados".
E quando o Senhor pela terceira vez permite que satanás tente/prove a Jó. O Senhor ordena: "Não toque no seu espírito". Ora Deus estabeleceu um limite para o Diabo agir na vida de Jó, posto que o próprio Deus soubesse quais eram os intentos de satanás e como também conhecia o limite humano de suportar tal provação sem desvanecer.
E todos nós sabemos que Jó suportou pela Graça de Deus em seu favor todo aquele insuportável sofrimento sem ser destruído..., é daí que Tiago nos consola e nos ama quando aponta para a longânime paciência de Jó. O Senhor conhece o limiar de uma alma em sofrimento profundo, Ele misericordiosamente cria todo um aparato espiritual ao nosso favor imerecidamente...,
Se não fosse o Seu perfeito amor, nenhum de nós suportaria qualquer provação/tentação, entretanto Ele permite, nos faz passar pela prova e no final Ele mesmo nos aprova diante de Seu poder sem igual.
Os amigos de Jó argumentaram e argüiram-no no afã de descobri qual seria o pecado de morte cometido por Jó. Eles não podiam entender de que Jó era um homem inocente e justo diante de Deus..., E se algo de mal e avassalador estava o assolando, só poderia ser algum pecado que Jó escondia debaixo do tapete do coração.
Sim, para Eliú, Zofar, Bildade e Elifaz disseminadores da Teologia Moral da
Causa e do Efeito, para eles tinha que haver algo associado com pecado, más-obras, influência causada pelo mundo espiritual o qual "rege "o mundo físico (Teologia da previsibilidade absurda)..., Teria que existir alguma relação entre a causa e o efeito...,
Neste caso a causa seria o pecado enrustido de Jó não confessado a Deus e nem a eles..., E o efeito seria as mazelas, a desgraça, o dor, a doença, a fome, a prova literalmente!
E o coitado do Jó todo purulento, supurando, cujas feridas iam dos pés á cabeça (provavelmente um câncer de pele), ele se rapava com um caco de telha e fazia a assepsia do local utilizando silício – imagine a ardência e dor que ele Sentia..., todo o seu corpo era dor, não havia pedaço de corpo que não fosse: agonia, sofrimento e perplexidade absurda...,
E segue a indagação de seus amigos e a culminação de um juízo terrível em relação à Jó e da sua família. Eles o acusaram de injusto, de infiel, de mentiroso, de arrogante, de caluniador, e possuidor de um espírito de cobrança, de descrente, de falacioso em seus argumentos diante de Deus..., o chamaram de asno, de burro...,
E Jó apenas os entrega a justiça de Deus..., E se voltando para eles diz: "O Senhor seja aminha testemunha e juiz diante de vocês"- E de fato, ele se rende totalmente a Deus mesmo sem saber o que estava lhe acontecendo, e deixa que Deus aja a seu favor sabiamente.
Todavia o que fica claro em todo o seu sofrimento, é que mesmo ele não entendendo qual era razão de seu sofrimento nesta vida, ele entende de que Deus possuía o domínio de qualquer situação, e isto ele afirma diante de sua mulher, dos anjos e dos demônios: "Eu sei que o meu Redentor vive e por certo Ele se levantará para me salvar!". Uma falácia em nosso meio evangélico se incorpora facilmente nos círculos de amizades, digo, é bem mais fácil apontarmos os erros de alguém e descobrirmos a falta de outros do que olharmos para dentro de nós mesmos e identificarmos pecados inerentes á nossa natureza pecaminosamente doente...,
Daí a exortação de Jesus e de onde se origina a cura em nós: "tira primeiramente a trave que está posta em teu olho e depois verá claramente o cisco que impede o teu irmão de enxergar". Queremos sempre atribuir a culpa e a debilidade no amar ao outro e nunca a nós..., e este alguém é sempre a pessoa que está mais próxima de nós, seja: o irmão, a esposa, o filho, o pastor, a igreja, o grupo religioso...,
É verdade que sofremos e nos machucamos com os pecados de outras pessoas contra nós, sim, isto é um fato...,
Entretanto, sofremos muito mais em relação aos nossos pecados não identificados e não reconhecidos que guardamos no interior de nosso coração.
O exemplo de Jó revele talvez um espírito de cobrança oculto no exercício e esforço de se cumprir o padrão moral exigido não por Deus, mas pelas produções doentias da religião que existe para se auto-justificar como DEUS sobre o homem!
Depois, lá na frente Jó descobre que para servir, amar e conhecer a Deus seria algo mais interessante e mais profundo do que: dogmas sem espírito e rituais sem vida...,
Jó percebe que amar a Deus acima de todas as coisas nada mais era que se lançar ao seu cuidado e amor no caminho...,
Possuir uma consciência pacificada com Deus e consigo mesmo. Saber de que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus, mesmo que o BEM aparente ser um mal, mas que culminará em um "mal-para-o-bem" de quem ama e é amado por Deus.
-- Desde cedo aprendi que viver obedecendo no amor de/a Deus incluía, guardar não a Bíblia decorada, mas a Sua Palavra impregnada no coração; é ter prazer em Sua lei noite e dia e nela meditar silenciosamente; é carregar no peito uma gratidão por tudo o que Deus fez, faz e fará; é ser livre dos juízos dos homens; dos meus e do Diabo; é nutrir uma comunhão com o Espírito e ser-pertencer a Cristo até as pontas mais profundas das minhas vísceras....,
O profeta disse que Jesus APRENDEU a ser obediente a Deus em tudo através do sofrimento..., e foi obediente até na morte de cruz.
Não entenderemos totalmente os desígnios de Deus enquanto estivermos neste corpo e neste mundo caótico, ambíguo, degenerado e perdido! Conquanto seja através da Pessoa do Espírito Santo que Deus age e interage neste plano natural e do imediato..., ora nos orientando..., ora nos confortando..., guiando-nos pelos caminhos estreitos e difíceis do nosso existir. E nada tenha de fato a vê com a teologia moral da causa e do efeito gospel, ninguém sabe nada de nada nesta existência, só existem conjecturas humanas e nada mais...
O próprio Jó convivia com um drama que lhe fazia vê que ao seu redor havia pessoas boníssimas, mas que comiam o pão que o diabo amassou, e de outro lado ele via gente da pior estirpe possível vivendo uma vida maravilhosa e arregaladamente, estes indivíduos conseguiram se desviar e fazer manobras para se livrarem de todos os obstáculos e desgraças da vida, e só se encontrarão com o juízo de Deus na eternidade.
D. Helder Câmara tem um belo pensamento que diz: "Há criaturas que são como a cana, mesmo postas na moenda, esmagadas de todo, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura...". Assim foi com Jó e assim deveria ser com o cristão que vive com tamanha gratidão a Deus...,
Muitos interpretam "o carregar a cruz" como um peso de ter que suportar um irmão problemático que nunca muda de conduta, ou expressa qualquer motivo de transformação...,
Outros atribuem a sua cruz a sua família; mulher que sofre de esquizofrenia, um filho que nasceu com uma enfermidade incurável, um pai que está morrendo aos poucos, o emprego, o patrão, a profissão, o salário que ganha; a casa que mora, as escolha que fizera na juventude, o espinho na carne, o colega NE trabalho, o vizinho do lado, etc.
Todavia o que o Senhor Jesus nos revela claramente é que a nossa cruz somos exatamente NÓS MESMOS, i.e., são: a nossa natureza caída; os conflitos de uma alma degenerada e obscura; nuances de uma alma sedenta por Deus; uma alma insaciável pela presença do amor, do prazer em viver, de regozijo espiritual, paz espiritual e perene, felicidade plena e de eternidade concreta..., A vida abundante que o Senhor promete aos remidos quando estes alcançarem o Reino dos céus, nas mansões celestiais junto ao Pai da luzes.
A cruz do Evangelho existencial m amor é diferente da cruz do cristianismo histórico, posto que a cruz do cristianismo histórico produza no outro o estigma da religião separatista e exclusivista..., Já a cruz do Evangelho existencial em amor, exige uma renúncia própria de nossos anseios críticos e casuais e nos direciona aos anseios cruciais, onde só podem ser obtidos através do reconhecimento de nossa sede pela gloriosa presença de Deus (doxa).
Semelhantemente a Jó todos nós lá no fundo tentamos atribuir a Deus todos os nossos problemas sofrimentos indesejados – isto talvez nos revele um "espírito de cobrança" guardado pó debaixo da superfície da alma.
Deus é soberano e Senhor – Deveríamos entender isso, e isto já nos bastaria para aquietarmos a alma...,
Todavia amando no seu amor entendemos a necessidade que temos de entender a Deus e o Que Ele de fato representa para nós criaturas. O nosso amor para com Ele não é nada comparado com a grandiosidade de Seu amor para conosco.
Sim! O Seu amor nos constrange profundamente e compreendemos nisso, que não somos consumidos pela facilidade de renovo de suas misericórdias dia após dia...
Portanto que fique discernido como principio espiritual mais elevado que se possa ter com Deus: O amor a Deus nos faz pessoas fortemente espirituais. E se viver-vivendo-amando no amor de Deus conheceremos a Deus e quem Ele é, e não apenas conheceremos o que Ele fará por nós, pois, Deus é AMOR!
E porque Ele é amor que ama a todos, Ele repreende a quem ama. Então meu irmão (ã) se está sendo provado (a) não desamine, mas persevera Nele. Confie em Seu poder e amor que não sofre variações e nem mudanças de estado.
O Evangelho de Cristo consiste em uma mudança de DENTRO PARA FORA...,
Quando evangelho passa a ser secundário, sem respostas, sem espírito, sem mensagem, sem saúde, sem cura, sem poder, sem salvação e sem revelação para quem ouve e crer. Creiam já se transformou em engano in-substancial para a alma. Ele deixou de ser o poder para salvação de todo aquele que nele CRER.
E daí em diante o que ocorre é a liquefez da alma...,
Quando expulsamos o pecado do nosso homem interior é que descobrimos que a necessidade de satisfazer os nossos desejos cruciais está em primeiro plano na vida de um cristão sincero que busca amar a Deus.
Só então quando correspondido ao amor recíproco, Deus estabelece o Seu reino em nosso interior e o nosso coração TRANSFORMA-SE, como num majestoso trono de Deus, cujo prazer do homem agora é ter comunhão e um relacionamento estreito com o Senhor.
É preciso lembrar de que Deus é Espírito?
É necessário afirmar de que somos seres perfeitamente imperfeitos?
E que doidamente como carnais desajustados procuramos pastos verdejantes e águas tranqüilas..., sedentos como a corsa pelas águas correntes para se deliciar..., Entretanto nos deparamos com um paradoxo: É-nos outorgado um lampejo da Graça para nos fazer compreender os desígnios e os pensamentos de Deus [mente de Cristo].
Portanto agora Cristo passa a ter o controle sobre o homem-ovelha nascido de Deus para brilhar feito astro no Mundo.
Se nos identificarmos como seres carentes e limitados por um poder superior, então compreenderemos o significado de haver um Deus de Amor infinito preocupado com a raça humana caída de seu estado original e perfeito.
Conhecer Jesus é tudo 19/10/2002.
Mano Serafim

