domingo, 25 de julho de 2010

Quando Nietzsche chorou (assiti e recomendo)

Artigo-síntese do filme "Quando Nietzsche chorou", escrito unindo o pensamento como forma práxis do enfermeirando...(materializando a ética profissional como arquétipo socio-moral)

O filme é baseado no “Romance de idéias”, é Quando Nietzsche Chorou (de Irvin D. Yalom, editado pela Ediouro). O enredo é delineado num encontro fictício entre o filósofo alemão: Nietzsche e o Dr. Josef Breuer (fisiologista austríaco) em meados do séc. XIX.
Tudo se dá inicio quando Lou Salomé (a paixão de Nietzsche) busca a ajuda médica do fisiologista Dr.Breuer. No primeiro encontro de Nietzsche e o médico todos os pudores são considerados, e a repulsa de Nietzsche deixa claro a sua insubmissão ao tratamento médico. Depois de outros encontros quando o arquétipo filosófico se dissipa no encaramento dos traumas que se escondem por detrás das personas (máscaras) de ambos os dois. Tanto o filósofo quanto o médico sofrem seus traumas diante do caos do existir debaixo do sol da relatividade. Ambos fazem um pacto de um tratar da ‘doença’ do outro (irônico).
E no decorrer do filme os paradoxos se intensificam em dois pólos, e impossível se torna em saber quem é quem neste contexto psicológico. Quem é o médio e quem é o paciente.
De um lado o médico renomado, rico e famoso, porém preso pelo desespero existencial de pensar estar vivendo uma vida que não era a sua. De outro lado um filósofo cuja mente e construção intelectual o pusera num pedestal de extrema arrogância e niilismo espiritual (cético e ateu). Nietzsche cria no super herói que habitava o homem, no profeta(o "eu"-Zaratrusta) que havia em si mesmo, porém, que havia vindo antes do tempo determinado pela história.
No filme em determinado ponto dos encontros entre o médico e paciente num emaranhado de cumplicidades e motivações das maiores proporções egoístas possíveis, de um pólo de inquirições surge do isolamento a confissão do médico e de seus medos que sempre o aterrorizavam a vida vazia e sem sentido em que vivia, ele se sentia um verdadeiro suicida em potencial.
No outro pólo paradoxal, Nietzche sofria com uma dor de cabeça infernal, a qual o deixava mais propenso ao isolamento e solidão.
Apesar de o médico conhecer os escritos de Nietzche e preservá-lo (por intermédio de Lou Salomé, no inicio do filme), sua psique só foi dissecada quando o mesmo confessou a sua paixão por uma mulher que apenas se interessou por sua arte genial de pensar, e que mais tarde iria credenciar Sigmund Freud (discípulo do Dr. Breuer) nas técnicas da Psicanálise.
Embora a sistemática utilizada pelo método (mesmice) do Dr. Josef Breuer não funcionassem em Nietzche (a cura pela repetição das palavras), ambos, os dois fizeram um pacto eticamente profissional, de jamais revelarem as suas verdades aos outros. Esta é a figura do profissional da área de saúde e o paciente que zela pela sua imagem confidencial.
O mais impactante no filme revela o quanto a ética profissional pode relevar os fatores que põe em ‘risco’ a moral ou padrão moral imposto pela cultura e pela sociedade de uma época (a imagem do bom médico, bom marido, bom pai...), e planificar o desejo mais humano que existe na vida: o direito de ser livre e feliz sendo quem já nasceu sendo. Embora o contexto da vida do médico fosse à aparência e não a essência de ser quem de fato ele era como pessoa. Mas quando o ser vem na frente das aparências caem-se as máscaras e dissolvem-de os estereótipos.
A cura emocional brota na medida em que há o enfrentamento de seus ‘fantasmas’ alojados em seu inconsciente, neste caso, ou seja, no filme, através da ajuda de Nietzche em relação ao médico, Dr Breuel.
E num encontro no cemitério ante ao túmulo da mãe do Dr.Breuel, entre os dois amigos, descobre-se do médico ou mesmo se revela a causa de suas perturbações incontroláveis.
Enfim, o choro angustiante de Nietzche revela a liberdade que o homem pode ter e ser se através de seus valores morais e éticos a vida não for apenas para ser vivida no labirinto da solidão de suas elucubrações. E com a empatia e ajuda terapêutica todas as doenças psicossomáticas poderão ser diagnosticadas e tratadas.
Desta forma se identifica o profissional enfermeiro na dedicação do dever em amor de sua profissão em pró de uma saúde social mais justa e igualitária.

Escrito por: Alfredo Serafim Suzarte Ferreira (Artigo escrito para os estudantes de Enfermagem da FTC).