quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O Evangelho, o Eclesiastes e o Eu-existencialista...

                                                    
                                                   Por Mano Serafim


Um existencialista nato – o primeiro existencialista.
Sören Kierkegaard o pai do existencialismo, e figura que eu tiro o meu chapéu que me perdoe, mas o Rei Salomão filho de Davi no meu ver foi o primeiro existencialista. Dizem que o livro de Eclesiastes quase que não era aprovado no Cânon das inspirações judaicas..., isso pelo seu conteúdo ser basicamente denso de pensamentos humanos – e porque não dizer humanista!
Em Eclesiastes de Salomão me vi desnudo ante as minhas dúvidas, indagações e as não respostas que esmagavam a minha alma escura.
Pensava eu que era no existencialismo de Sartre onde eu iria obter as respostas pessimistas para cada ação descontinuada que me assombrava a alma em ebulição por respostas que me preenchessem o vazio existencial.
E o mais incrível, eu pensava também que seria nas favelas, nos becos e nos guetos onde eu iria obter respostas lógicas e coerentes com a demanda de uma sociedade hedionda e hedonista que mata e rejeita seus filhos sem misericórdias... Não, eu tinha me enganado, pois, foi nos cafés da França, dos EUA e nos cafés de Copenhague que eu vi o tédio, a insatisfação, a depressão, o suicídio - o vazio existencial.
Salomão disse inquirindo : “Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece”. (Ec.1:3-4).
“Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.”(Ec.1:8).
“Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós."
“Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois.” (Ec. 1:10-11).
Foram essas perguntas de mais de três mil anos; de hoje e de sempre que sempre moverão o mundo -, e não as respostas niilistas que muitos possuem por debaixo das mangas...,
“Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor” (Ec.1.18).
Os assuntos que atormentavam o Pregador eram os mesmos que incomodavam Jó e os mesmos que perseguem todas as pessoas de hoje com o mínimo de senso de justiça.
Ora, os ricos enriquecem mais ainda, e os pobres empobrecem cada vez mais; os maus prosperam enquanto os bons sofrem; tiranos governam; desastres acontecem; a doença se espalha; todos morrem e se tornam pó. 
Nada faz sentido; o mundo todo parece desequilibrado e torto.
Diferentemente do que ele disse em Provérbios, no Eclesiastes o pregador disse: “Esqueça a prudência!”. Coma, beba a aproveite todo e qualquer momento efêmero de felicidade. Aliás, o que mais faria sentido na vida?
Trabalhamos arduamente, e outra pessoa ganha o crédito. Esforçamo-nos para ser bons e somos pisados pelas pessoas. As vezes conseguimos juntar dinheiro, e herança fica para herdeiros mimados e perdulários. Buscamos o prazer, e ele se torna amargo. Além disso, todos – ricos e pobres, bons  e maus – têm o mesmo fim: todos morrem. A morte, o espectro furtivo e sempre presente, contradiz qualquer crença de que nascemos para ser felizes. Há somente uma expressão que designa bem esta vida: “nada faz sentido”.
Achar essas palavras em Camus, Nietzsche, Sartre entre outros é uma coisa, mas encontrá-la na Bíblia? 
Fico imaginando se existencialistas modernos gostam da deliciosa ironia de Eclesiastes 1.9,10, em que o autor declara: “Não há nada novo debaixo do sol!, nada “de que se possa dizer: ‘Veja! Isto é novo!’?”.
Veja o que existencialmente Salomão fala sobre a sabedoria: “Pois quanto maior a sabedoria, maior o sofrimento; e quanto maior o conhecimento, maior o desgosto (Ec.1.18).
A sabedoria tem algumas vantagens sobre a loucura ou insensatez, o Pregador admite, mas e daí? Os homens que detêm uma ou outra caminham para o mesmo destino. Na verdade, quem sabe o que é bom para o homem, nos poucos dias de sua vida vazia[vaidade], em que ele passa como uma sombra?
Enfim, Salomão,o pregador existencialista conclui que tudo era vaidade e vaidades,e nada na vida poderia ser mais prudente do que OBEDECER a Deus, posto que o futuro é sempre incerto [mesmo sem amor].
Quem poderá contar-lhe o que acontecerá debaixo do sol depois que ele partir?”(Ec.6.12).
Salomão não conheceu Aquele que detém a existência em sua própria Vida – Jesus Cristo de Nazaré.
Já Kierkegaard creu em Abraão, Isaque e Jacó e aliançou-se com o Cristo de Deus e daí pôde fazer uma ponte (link) entre o seu existencialismo pessimista com o Dogma do Evangelho (Teologia) – fazendo da  mera Filosofia um pára-paradoxo para o Evangelho. 
E quando se compreende tais paradoxos ou os discernem, a aceitação do absurdo como algo que se tenta crer entre o eterno e o temporal  pode-se então subtrai-se o Amor de Deus em demanda existencial na vida de todos os homens que abraçaram o Amor – primeiramente na vida daqueles que abraçaram a fé em Cristo de maneira que o “temor e o tremor” a Deus tenham a primazia diante de qualquer sofrimento, dor, alegria, tristeza, vida e morte.
A palavra metafisica é a TRANSCENDÊNCIA e ponto.
E eu? Quando existencialmente pendo a escorregar para um existencialismo que tenta dissolver a minha fé em graça dada por Deus, eu me apego na orla do vestido do Nazareno.
O Espírito certa vez me disse antes as minhas análises introspectivas; “Não se deixe tentar em cair na maldição de receber o que você quer!”.
E pasmem – eu me voltei pra ver quem falava comigo e apenas caí desfalecido das indagações  que pulsavam em minhas escuras entranhas do nada ser e saber ante a perplexidade do que via diante de mim.
E dado a um lampejo da Graça eu confesso que não sei Quem – ou o que – formulou a questão. Não sei quando foi formulada. Nem me lembro se respondi a ela (a alma existencialista). Mas em algum momento eu disse “Sim” a Alguém – ou a Alguma Coisa – e, a partir deste momento, tive certeza de que a existência tem sentido e, por, isso. Minha vida, em entrega pessoal, tinha e tem objetivo..., o Evangelho n’alma eterna!
E Nele - cujo estilo de Vida se tem revelado e chancelado em mim – do qual eu jamais abrirei mão, posto que não consigo mais negá-Lo quanto Senhor e Salvador Meu.
Mano Serafim