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A cosmovisão do maluco beleza

“Um dia, numa rua da cidade, eu vi um velhinho sentado na calçada

Com uma cuia de esmola e uma viola na mão

O povo parou pra ouvir, ele agradeceu as moedas

E cantou essa música, que contava uma história

Que era mais ou menos assim:

Eu nasci há dez mil anos atrás

e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais (2x)”

Na cabeça (percepção) do maluco beleza (Raul Seixas), o próprio interlocutor (o velho sentado com uma cuia de esmolas e viola na mão) seria o “espírito” da História dentro do tempo e do espaço...
Enquanto que na mente de Nietzche, o "velho profeta de cuia e viola na mão" seria o Profeta Zaratrusta que viera antes dos tempos (rsrsrs!)...
Todavia deve-se considerar aqui, todo um vislumbre, cuja percepção esteja no plano animal e linear. Esta era a forma que o cantor via o mundão a sua volta.
Eu nasci há dez mil anos atrás” – frase que ecoa ainda hoje nos anais da história, mas pena que tenha sido interpretada erroneamente pela cristandade, a qual a define como demonismo cultural...
Uma alusão negativa que os cristãos (na sua maioria) fazem da figura de Adão, de Matusalém e do Diabo (ser impessoal) - Satanás, principalmente quando se afirma"eu nasci há dez mil anos atrás"(ai o cara que ouve  a música cogita quem de fato seria este espirito que viveu há dez anos atrás)...Mas a pergunta ainda persiste, quem seria essa pessoa que viveu há dez mil anos atrás?
No meu ver, seja algo que perpassa um relato sinóptico dos acontecimentos num mundo - em que o egotismo humano se instalou na Natureza (mudando a sua forma e estrutura natural de renovo) de tal forma que a sujeitou a tamanha vaidade e destruição.
É o bicho-homem (“primata”) civilizado se distanciando do amor e da graça do Criador nos atalhos de suas elucubrações sem a percepção de sua existencialidade e propósito de habitar neste Universo e seus Versos.

“Eu vi cristo ser crucificado

O amor nascer e ser assassinado

Eu vi as bruxas pegando fogo pra pagarem seus pecados,

Eu vi,

Eu vi Moisés cruzar o mar vermelho

Vi Maomé cair na terra de joelhos

Eu vi Pedro negar Cristo por três vezes diante do espelho

Eu vi,

Eu nasci

(eu nasci)

Há dez mil anos atrás

(eu nasci há dez mil anos)”

Representado pelo “espírito” da História, o velho “profeta” vaticina na medida em que o calendário retrocede até Moisés atravessando o Mar Vermelho, a pés a secos, juntamente com os hebreus (êxodo do Egito).
Eu vi Cristo ser crucificado” o calendário (cronos) pára – O Cristo de Deus se revela como um divisor de águas da História-História – o mundo contemplou um milagre histórico e acena para todas as gerações futuras, i.e., a ENCARNAÇÃO. Em seguida os fatos cronológicos se concentram posteriormente nas entrelinhas imaginárias do tempo, entretanto, a verdade é o que o amor tem sido assassinado de geração em geração sem os conteúdos do Evangelho da Graça.
Quando ele canta: “Eu vi as bruxas pegando fogo pra pagarem seus pecados”, isso se temporalizou e se corporificou na idade média( e nos formou filhos do obscurantismo religioso e pagão), em que a “igreja” condenou todas as práticas que seriam ilícitas diante da ortodoxia papal e de Roma. Na Idade Média, muitos cristãos sinceros e genuínos foram queimados vivos intitulados de: bruxos, alquimistas, magos e hereges... Verdadeiras nuances de um pseudo-cristianismo histórico medievo!
Ele também narra que flagrou Maomé se prostrando para receber as tábuas da revelação do Islã... Podemos recordar as cruzadas cristãs na Europa e Oriente Médio e delas subtrairmos nossas próprias conclusões – leia a história das cruzadas.
Eu vi Pedro negar Cristo por três vezes diante do espelho” – ora, segundo os evangelhos esta frase (sem a metáfora do espelho) do velho profeta na canção do maluco beleza, já havia sido predita pelo própio Jesus a Simão Pedro. E na história dos evangelhos revela que o homem sempre negará ao Cristo com suas atitudes e medos, ainda que o prometa verbalmente: “Eu te seguirei e se for preciso darei a minha própia vida pela tua causa!”

"E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais (2x)

Eu vi as velas se acenderem para o Papa

Vi Babilônia ser riscada do mapa

Vi conde Drácula sugando o sangue novo

e se escondendo atrás da capa

Eu vi,

Eu vi a arca de Noé cruzar os mares

Vi Salomão cantar seus salmos pelos ares

Eu vi Zumbi fugir com os negros pra floresta

pro quilombo dos palmares"

Nesta estrofe o poeta-místico, Raul Seixas faz uma viajem desde o berço das civilizações na antiga Babilônia (Ur dos caldeus, Mesopotâmia, Iraque –regiões que sempre foram palcos de guerras e conflitos na história do Oriente Médio) e arma sua tenda no quilombo junto aos negros fugitivos dos tempos do Brasil Colônia... Em outras palavras: É o desejo violento que o homem possui de manipular, oprimir e escravizar (como se fosse propriedade sua) o seu semelhante!
Em seguida ele contextualiza toda uma geração da qual ele faz parte - critica uma geração que dá crédito aos cinemas, a ficção e a aparência, deixando de lado os valores essenciais de uma sociedade realista e madura, embora o próprio Raulzito aderisse ao movimento hippie (movimento liberal contracultura eclodido na década de 60, cujo slogan que se propagava era - “paz e amor”).
O Drácula talvez simbolizasse o poder e a representação do Estado como um ente politizado vampirizado e espoliador dos cidadãos e dos trabalhadores...
O link feito entre Noé e Salomão configura duas gerações distantes, porém, com os mesmos desejos e anseios pecaminosos de sempre – Nos dias de Noé, segundo o A.T., o qual levou 120anos para construir a Arca (barca flutuante) e neste ínterim, o próprio Noé apregoava a mensagem “APOCALIPITCA” de Deus aos homens do antigo mundo. E não houve arrependimento de nenhum deles, e salvos foram exceto Noé; a sua esposa; os seus três filhos e suas respectivas noras, e cada casal de animais segundo a espécie que havia na terra nestes tempos antediluvianos (Segundo a Bíblia).
Com a mesma aridez espiritual se encontrava à geração petrificada e insensível ao chamado de Deus nos dias do rei Salomão, filho de Davi. Os “seus salmos cantados pelos ares” revelam a insensatez de uma geração doente e alienada de Deus (eles não davam ouvidos ao que era cantado como significado de sabedoria divina pelos lábios poéticos do profeta e rei) – imagine a sabedoria deste homem que compôs centenas de provérbios que eram verdadeiros ditames para um bom viver em harmonia entre os homens em sociedade [em relação ao próximo], no relacionamento submisso a soberania de Deus, e a natureza como peça de um ecossistema – logrando uma metanóia na vertente de total sustentabilidade e preservação do meio ambiente para as próximas gerações.
Salomão viveu a vida com toda a intensidade de um monarca na sua gloria e apogeu!
Ele discerniu que debaixo do céu tudo era relativo e que absoluto mesmo só quando a vontade de Deus era realizada na vida subjetiva do homem crente!
Um salto para a nossa história do Brasil colônia refaz uma arquitetura dos casarões e engenhos com as suas senzalas – diga assim de passagem, a maior de todas as humilhações que um homem poderia ser submetido - a escravidão!
Zumbir fugir” – Presume que cada gente; cada povo; em cada êxodo, cada pacto e em cada movimento, exige um líder, e Zumbi não poderia ser descredenciado das prerrogativas que o fazia um “messias negro” – liberdade e salvação para os seus consangüíneos era a sua ideologia, afinal o Cristo de Deus (universal) não veio primeiramente para os seus (judeus)???

