sexta-feira, 10 de junho de 2011

Uma moral cingida de folhas de figueiras...

Por Mano Serafim


Todas as vezes que me ponho a meditar no livro de Eclesiastes faço-me uma pergunta: Por que Salomão, que demonstrou tanta sapiência ao escrever Provérbios, passou os últimos anos de sua vida contrariando todos os seus pensamentos?
Talvez tenha ele vivenciado uma crise de meia-idade?
Num mundo sem Deus, o melhor de se fazer seria colocá-lo no mundo, a menos que Deus em relação ao mundo não seja um Soberano!
Para além do bem e do mal, a verdade é que ninguém de fato sabe ou difere o bem do mal e vice-versa. Deus sabe discernir o bem do mal e o mal do bem, somente Ele possui esse conhecimento de verdade.
O homem através da moral procura descobrir a perfeição do si mesmo.
É fato de que a moral se inicia onde nenhuma condenação exterior se impõe. Ninguém, moralmente falando, pode ser julgado a não ser pela própria consciência. Saiba que a regra moral aparece quando, em situação de invisibilidade exterior, o ser humano continua a se impor ou a se proibir, não por interesse, mas voluntariamente. Só isso é estritamente moral.
Um exemplo claro disso foi à sua condição psicológica do homem do Éden ante a Queda – o fruto de uma consciência eterna ética-moral foi à restrição de não se comer do fruto proibido!
Adão se viu nu em razão de se sentir despido de uma consciência (santa) própria e não de uma exigência social que o impusesse a uma retidão rotulada!
E mais, cingindo-se ele com as folhas de figueira pela perda de “ingenuidade” moral, seu único subterfúgio seria fugir da presença de Deus...,
Realmente, a moral incide em uma relação de si para consigo, tendo em conta os interesses do próximo, sem recompensa, nem castigo externo. Assim, pode ser definida como o conjunto de normas, através das quais uma pessoa impõe-se ou proíbe-se a si mesma, evitando lesividade a si e aos outros. Exige, para além de obediência às regras das ciências jurídicas e sociais, a observância consigo mesma da normatização, insculpida, em forma de desing na própria consciência.
Não há moral absoluta, como não há verdade absoluta. Ademais, há diferentes morais, tudo a depender da educação, da vivencia social, da religiosidade e da cultura que os humanos viveram; introjetaram e elegeram como princípios éticos.
Certa vez escrevi um artigo cujo titulo: “O grassar da Graça nas entrelinhas das Escrituras”- no artigo que escrevi tentei provocar os leitores para uma percepção diferente do padrão moral imposto pela nossa cultura cristã. Tentei mostrá-los que Deus é um Ser A-moral a quaisquer morais fabricadas aos delineamentos filosóficos e humanistas, embora Ele permita os conceitos morais que os homens produziram ao decorrer da história [ainda que para Ele não passe apenas de um prato de excrementos de vaca]. E houve bons questionamentos quanto a isso...
A melhor moral é aquela que resulta do fato de querer para os outros o mesmo que se deseja para si.
No meu ver - Melhor preceito não há, do ponto de vista moral, do que a lição reproduzida nos evangelhos: “Fazer com os outros, o que queres que os outros te façam”.