"Eu vi,

Eu nasci

(eu nasci)

Há dez mil anos atrás

(eu nasci há dez mil anos)

E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais (2x)

Eu vi o sangue que corria da montanha

quando Hitler chamou toda a Alemanha

Vi o soldado que sonhava com a amada numa cama de campanha

Eu li,

Eu li os símbolos sagrados de Umbanda

Eu fui criança pra poder dançar ciranda

E, quando todos praguejavam contra o frio,

eu fiz a cama na varanda"

Aqui nesta estrofe, a história mais uma vez se resvala num arquétipo do próprio Diabo, aliás, na pré-encarnação do Anticristo – A figura de um líder enigmático e tirânico, Adolfo Hitler (inicialmente venerado por toda a Alemanha, inclusive, no inicio fora apoiado pelas igrejas: católica a protestante)
O nazismo emergiu das profundezas abissais de um coração totalmente desprovido do amor de Deus e de amor e afeto pela raça humana – tal sentimento de morte e ódio reconstrói a figura do Diabo de fora, neste caso, se tratando da pessoa de A. Hitler, o diabo é o que procede de dentro dos homens (coração perverso e vil).
Ora, Hitler, segundo relatos factuais, era uma pessoa extremamente possessa de ódio, morte e destruição! Ele se alimentava do ódio contra os semitas (principalmente judeus); negros e contra os homossexuais, aliás, o cara era um sociopata inveterado.
O fato de o “velho profeta” ter visto o “sangue que corria pela montanha”, nada mais se configura com as barbáries nazistas contra milhões de judeus na segunda guerra mundial.
Sonhos abortados e vidas ceifadas, não somente dos judeus e dos inimigos de guerra dos alemães, mas dos próprios jovens soldados alemães que “sonhava com a amada numa cama de campanha” (estavam na esperança de logo retornarem para suas famílias- mas a história foi outra)- tudo em nome de um homem doente obstinado pelo o seu ódio existencial e seu narcisismo...
"Eu li os símbolos sagrados de Umbanda" - o própio Raul era uma figura bastante esotérica, e neste verso ele declara a sua crença sincretista que vai de uma roda em terreiros de umbanada (tido como baixo espiritismo) ao "espaço sideral" num disco voador (acredita-se em uma força, na energia divina e cósmica que rege o Universo)...

"Eu nasci

(eu nasci)

Há dez mil anos atrás

(eu nasci há dez mil anos atrás)

E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais

não, não porque

Eu nasci

(eu nasci)

Há dez mil anos atrás

(eu nasci há dez mil anos atrás)

E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais

Não, não

Eu tava junto com os macacos na caverna

Eu bebi vinho com as mulheres na taberna

E quando a pedra despencou da ribanceira

Eu também quebrei e perna

Eu também,

Eu fui testemunha do amor de Rapunzel

Eu vi a estrela de Davi brilhar no céu

E praquele que provar que eu tou mentindo

eu tiro o meu chapéu

(eu nasci)

Eu nasci

(há dez mil anos atrás)

Eu nasci há dez mil anos atrás

(e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais)"

Nesta estrofe da música o cantor se desfaz de suas epifanias na História e surta diante das perplexidades e do absurdo que ambiguamente vive a humanidade...Na virtualidade, o homem procura se esconder da realidade do propio existir sem a volição de Deus. E aí a criação de um "avatar" que lhe personifique ( lhe parece ser uma boa idéia), ou mesmo lhe oculte diante da verdadeira realidade da vida e de seus problemas triviais...
Num olhar caleidoscópico de várias matizes, o maluco psicodélico refaz uma analogia do homo-sapiens com o primata não evoluído, o macaco. Ele diz que estava com os macacos na caverna e sua odisseia evolutiva se planifica no episódio dele ter ido tomar vinho com as mulheres na taberna...
Sim, nosso poeta pouco compreendido em sua época devido ao seu jeito louco de ser, pôde enxergar para onde e como caminha a humanidade..
O maluco beleza se foi deste mundo de maneira trágica e chocante – eu me atreveria em dizer sem nenhum preconceito e juízo, Raul sempre cantou (profetizou): “Eu que não me sento No trono de um apartamento Com a boca escancarada Cheia de dentes Esperando a morte chegar...” e da sua boca saiu o decreto de sua própria morte, posto que ele faleceu em seu apartamento com uma parada cardíaca, e sob suspeita de uma crise de pancreatite fulminante - (ouvir: música - Ouro de tolo)
Inevitavelmente e da maneira que ele escolheu viver intensamente e numa paranóia, teve suas angustias muitas vezes “supridas” com altas doses de bebidas alcoólicas e baseado de maconha (infelizmente), as “viagens” não puderam evitar a sua bronca e desaprovação com relação ao mundo e com as pessoas que fazem o mundo desta forma.
Decerto que desde cedo ele havia percebido que o mal poderia ser materializado pelas ações dos homens maus – daí o bom senso de andar na contra-mão dos maus homens que transformam o mundo, a terra e as coisas num inferno existencial.
Eu confesso que curti muito Raul Seixas, e desde cedo entendi que nem por isso deveria fazer coisas que ele fez ou fazia pessoalmente, eu apenas tentava entendê-lo (sua mensagem) nas músicas que compunha, as quais interpretava com seu jeito doidão e largado e com a sua voz rouca (muitas vezes desafinada).
Negativa-mente, Raul absorveu toda esta energia maligna que dissolve a alma humana, resumindo-a a pasta, sem solução alguma. Ele se desiludiu com a vida pelas obras dos homens.
O maluco beleza se perdeu no meio de seus devaneios e delírios diante da vida que logo mostrou para ele a sua realidade – nua e crua, proveniente do falecimento do amor metafísico (filos. Shopenhauer)...,
A minha intenção de ter comentado esta música do Raul e Paulo Coelho, talvez sirva como lição para que muitos de nós cristãos comecemos a olhar o mundo e as pessoas com outros olhos – ao invés de se olhar o pacote se atenha ao seu conteúdo!
O diferente não é um extra terrestre, mas um ser que procede da mesma Fonte de Vida que a sua... Considere os valores do próximo como se fossem também os seus, pois, para se viver em sociedade a soma de todos os valores cívicos e morais são essenciais para se construir um mundo onde as diferenças são apenas um detalhe, cuja percepção só enxergava no plano do imediato e do temporal. E o que for ético não se confunda com o que é estético e efêmero.
Pense Nisso!
E deixe de ser bobinho(a). (rsrsrs!)
Mano Serafim

domingo, 5 de setembro de 2010

Na solidão do deserto...



Eu vim te procurar na sequidão de um deserto.
Lamentar-se-á uma alma neste divã solitário – “Estou fraco e mui quebrantado; tenho rugido pela inquietação do meu coração” (sl.38.8).
Talvez, esteja eu, no rumo certo.
Há um sonho e há uma Voz.
Sim, não consigo avistar a ponte que me levará para o outro lado...
E como um vento preenchendo um vácuo recipiente, cujo invólucro envolve a alma – uma brisa bem distante traz uma voz ecoa das camadas mais profundas de minha alma cálida...
A sensação térmica mais parece ser de 45ºc. O meu cérebro parece não mais oxigenar ante a fadiga e dores que pulsam vulcanicamente de um peito doído...
Quem me conduzirá nesta jornada que já se tornara ofegante para a minha esperança?
Qual o nome a chamar?
Quem agora cuidará de mim?
Mas a voz insiste em vociferar de que os sonhos são meus, somente meus e de mais ninguém, posto que não haja mais ninguém senão eu a vaguear neste mar de areia da incompreensão do viver!
Vejo Oásis...
São apenas miragens!
A minha língua se apega ao paladar e o meu ânimo em prosseguir se exauriu sobre os meus próprios devaneios.
Não posso percorrer outros caminhos – não há outros caminhos a percorrer!
A gente pensa que vai ser feliz percorrendo outro caminho (se outro caminho houvesse) neste chão empoeirado da vida.
Não há, a perplexidade alerta: O meu caminho é no deserto - O deserto se tornou a minha existência.
Seguirei o rastro do escorpião nas dunas;
Desvendarei o caminho da serpente nas rochas – a voz mais uma vez me diz: Tudo em vão!
Aonde quer que eu vá às palavras se amalgamam com as vozes do árido deserto...
Rendo-me ao cla-Amor do Espírito, e desconjunto-me: Senhor ensina-me a ouvir a Tua voz e ensina-me a entender os teus sinais, pois, não quero errar mais...
Não discirno se são as minhas palavras que retornam ressoadas para mim, ou se o vento grita contra a minha alma árida e desértica!
Penso que seja difícil ao homem natural saber conviver com os paradoxos da fé!
Chorei, porque ninguém entendeu a minha dor...
Sinto que necessito ser preenchido no coração – porque te mostras indisponível a mim?
Eu sei que não mereço, mas eu bem sei que tu és amor, somente amor!
Porque te tornas insensível a minha voz-de-dores, a qual me impedes de prosseguir na peregrinação de um “hebreu” existencial?
Não ouço mais a tua Voz...,
Os temporais do deserto me arrebentam a fé...
Tenho desejo de teu fogo cortando a escuridão de uma noite fria...

...[...]...

Quando leio a História dos filhos de Israel- o bichinho de Jacó...,
Visualizo o teu braço forte os guiando pelo deserto das lamentações existenciais!
A voz que de mim emerge, sussurra-me: Ninguém é tão perfeito que consiga - Fugir dos olhos vivos do senhor..., o Qual pode ver ao mais profundo e profuso abismo, e até segredos que eu jamais revelei - Ele sabe cada um dos meus desejos – O que faço, onde ando e a quem procuro!”
Preciso de forças para crer que em algum lugar, alguém me espera!
Aprendendo com o silêncio do deserto...
Aprendo a lutar contra a minha própria alma no anfiteatro da sobrevivência.
Ora, e o que eu ganho e o que eu perco ninguém precisa saber...
Pode até parecer fraqueza - “Porque quando estou fraco então sou forte”- que seja fraqueza então...
A esperança é crer contra a esperança. A esperança do que se ver, esperança não o é...,
Mas se auspiciosamente desfaço a colcha de retalhos que molda a minha razão e lógica, espiritualmente me envolvo e absorvido sou pelo encantamento da Graça!
A Graça me faz entender o seu enigma; de que dela emana o Amor metafísico favorecido, o qual eu jamais mereceria se assim não o fosse – ou seja, é Deus abraçando o homem (a mim) sem exigir em ser abraçado!
E creiam, a cada dia a minha percepção muda no ambiente do confessionário subjetivo!


Nele- em quem existencialmente existo!


Mano Serafim 05/09/10

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Um estigma é quebrado pela excelência da graça

Historicamente se sabe que a antiga cidade Fenícia de Tiro (hoje o Líbano) era palco do progresso e das articulações comerciais marítimas (mediterrâneo) de uma época marcada pela prosperidade que abarcava um vasto comércio fundando colônias na costa e ilhas vizinhas do Mar Egeu, na Grécia, na costa do norte de África, em Cartago, na Sicília e na Córsega, na Península Ibérica e mesmo para além dos pilares de Hércules em Gadeira (Cádis).
No livro do profeta Ezequiel (592 AC - 570 AC) encontra-se algumas profecias contra Tiro. Todavia, é no cap. 28 que nos deparamos com algo mais sombrio. Deus envia o Profeta Ezequiel para profetizar a ruína e devastação de Tiro e de seu “Principado” (príncipe, potestade local).
O profeta compara o estado do príncipe de Tiro com o mesmo desejo deste ser impessoal, tido como o diabo, a velha serpente e satanás – o adversário.
O mesmo arquétipo de Lúcifer se instala no príncipe de Tiro. Leia a segunda parte da profecia de Ez. 28 e veja a analogia arquetípica entre ambos.
“Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor DEUS: Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônica, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados. Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti. Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti. Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu e te tornei em cinza sobre a terra, aos olhos de todos os que te vêem. Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; em grande espanto te tornaste, e nunca mais subsistirá.” (Ez. 28.12-19).
Ora, o príncipe de Tiro havia sido enfeitiçado pela sua própria arrogância e prepotência, e loucamente cruzou um caminho sem volta, o qual o resultou em total destruição e juízo divino sobre si e sobre toda a cidade, cuja península localizada no mar Egeu fora totalmente destruída pelos seus inimigos.
Daí o estigma criado até os dias de Jesus em relação às pessoas que pertenciam ás regiões de Tiro e Sidon.
Leia comigo:
“E, partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidom.
E eis que uma mulher Cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada.
Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós.
E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.
Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor socorre-me!
Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos.
E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.
Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Oh mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde àquela hora a sua filha ficou sã.”
Chamo á sua atenção para duas figuras nestes dois textos apresentados por mim acima (Ez.28 e Mt.15.21-28).
A primeira figura é a do príncipe de Tiro, cujo coração se tornou diabo, de tão malévolo que se tornou – de modo que a sua obsessão pelo poder e pela glória do mundo; pela auto-adoração narcisista e o seu egotismo fetichista, posto que o seu verdadeiro eu, o transformara num ser caído e soberbamente destituído da graça e da misericórdia de Deus.
Ele se tornara um adversário para Deus, desejando ser adorado como o Altíssimo (subirei no céu dos céus e me assentarei no seu trono).
A segunda figura é representada por uma mulher gentia, nascida na Fenícia (região de Tiro e Sidon). E que carregava uma ‘marca satanizada’ de uma cultura inexorável de uma época onde a boa fama, de ser um judeu e filho da casa de Israel poderia ter acesso livre ao mestre nazareno e suas promessas messiânicas. Embora esteja escrito nas Escrituras que ele tinha vindo para os seus e os seus não O receberam...
A mulher aflita pelo estado humilhante de sua filha fez com que a mesma insistisse em ser recebida por Jesus. É óbvio que nesta ocasião Jesus buscava repouso e anonimato com os seus discípulos, porém, a mulher rompe com o paradigma judaico (a salvação vem dos judeus e para os judeus) e se lança aos pés do bom mestre – “Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me!”. Imediatamente a voz do mestre invade o ambiente da perplexidade humana – “Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.” - ou seja, eu vim para os meus!
Parecia que o desejo de seus discípulos seria atendido por Jesus – “Despede-a, que vem gritando atrás de nós.” Disseram os seus discípulos sem compreensão alguma acerca de sua vontade.
Jesus reproduz um velho adágio entre os judeus: “Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos.”
O que ele diz a ela, senão?
Não é licito dar atenção aos que não sabem o que e a quem adoram e nem aceitam o meu testemunho que dou acerca de Deus – seria o mesmo que dar o que é santo aos cães e deitar pérolas aos porcos!
Certamente um adágio popular daquela época, que ambos conheciam o provérbio então dito energicamente por Jesus. De imediato, a mulher replica desesperadamente e com fé que provoca a Deus: “Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.” Isto é, os desprezíveis deste mundo louco e caído, e que não foram chancelados pela marca de Abraão, porém, serão chamados para se assentaram na mesa do Reino de Deus - ainda que nos sobejos que caem da mesa de seu senhor! Está Escrito : "Os últimos serão os primeiros"
Parece que esta mulher entendera o que os seus irmãos judeus não puderam entender – a mensagem do Reino é para todos os que crêem no Evangelho da Graça de Deus, pois, o Evangelho é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crer...
Creia! Deus vem em busca de todos...
Sejam loucos, endemoninhados, mancos, e aleijados de alma!
E para a surpresa de todos, mais uma vez o mestre é esmagado pela reação da fé humana diante do absurdo e do paradoxo[...]
De um lado, uma mulher desesperada e sendo esmagada por lhe faltar solução para a sua filha possessa por um demônio, e talvez, a mesma alheia a fé dos judeus e longe de discernir o que seria servir ao único e verdadeiro Deus.
Do outro lado a figura de Jesus representando o Deus da Graça e amor sendo esmagado pela fé e reconhecimento de uma mulher desprezível aos olhos da sociedade e incircuncisa aos olhos da religião.
O que este encontro nos ensina é que o Deus do universo não agüenta ver uma alma aflita de joelhos clamando por suas misericórdias – Ele atende ao aflito e ao contrito de coração.
Na resposta decisiva de Jesus a mulher – “Oh mulher, grande é a tua fé!”, percebemos o quanto a fé de uma pessoa pode transpor o infinito e se apropriar dos benefícios irrevogáveis do Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo!
Parece que naquele instante de fé e de graça sobre graça, a mulher Cananéia entendeu que o poder de Jesus poderia mudar qualquer situação nesta esfera linear e cósmica – algo, que jamais saberemos de fato o que, conquanto foi-lhe dado como PODER DE CRER NO POSSÍVEL DO IMPOSSÍVEL.
Sendo assim, Jesus a disse: “Seja isso feito para contigo como tu desejas.”- E o desejo dela era ver a sua filha livre do mal que lhe atormentava.
Ora, “E desde àquela hora a sua filha ficou sã.”