Moralidade, pois, é, antes de tudo, respeitar o caráter humanitário em si e no outro, superando o egoísmo, sem esperar recompensa, afinal tudo é imerecido favor e de graça dado pelo Deus da Graça!
A sabedoria revela sem medo: Nada é mais belo e legitimo do que fazer o bem!
Mas, sem essa idéia de crise da meia-idade (acho que ainda não cheguei lá - kkk), aonde a Igreja de Cristo se CORPOrifica neste insight?
O que a Igreja tem feito de concreto ao Reino de Deus em relação a ser Igreja viva de Deus na Terra? - Fica esta pergunta para a reflexão de todos...
A verdade moral, na sua praticidade ( praticabilidade), liberta os homens dos instintos e dos seus medos, despertando o sentimento de solidariedade universal, indispensável à sua subsistência social e espiritual da Humanidade.
Todavia pode-se falar de moral sem a compreensão do que seja Ética (Ethos)?
A Ética pode ser entendida como uma doutrina ou teoria raciocinada sobre o bem e o mal, os valores e os juízos morais.
Retornando ao episódio de Éden, no momento que as ações do homem revelam-se perigosas – mergulhado na descrença como fenômeno ligado à morte de Deus (na verdade foi o próprio homem que auto-inicia seu processo de morte desde os primórdios de sua humanidade pós-Queda) – é que se origina a atual crise da Ética ( Ethos), marcada pela decadência das grandes ideologias.
Isso fez nascerem formas contemporâneas de individualismo (Kierkegaard que o diga), proporcionando o aparecimento de novas regras de conduta, nem sempre válidas para a coexistência harmônica. Aliás, como essas novas questões existenciais não proporcionariam o surgimento de alternativas de ordem ética?
Em face ao fenômeno da globalização, o mundo espera por uma revolução ética, entendida como o conjunto de valores e dos princípios que nortearão as relações humanas para com a natureza, para com a sociedade, para consigo mesmo e para a transcendência – sob uma ótica míope humanitária.
Assim reverberou Salomão por toda a sua vida na terra!
 Salomão disse e desdisse tudo o que viu/discerniu, creu/escreveu e intensificou/vivendo!
Vitima do antagonismo e de suas próprias ambiguidades existenciais perante a (N) natureza criada e caída, ele apenas concluiu de que tudo debaixo deste sol era apenas VAIDADE de alma.
Para tanto, é preciso compreender a Terra com uma totalidade biológica, físico-química e socioantropológica. Segundo o apóstolo Paulo, não se pode mais fazer distinção entre Terra e a Humanidade, considerando que ambas formam um todo orgânico e sistêmico (Rm.8:19-23).
Ora, já não existem dúvidas de que tudo na Terra está interconectado e obedece ao sistema de solidariedade cósmica (alguém vai ler isso e se chocar – rsrrssr!).
Por conseguinte, não existirá paz entre as nações sem que prevaleçam princípios da mais elevada eticidade, tendo como referência o interesse de totalidade dos seres humanos.Dessa forma, Adão, Salomão, eu e vosmecê, meu irmão!
Somos todos artífices das projeções dadas às ideologias de nossa ascendência cultural-ético-moral, a gente apenas as reproduzem com adornos de folhas de figueira adequadas as nossas conveniências contemporâneas sociais. De sorte que nem imaginamos o que de fato seja o bem e o mal nesta esfera de perplexidade para nossa própria sobrevivência de lá compreendermos que tudo coopera para o Bem daqueles que amam a Deus!
E é bem assim a configuração, cingem-se os lombos em agonia das dores existenciais, cosem-se e vestem-se das roupas de folhas de figueiras sobre o corpo nu, conquanto só produz efeito e tão somente pra o lado de fora, da pseudo-moral e da  estereotipação da religião pagã a qual deseja uma satisfação nossa pra se auto afirmar quanto religião!
O conselho é para que nos vistamos com as indumentárias do amor e da graça.
Posto que toda nudez será perdoada, exceto a nudez de nossa arrogância espiritualizada encoberta pelas folhas da figueira ideológica!
E é bem simples assim... Basta assim crer que o é, mas também se pode crer em desconstruir-se dos conceitos pré-estabelecidos (arquétipos) pela moral e pela religião ante ao Evangelho de Absoluta Graça, crente que no próprio evangelho somos isentos de qualquer implicação que talvez ocorra ao contrário do que Jesus nos prometeu, ou seja, um lugar seguro e eterno de equidade em justiça [social] para todos, na plenitude da paz-shalom e do desfrutar do inevitável amor-ágape!
A Ele a glória para sempre, cujo Deus, se submeteu a – “
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz.”
Mano Serafim