Nele, Aquele que dispensa o protocolo e despedaça os paradigmas,

Mano Serafim

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

De ver a dizer...

Se eu pudesse orar, agir e for assim...
Assim falaria e me justificaria diante do Eterno – Para me criar, e criar você, Deus tem que criar meio universo. O corpo e a mente de um homem formam um foco em que se concentra e se delineia até certo ponto. Então, desejaria que me transformasse num mancebo ignorante que aprende apreciando o sol e se alegra com os rios que irrigam este planeta...,
Sim, o sol nasce todas as manhãs e se vai logo, bem depressa para o lugar de onde veio – um mistério para mim.
Já os rios correm para o mar, contudo o mar não se enche; ao lugar aonde os rios vão, para ali tornam eles a correr.
Então vi que o ponto de total relatividade em relação ao mundo seria eu mesmo debaixo deste sol de cada dia e não o rio que corre na direção do mar...
O que foi; isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol, o que muda em nós, é o olhar quanto a percepção do ser.
Muita coisa passou despercebida diante de mim, e jamais me darei ao luxo de experimentá-las, pois, tudo é vaidade, embora, de vaidade a vida seja feita (isso não me tortura jamais).
Talvez, o enfado e o maldito tédio resultem no universo subjetivo do nosso egotismo!
Procuraria instrução e sapiência nos antigos escritos dos Vedas?
Eles serviriam somente para preencher o sarcófago de meu inconsciente e aumentaria a minha ansiedade pelos oráculos e mistérios de Deus...
A sabedoria humana fracassou quando o homem decidiu ser semelhante a Deus - “sois deuses” – está Escrito, porém, o ser-homem não conseguiu entender que ser deus, requer trabalhar, agir e fazer as obras de Deus. Somos semelhantes a Deus no trabalho porque toda obra tem origem nEle e é Ele quem determina o que devemos fazer, e não destino...
Há dupla intenção no trabalho: continuar o processo da criação e enfrentar as conseqüências do pecado. A obra original de cuidar do jardim não foi revogada pela Queda, mas por certo ficou mais complicada com a presença de espinhos e pragas.
Ora, talvez seja um convite para não somente arar a terra, mas preservar a Terra!
Certa vez me perguntei: o que de fato é ser feliz? Seria trabalhar estudar e entreter para poder acumular dinheiro e posses – e daí ter acessos aos mais diversos gostos e prazeres?
Percebi também que era vaidade – assim como ao homem que trabalha para comer e se vestir sem usufruir do luxo e das riquezas!
Ser feliz seria descobrir todos os segredos do universo e ocultar o meu mundo de fantasias dando margem para as mais ambíguas interpretações do próprio existir?
Entretanto percebi que ser triste é decorrente de uma instabilidade do próprio Planeta em que vivo, e por quê?
Por mais que pensemos que possuímos a “imagem de Deus” como uma metáfora controladora, o entendimento de nosso lugar no universo se desfaz, substituído pelo mito da auto-suficiência. Cada vez menos pessoas perguntam: “Qual o plano de Deus na criação?”. Elas querem saber: “como posso usar a criação para atingir meus objetivos?”.
Os propósitos deixam de ser avaliados em comparação com os de Deus. Simplesmente parte-se da convicção de que o que é bom para os humanos é bom para tudo...
Não! O que vejo é a dádiva de Deus sobre a vida do homem, o fazendo trabalhar, para que de seu trabalho ele viva e goze a sua vida hoje e amanhã morra...
A experiência determinou que o que plantar o homem, isso ele colherá!
A percepção é que o homem seja a semente, e o solo é este chão da vida onde todos nós nos encontramos e buscamos discernir... Muitos com muitas áreas da vida resolvidas e outros irresolutos, mas todos juntos no mesmo terreno, amassando o mesmo barro, e buscando ser feliz com a vida!
Na verdade somos residentes de um lar e não objetos em um ambiente. “Mundo” é mais do que objeto de estudo e uso. Ele é permeado por espírito – de Deus e meu. Somos parte do que conhecemos.
Fazemos parte do mundo, porém do mundo não somos, antes dele fomos escolhidos!
Desejaria ver o que e somente o meu espírito pode ver, pois, o terreno está fértil e a germinação de cada semente na terra exige um manuseio cuidadoso por parte do Agricultor – e nisso eu percebo sensivelmente “O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou”. Não por culpa do tempo, mas por causa de um coração que se refugiou na escuridão, como um eclipse lunar no interior de uma pobre alma aflita... Devemos ser objetivos?!
Quando Deus iniciou a Criação, ele parou, e num foco de criação e graça, ele formou parte do mundo: o homem interior que veio a ser carne!
Posto que Deus colocasse o universo no interior do homem e o fizeste ser um ser eterno.
Também vi debaixo do sol da in-justiça que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar de justiça iniqüidade – que partem como torrentes de ódio e de inveja do animal, homem.
Então julguei o que via... Aos homens Ele disse “sois deuses”, ou seja, vocês são juízes na Terra!
Olhei e vi que os animais são imitadores dos homens. Todavia, percebi que são os homens que se tornaram semelhantes aos animais!
Não busquei razão para o que vi e tentei compreender a motivação dos sábios-insensatos - a lógica se perdeu diante dos prantos dos inocentes e oprimidos pelos poderosos da terra.
Também percebi que os crentes não amavam a terra, nem suas fontes de vida e sustentabilidade de renovo... Eles vivem como quem viverá num “Céu”... E a preservação do planeta se guardará inutilmente para o “fogo do juízo”.
E as demais gerações?
Vi também que este pensamento global é vaidade e vaidade!
Outra vez me voltei e olhei o sol. Vi que ele não mais brilhava como antes, mas escurecia e esfriava ante as atrocidades de criaturas que não se encantavam mais com o seu fulgor incessante de cada dia, e nem contemplavam mais com o seu poente que trazia uma paisagem única a cada crepúsculo... Eles haviam se tornado robôs de suas ações e com todas as ciências humanas.
A contemplação do que é simples e belo no interior do homem se perdeu em meados de uma evolução rumo à pré-história na arte de amar.
Perdemos o desejo de viver como soldados de um ecossistema em expansão e paridor!
Voltamos constantemente o nosso olhar para o nosso EU - epicentro.
E o que vi foi à aflição do aflito...
A verdade seria encarar o que agora colhemos por nossos atos de insubmissão e rebeldia ás leis da natureza e de Deus – o nosso juiz-consciência alerta que seremos todos cobrados pelo que fizemos neste mundo; as suas criaturas e ao planeta em que vivemos.
Ora, se somos parte deste mundo e desta natureza seremos argüidos como um todo. Ainda que não consigamos descobrir e desbravar o mundo plenamente.
Conclui que tudo é vaidade nesta existência, não porque deveria ser assim, mas porque a tornamos deste jeito, pois, Deus criou o espírito do homem reto, mas ele procurou invenções para além da Graça e do amor do Criador.
Portanto a Deus tudo pertença nesta vida. E ao homem que é bom diante Dele, Ele traça um caminho de paz, alegria e contentamento. Ele o torna uma semente híbrida que semeará sabedoria, amor e paz na seara do bom existir. E nisso não há aflição de espirito. Mas, amor e segurança pra sempre.
Pense nisso!
E seja uma boa semente neste chão de baixo deste sol onde ainda brilha o Sol da Justiça de Deus!

Mano Serafim 26/08/10

sábado, 21 de agosto de 2010

O alto-Altar pela Graça...

Num dado momento de minha ignorância espiritual tentei decididamente olhar para cima e delinear a “escadaria” rumo ao Céu, mas os meus pés vacilavam neste chão da relatividade real... Projetei um olhar no horizonte da Criação e percebi que todo homem que se diz um ateu, ele também escolhe um deus.
Posto que as suas forças estejam nos seus atos e ele se vale somente de seu saber racionalizado...
E na maioria das vezes, um ateu é um crente traumatizado com o deus da religião!
Ora, a ordem de Jesus seria que pregássemos o Evangelho do Reino de Deus aos homens. Mas como?
O Evangelho transcende ás minhas expectativas caleidoscópicas!
Como posso traduzir algo que seja vertical e multidimensional à horizontalidade humana? – “Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?” (Jo.3.12).
Também percebo que na maioria das vezes, o meu egotismo mancha a mensagem de Cristo e termino anunciando o meu eu-evangelho cheio de fragmentos e pigmentos limitados!
Mais parecido com um mago que busca a Deus, não por Deus, mas o busca e o vasculha pelo poder de Deus. E tendo o conhecimento do poder de Deus passar a “domesticá-lo”.
Daí surge a silhueta de um galileu desprezado pregando nos guetos e nas favelas de Zebulom e Naftali (Galileia dos gentios) – “ As regiões de Zebulom de Naftali viram uma grande luz”
Daí o sentido verdadeiro de falar de uma Justiça que transcenda a justiça dos homens!
Daí a idéia única e perfeita de haver um Único Salvador que mostre o Caminho para quem caminha em busca de um horizonte vertical - “Eu sou o caminho”.
E para um simples judeu(Natanael) fora revelado uma ESCADARIA para a dimensão celestial – Um portal para outro mundo invisível, porém, real. E indivisivelmente separado deste mundo criado!
Na Cruz de Cristo está o logotipo para a visualização de todos os que se arrependem e crêem no Evangelho nesta existência!
Na haste vertical da cruz do nazareno anuncia o amor a Deus acima de todas as coisas; de todos e de si próprio. Este se culmina no primeiro e maior mandamento de todos!
Na haste horizontal da cruz do nazareno anuncia uma comunicação visual no que se traduz para a nossa compreensão ; AME AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO, ou seja, faça tudo ao seu semelhante como você gostaria que fosse feito a seu favor!
Este é o único nó que prende os cristãos ao Evangelho - o Amor. E se este amor bilateral não for compreendido ou discernido pelo cristão, ele corre sérios riscos de estar negligenciando e assim quebrando a Lei do Amor de Deus!
Mas aqui eu insisto, e apesar de perplexo, estou a descobrir a linha vertical deste novo horizonte, porém, com os olhos bem abertos, vejo os anjos subindo e descendo sobre o Filho do homem... E o que sobe ao meu coração é a mesma realidade vista por Jacó – Israel sonhou com Deus e viu uma escada que lhe dava acesso ao Céu. Portanto a minha procura acaba aqui, Ele, Jesus Cristo é a Porta, a Escada, e o Caminho... Para o Céu da eternidade em Deus!
Pronto me achei, aliás, Deus me achou, pois, é Ele quem busca o homem, e não o homem que o escolhe como Deus de sua vida!
Eh aqui está o ponto de parada de Deus – Betel..., cuja Face eu estou - e cuja performance me revele o coração quebrantado!
É extraordinário e simultaneamente estonteante o que se entende sobre o que já era desde o começo. Num lampejo de glória me é revelado que é fato de que o Cordeiro foi morto antes da fundação do Mundo, pois, só então, e desta forma entende-se que a Graça seja o maior motivo da Criação de amor do Pai. Aliás, devo assim entender de que a REDENÇÃO VEM PRIMEIRO QUE A CRIAÇÃO; pois, só poderia haver criação se Deus já tivesse redimido por sua maravilhosa Graça atuante o que haveria de ser hoje Nele!
É por isso que eu creio que mesmo ANTES de ser dito:"haja luz" foi estabelecido "Haja Cruz"- é discernir de que ANTES da fundação do(s) MUNDO(S), Ele (Jesus), o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo havia sido IMOLADO antes dos tempos (cronos) que se chama historicamente: tempo, HOJE.
Se eu crer ao contrário, incorreria no mesmo erro do poeta Cazuza em profanar no íntimo sagrado: "Nós somos todos cobaias de Deus!"
E quanto ao meu discernimento de agora?
Meu coração então, resoluto, decidiu certamente em te amar, amar ao Deus de amor...
Quanto mais eu conheço ao senhor (que chamo de meu) - me envolvo mais e mais com o seu amor. Inevitavelmente me aproximo deste “Seu-Altar” – me propicio a servi-lo e adorá-lo na beleza da sua Santidade. E a minha alma sabe e responde: custe o que custar!
A minha vida-Ser é um Culto racional na peregrinação do próprio existir na vertente-verticalizada de sua verdadeira presença na terra – que como sacerdote, (n)um mistério me aproxima novamente deste altar virtual, toda-VIA, real na comunhão mística com Deus...E serve também de testemunho para os homens!
A tua Graça me faz erigir um novo altar ambulante e que se edifica para dentro e para a verticalidade espiritual do absoluto, pois, sacerdote santo, tu a mim , me tornou...
O teu rosto desejo visceralmente beijar e aos teus pés arrependido me ajoelhar!
Não compreendo o que me une a Ti, digo: o relativo ao Absoluto. Mostre-me tal relação se posso compreender...
Acredito na Tua promessa de que nenhum mal noturno me envolverá, e o inimigo não me tocará - como sacerdote, eu subo neste “ALTAR”, consagrando todo o meu ser...
Portanto, toda a minha alma-vida eu entrego neste “Seu-Altar”, sim, tudo o que poderia me exaltar, e o meu ser de Ti, se separar...
Logo eu que tenho conhecido o teu poder, e sei que a Tua Destra me poderá suster..., E a cada DEGRAU que subo deste alto-Altar quase posso te tocar!Peço então a Ti que venhas logo em me socorrer!
Penso que ninguém tenha a obrigação de NÃO O QUESTIONAR... Pois, Jó des-graça-da-mente questionou a Deus, e não pecou contra Deus(disse Deus acerca de Jó).
Mas o meu quebrantado coração fez um compromisso em te amar e viver da minha fé - tendo compreendido o Teu poder!
Pai! Agora subirei neste Altar; e nova-mente me sentirei (n)este altar!
E permita-me só mais uma coisa a declarar:
Necessito da tua Graça em meu Viver!

Mano A. Serafim

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

UM é o homem de Rm.7 e OUTRO é o homem de Rm.8

Perguntaram-no: “Você é um cristão?” – depois de alguns segundos em silêncio, ele respondeu: “Hoje eu não estou sendo”. Posto que houvesse muito tempo que ele não pregava  mais o Evangelho com a energia que Deus lhe dera; não mais se envolvia com o Reino como deveria; e não mais cria que poderia fazer algo de interessante em relação ao simples Evangelho de Jesus Cristo...
Ora, ele havia se esfriado na fé, na verdade não se sabe se o seu arrefecimento espiritual se deu por causa da multiplicação da iniqüidade ou porque o seu amor havia sido cristalizado...,
Não se sabe o que de fato existe nele hoje, se o que há se con-figura como a Era do amor gélido ou se o amor visceral do Espírito havia se extinguido dentro dele...,
Posso sugerir uma análise de dois homens em um só!
1- O homem de Rm.7 – é o crente que ainda não chegou ao capitulo 8 de Romanos.
Ele não morreu para a Lei, e pela Lei está amaldiçoado a viver feito um crente zumbi-ficado pela condenação do existir pecaminoso!
Ele ainda não entendeu que na morte de Cristo o seu corpo também deveria morrer juntamente. E na ressurreição de Cristo o seu corpo ressurgir dentre os mortos - os mortos que ainda continuam vivos para o mundo e suas concupiscências passionais.
O homem de Rm.7 vive a milícia legalista, ele não consegue se divorciar da força de morte da Lei, ele não descansa na Cruz que traz a benção para a sua vida. Ele não consegue ver na obra da Cruz o que foi feito por ele e o que já está feito para ele (consumado).
Ele está sempre em busca de “agradar” a Deus, imprime um esforço de ser santo, de ser fiel, de ser obediente às ordenanças de Deus, cuja motivação sua, seja o medo de quebrar a Lei que a sua mente transgride inconscientemente.
O medo de não ser perfeito em seus passos na direção de Deus é a grande paranóia existencial. Decerto que o conhecimento do pecado veio através da Lei, mas a força de morte da Lei é desfeita em nós (nosso corpo) pela ação contínua (dAquele que tornou-se maldito na cruz – o Próprio Deus), a qual produziu a Graça de Deus na morte e ressurreição de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.
O homem de Rm.7 tem na Le(i)tra um espelho que o revela suas entranhas feita em trevas e pecados. Daí o fato: “E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri.” (sabe-se, portanto que a lei jamais poderia ser perfeita-mente cumprida ao pé da LE(i)TRA). Subentende-se então, que a Lei era um AIO (professor) para a Graça!
Todavia o religioso se esforça debalde para vivê-la paranoica-Mente!
Conquanto se discirna no coração: “E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte.”- Mas porque? Porque o entendimento que o homem-crente-legalista na situação existencial de Rm.7, embora a caminho de se tornar o OUTRO homem de Rm.8, tem é que: “Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço”- O cabra tenta racionalizar o mandamento espiritual com tal condição de sua natureza caída, cujo pecado que lhe é inerente.
Aí ele diz em profunda conexão com a sua alma: “Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado.”
O que lhe falta é uma inclinação para o que espiritual o é. Posto que o seu discernir se planifica no que sensorialmente se percebe no seu intuir e no própio discernir ante ao absurdo que invade a sua alma.
Seria acreditar absolutamente no poder absoluto de Deus. Pois, Deu é.
Daí poder se chegar a tal discernimento espiritual e dizer para fora: “De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo.”
Embora, o crente esteja "morto" para o pecado, o crente peca (paradoxo)!
A morte trouxe vida a Lei. A Lei mesmo sendo santa tornou-se morte para todos, “Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou.” Mas a consciência gerada em nós pelo Espírito Santo testifica em nosso espírito, e nos faz entender: “Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo.”
E daí?
O mal que a Lei nos trouxe fora extremamente BOM, pois, a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom!
Logo tornou-se-me o bem em mal ou o bem em morte? De modo nenhum; mas o pecado (natureza adâmica), para que se mostrasse pecado(se neste estado eu morresse), operou em mim a morte pelo bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno. É para esta consciência que o Evangelho convida o homem-crente que permanece no cap. De Rm. 7 e ainda não se lançou para o cap.8. (RSRSRS).
Então alguém pergunta: “E o que importa tudo isso?”
O que vale é que o meu homem interior evolua e cresça em Cristo e o homem carnal e “carma-mente” preso pela lei do pecado se aniquile consciente-Mente!
Ora, o proceso continua em fé e na confiança da Graça de Deus que confirma o entendimento que Paulo possui de sua condição de morte em relação a Deus: “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?”
Por outro lado, o homem-crente-carnal GLADIADOR de Rm.7 é impelido pelo Espírito Santo para vivenciar o homem espiritual de Rm.8. O qual o coloca num estado sem CONDENAÇÕES...,
Quando se chega ao capitulo oito de Romanos, se entende que é possível DAR GRAÇAS A DEUS POR JESUS CRISTO.
E por quê?
Porque nos é dado um entendimento de que o conhecimento do Evangelho é a Sua lei de amor para todo aquele que crer e vive enquanto houver amor - E ama amar enquanto se possa viver. E ainda se pode viver neste mundo infeliz, porque Ele ainda nos ama!
Podemos servir a Deus com este entendimento o qual nos proporciona a liberdade de ser em Deus - e a negação e repúdio deste entendimento nos acarretam um serviço carnal à lei do pecado de morte (maldição). É viver ou morrer para Deus!
2- O homem de Rm. 8 - é o homem espiritual que não se deixa vencer pela milícia profusa do espírito e da mente (alma). Ele se escancara para a ação do Espírito Santo em seu ser que está em Cristo Jesus; ele entende perfeitamente que foi adotado pelo Espírito da Adoção; e que agora verdadeiramente se entrega aos seus cuidados para sempre [este de fato descansa na paz Shalom de Deus]..
A sua inclinação agora são para as coisas do Espírito, Ele discerne existencialmente que está livre de qualquer condenação estando Nele, e conhece desde já que a lei do Espírito é de VIDA e não de morte!
O que antes o impelia para “carma-Mente” obedecer ao destino da Lei da morte enferma pelo pecado na carne, agora fora desfeita pela Encarnação do Filho de Deus – Deus enviou o seu Filho em forma humana para desfazer o CORPO CORRUPTÍVEL e de morte, sendo assim, condenou o pecado na carne fazendo de Jesus carne semelhante aos homens, porém, sem pecado.
Portanto o pecado foi condenado na carne de Cristo e exposto no madeiro – sendo assim a Lei foi sumaria-mente assassinada no Seu próprio corpo mortal!
Ele simplesmente matou a morte e deteve o poder de morte do Diabo!
É a história de quem se tornou voluntariamente Réu do réu...
É Deus tomando o lugar do homem e advogando a seu favor diante do tribunal divino!
Daí o fato de quem está vivendo na carne não poder agradar a Deus no espírito, ele pode até se "esforçar" em agradar a Deus, semelhante ao homem de Rm.7[ora a sua mente digladiava com o seu entendimento por causa do pecado que lhe era imposto], mas na essência falta-lhe a existência de estar agradando ao Pai. Não há meio termo no evangelho, o “cabra” é ou não o é. Ele vive segundo o Espírito e anda no Espírito ou ele simplesmente não está em Cristo - se de fato o Espírito habita nele..
E é verdade para quem anda segundo a lei do Espírito, este não vive na prática do pecado, antes o guarda e anda como Ele andou. Guarda no sentido de não praticá-lo como dantes vivia preso e dado ao inconsciente coletivo de morte fazendo-se inimigo de Deus e amigo do mundo!
O guarda, não para se tornar devedor e refém da carne, haja vista que se assim viver morrereis (o salário do pecado é a morte), mas não o pratica para que por intermédio do Espírito toda a obra do corpo seja mortificada, e sendo assim vivereis.
Ora, mesmo eu sabendo que peco e que pecado sou, não darei direito a minha carne para pecar contra a minha consciência regenerada pelo Espírito Santo. Eu seria um hipócrita se dissesse que seria fácil viver sem pecar, porém, não é impossível obedecer a Deus em tal condição adotiva em que me encontro.
Ainda que o gemido da criação seja agonizante, mas a soberania e a bondade de Deus nos fazem andar com esperança, mesmo trôpegos no andar pela vereda apertada; e falhos no amar ao próximo.
As mazelas de o próprio existir nos acenam para as dores de uma mulher em trabalho de parto, porém, o Espírito nos ajuda intercedendo em nossas fraquezas e nos alimenta na esperança de serem revelados os verdadeiros filhos de Deus nesta existência.
E nisto ressoa o chamado do Senhor para aquele que o via de maneira inteiramente subjetiva- e independe de o crente está em processo contínuo de transformação de mente e coração, porque "E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos"
E, "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito."
"Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos."
"E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou." Sendo assim, o cabra crente se pacifica e se tranquiliza existencial-Mente em Jesus...! Este é o homem do cap. 8 de Romanos.
E finalizando : "Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou".
Ah, então a pergunta do interlocutor persiste: "Você é cristão?"
Enfim ele o responde: "Sou apenas um ca(b)ra que creu no Evangelho!".
Mano Serafim

domingo, 8 de agosto de 2010

Os Jó(s) desta existência...


 
---------- Forwarded message ----------




From: anonima@ig.com.br
Date: 2010/06/10
Subject: Os Jó(s) desta existência...
To: alfredoserafimanjo@ig.com.br


Mano, CÁ ENTRE NÓS, eu estive em SSA antes de ontem e vi, de longe Rosinha, fiquei um pouco abatida, apesar de crer na Soberania de Deus. É que, segundo a prima, ela está sentindo algumas dores e já ficou sem cabelo. Inclusive a auto-estima dela anda meio baixa. Vamos pedir a Deus para que ela não fique depressiva, isto só complicaria. Mas vamos aguardar...


Abraço,


Anônima
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RESPOSTA:


Quanto a Rosinha, a queda do cabelo deve ser um 'efeito-colateral' da quimioterapia (coquetel de remédios) ou da radioterapia, ambas combatem o câncer...
Ambas podem ser empregadas juntas para curar certos tipos de câncer.
A radioterapia usa radiação ionizante através de máquinas específicas, direcionadas diretamente sobre a região afetada com o intuito de destruir as células afetadas, apesar de afetar células normais, causando efeitos colaterais.
A quimioterapia não usa máquinas e sim apenas medicamentos que agem de forma intensa em células que nascem e se duplicam rapidamente. Assim como a radioterapia, os medicamentos usados no tratamento quimioterápico também afetam as células não cancerosas, causando também efeitos colaterais como queda de cabelo, anemia e sangramento.
Atualmente, com a evolução da medicina, muitos medicamentos conseguem minimizar bastante os efeitos colaterais da quimioterapia.
Mana, quem poderia se olhar no espelho e esteticamente se agradar de sua aparência neste estado?
Lembra da mulher de Jó?
Que ao vê-lo degenerando e sofrendo, ela surtou e disse: "Nega a seu Deus e se entrega a morte!".
Todavia, assim como você mesma disse com fé: "creio na soberania divina" - Jó também creu, mesmo não sabendo do que seria o seu destino nas mãos de Deus!
E Jó diante de total perplexidade e absurdo. Confiou nAquele que pode refazer músculos, tendões e ossos em quem já não possui mais, Ele pode ressuscitar os mortos...
E Jó creu que havia um REDENTOR VIVO em algum céu desta existência, pronto e disposto a salvá-lo...
Mana, eu creio em milagres nesta existência, creio nos milagres de Deus e no milagre da medicina!
A minha mãe é um milagre de Deus para a medicina... Ela não sabe nem pregar a Palavra, é tímida, é in-culta Teologicamente, mas possui a célula nuclear da fé curativa....explico:
Ela já vomitou uma 'verme' que estava alojada há anos no seu estômago, ela foi aos especialistas para saber o que tinha, e nenhum deles descobriu nada, chegaram até a dizer que ela estava hipocondríaca....
Certo dia ela estava molhando o jardim de lá de casa, e orando (pedindo a Deus que lhe mostrasse que mal era aquele que lhe incomodava há anos) e então ela vomita uma 'verme' (acho) e em seguida a colocou num vaso para mostrar ao médico. Ela tb já passou por diversas cirurgias, e atualmente foi submetida a uma cirurgia para retirar um câncer no estômago, e graças a Deus ela está curada, os médicos retiraram toda a região afetada, e nos exames não foi mais detectado nenhum tipo de câncer! Glórias a Deus!
Graças a Deus pela ciência da Fé e pelo milagre da medicina!
Porém, eu sei que nem todos serão alimentados - milhares morrerão de fome; eu sei que nem todos serão curados - milhares morrerão de pestilências... E vejo tudo isso como a Graça de Deus sobre a humanidade sem distinções e acepções!
A dês-graça pode ser um caminho em que Deus utilize para instalar no ser do 'desgraçado' a sua maravilhosa Graça, e, é a Sua presença que nos faz confiante que a cada dia o seu favor de existirmos e de nos fazer conhecê-Lo, já é o suficiente para discernirmos o Seu amor e bondade eterna.
E esta é a razão que nos põe na dependência da Graça de Deus, e em saber que o mal de cada dia é combatido pela bondade e misericórdia de cada dia, e onde a Graça chega primeiro!
E ainda assim,
Muitas perguntas não serão respondidas, nem pela ciência e nem pela fé!
Especialistas (oncologia) dizem que existem tipos de câncer que atingem pessoas jovens e a sua degeneração ocorre avassaladoramente mais depressa em relação às pessoas mais velhas... É infelizmente o caso de nossa irmã Rosangêla.
A vida nos surpreende a cada instante debaixo deste sol da relatividade, entretanto, a sabedoria ensina quanto à solicitude pela vida abundante: "vá e viva a sua vida como ela tem que ser vivida, vivida como a vida se apresenta para cada um de nós"...
Significa em amar a Deus, a si próprio, ao próximo mesmo não sendo tão próximo de nós, e cultivar o simples viver!
Aquele que vive na esperança de uma nova pátria onde há justiça, verdade e eternidade, as outras coisas se tornam secundárias.
Ora, eu bem sei que não é nada fácil, porém, esta é a consciência que deveríamos possuir em Deus e do Evangelho!
Quando se entende e se aceita crendo no coração que a maior dádiva de Deus é a vida eterna e que se recebe ainda nesta vida probatória, o individuo 'sofre' menos deste tédio existencial que se tornou a vida para a maioria das pessoas...
Sim! Jó, eu, você e a nossa flor rosa-Rosinha estamos imbuídos e dentro deste Plano de Salvação do Eterno - mesmo sujeitos as calamidades e as doenças desta vida , todavia, sabemos e confiamos na vitória em/de nosso Vivo Redentor e Deus!
Existem muitos outros Jó(s) por aí...
Ela, a flor-Rosinha rosa, que é um desses Jó(s) desta existência - precisa de nossas orações e amor!
Nele, quem diz que é, por que o é,
Mano        10/06

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O Verbo-tem-voz e o espírito-tem-alma...

No principio era o Verbo, e o Verbo é... É porque Deus não era ou nunca deixou de Ser, Ele é Eternamente quem é...
E a palavra de Deus é também verbo de Deus em ação na imanência da Criação – “haja luz”, esta foi-é a sua voz no silêncio cósmico da Criação.
O Verbo estava com/em Deus, e o próprio Verbo era-é Deus.
Deus como o Verbo de si mesmo, fala de si mesmo, e para si mesmo se converge como a Escritura da Voz-espírito- Palavra que é...
Deus não possui começo e fim, embora tenha se pronunciado na História, como Quem é - “Eu sou o alfa e o ômega”, porém, no inicio a Palavra era o mesmo Verbo e Deus faz uso da Palavra para revelar-se na Voz que é - logos.
Deus é o Verbo, logo - o Logos é a Palavra de Deus, e Deus por sua vez, se expressa pela sua Palavra- Logos-razão a mente humana, como o Verbo que se fez carne - Jesus [espírito vivificado que possui alma]...,
Daí crer-se no Logos-fé, cujo silêncio divino é subitamente preenchido com voz, e voz com significado – a Voz que passeava pelo jardim do Éden e comunicavagava com Adão; a Voz que guiou a Abr(a)ão no deserto – A Voz que se fez presente num homem que pôs o mundo inteiro de cabeças para baixo, sim, na pessoa de Jesus Cristo de Nazaré, pois, disse Paulo – Toda a plenitude da DIVINDADE HABITOU corpo-oral-mente nEle. É Nele e através dEle que o Deus-Logos-Pai tem nos falado ultima-mente...,
-- Só o pensar em Jesus já é como se Deus falasse, formando idéias sobre si mesmo em minha mente, respondendo a muitas questões e preenchendo grande parte de meu anseio.
Então, me vejo na razão que me re-faz a lógica do Logos de possuir algo mais além do que uma cápsula mortal e limitada, cuja via seja a linearidade.
Ora, Jesus havia dito nos evangelhos, que as suas palavras eram espírito e vida, para mim significa a-temporalidade!
Portanto, quando pronuncio ou escuto o nome de Jesus, penso em Deus como mistério e também revelação, e como prova disso – Ao clamar por Ele, especialmente nas lutas, passamos a conhecê-lo como um Deus de segredo e revelações, mas bem de perto e sussurrante...,
Quando pronuncio o nome de Jesus, ou quando o ouço, imagino Deus revelando a si mesmo, e me convidando a conhecê-lo. Este nome não sugere apenas revelação, como também mistério, pois, ao pensar em Jesus, a voz de Deus me diz que Ele necessariamente espera ser entendido.
Todavia o Verbo se fez Carne e habitou no meio dos homens- é Deus em Cristo Jesus chegando mais próximo da humanidade como jamais poderia ser...,
E mais, cheio de Graça e de Verdade. Talvez a vontade de Deus seja revelar-se na Palavra que Verbo é – mas Ele sabe que podemos rejeitar ou mesmo ser incapazes de aceitar a verdade (paradoxo). Ainda que, Jesus insista em afirmar “Eu e o Pai somos um”, ou “Quem me vê ver também a meu Pai”.
Não posso ler os evangelhos sem sentir os limites da linguagem, da mente, da emoção e, certamente, da fé. Jesus expressou o que podemos chamar de frustração, quando os seus discípulos ficavam “difíceis para ouvir” e “lentos para entender”.
Eles não assimilavam a idéia, dEle sair de Deus como a Palavra que não retorna vazia e oca de sua existencialidade de propósito espiritual, e de seus conteúdos eternais quanto as suas energias vitais ao espírito humano.
E o que é impossível ao homem é possível a Deus. Deus corporifica a Sua mensagem sem verborragias e a encarna no Filho, ou o Filho incorpora a Mensagem como sendo o Espírito da própria profecia ao discernimento humano. O homem espiritual compreende as coisas de Deus, já o homem carnal não as entende. Visto que crer-se que a autoridade e sabedoria do Cristo sejam provenientes Dele mesmo ser Deus e possuir uma mente eterna já chega ser o suficiente para estar convencido de que Ele, Jesus, é a Palavra-Verbo-Logos Encarnado do Deus Eterno. Somente o Espírito para justificar e revelar ao espírito do homem tal mistério – que revelação é.
Conquanto, o homem natural não poderá entender que  agora escrevo, e só discernirá se amanhã, ele se abrir para o Evangelho [eu também sei que existem muitos crentes que não entendem o que aqui escrevo].
Jesus não era somente o Verbo Dito, mas Escrito, e tudo que aconteceu antes Dele, acenava profeticamente como haveria de se cumprir na História da Redenção – profetismo hebraico.
Eram as profecias sendo vaticinadas como se narra a História de maneira contrária[o profeta é um historiador que já anuncia os fatos hostóricos antes dos tempos], ou seja, a profecia se identifica hoje como a História, e a "História da Redenção da humanidade" foram anunciadas antes mesmo de se fazer história-História... Veja Jesus como o ponto de referência para a História...,
Quando Ele olha para trás e se vê metaforicamente (logos- escrito) nas páginas do Antigo Testamento, i.e., de tudo que foi escrito a seu respeito por Moisés; pelos antigos profetas; nos salmos... “o que está escrito a meu respeito terá que se cumprir", disse Jesus. Isto significa que muitas profecias históricas se cumpriram na Encarnação de Jesus (Verbo-Logos).
Ora, A palavra de Deus é espada flamejante para alma e para o espírito do homem, ela faz distinção das produções da alma e seus pensamentos e dos frutos do espírito.
A sua lâmina penetra profunda-mente o limiar que separam as juntas das medulas – o que concerne ao homem natural e ao homem espiritual.
E se há um limite entre espírito e alma humana, deve haver também uma compreensão de ambas as parte que formam o homem. O homem almatico (psique), e o homem espírito vivificante - Ele é convidado a andar segundo a volição do Espírito Santo em seu espírito recriado). ver: Rm.8 e Gl.5.
Na minha ignorância ante o absurdo me faculta o pensamento ao Logos-da-razão de Ceu e Inferno – já que possuo uma consciência e nem depois da minha morte física deixo de possuir uma consciência existencial desta vida e dimensão, pela qual serei julgado.
Por outro lado, o Logos-da-lógica me revela a perfeita igualdade do Logos-Filho com o Logos-Pai. Desta forma me põe/propicia ao paradoxo da minha natureza humana participar no Logos...
Penso que não há como separar a minha psique-alma do meu espírito-recriado!
Quem assim descobrir, que me fale!
Serei mui grato...
Até aqui a Sua Palavra em Graça entranhada em meu cerne já me basta!
Mano Serafim