sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Filosofo e a Nutricionista...(crônica com um tempero de Nelson Rodrigues)


Quem tiver boa memória lembrará que postei  (claro, com a sua permissão como este artigo abaixo) algumas nuances no facebook sobre o meu amigo que por vezes me falou de seu caso extra conjugal com uma mulher mais velha do que ele. E aqui devido às tantas falas e conclusões dele a mim decidi criar uma crônica com bastante simetria do que provavelmente havia ocorrido. Lógico, seus nomes serão omitidos... Boa leitura!

Uma ficção que se lida e refletida com os olhos viscerais da alma encontraremos nela muitas esquisitas verdades ao pé da letra!
Sem dar muito ouvidos aos ensinamentos de seus pais engendrados em seu cerne desde a sua tenra idade, Fred (filosofo) se aproxima de uma mulher (Evita), um tanto quanto mais velha do que ele quase dez anos... Casado e com duas filhas, o filosofo de vertente existencialista desafia seus princípios morais e filosóficos e desdenha de sua própria consciência espiritual se tornando amante de uma mulher madura e desquitada da cidade grande...
Mais tarde, e depois de muitos encontros (regados a vinho, jantares e sexo) mesmo que esporádicos, a intimidade de ambos se acentua inevitavelmente a ponto de uma personalidade mais expressiva; mais atuante; mais densa; mais possessiva; mais gritante tomar a forma do outro...
Vencerá nesse “duelo” de identidades quem conseguir fazer da relação o seu culto particular aos seus deuses moldados as suas insanas conveniências.
“Santa hipocrisia!” - dizia Fred em lampejos de sensatez, e na lucidez de UNA louca paixão dele entorpecido pela droga passional, reage ao bom senso numa odisséia que só iria dá em desgraça, aliás, uma fina desgraça a luz de velas...
Dele se contava com o seu jeito sincero e apaixonado de lidar com as mulheres e principalmente com a encantadora nutricionista.
E dela se poderia perceber um doce romance que mais cedo ou mais tarde poderia ter seu fim tão de repente. Posto que se relacionar com um homem casado não lhe daria segurança futura alguma senão usufruir do “estoque” que ainda lhe permitia um amor perdurável na eternidade do imediato.
Nessa dimensão do imediato; neste corpo de morte; nesse jogo de interesses e de prazeres do anonimato, toda manobra sentimental fazia parte do jogo e das jogadas pré-meditadas...,
Evita sedutora por natureza – mulher de rara beleza, com traços e raízes de sua terra natal, seus trejeitos inspiravam qualquer fêmea a se entregar aos braços de um homem sensato e de boa índole -, ainda que nunca se saiba quem seja de fato este homem ideal...
Sua língua suave e macia trazia do coração um perfume em forma de palavras que sussurravam aos ouvidos do filosofo que buscava fora de seu leito matrimonial um aroma de um Éden de prazeres realista e não fictícios. Pois, ele tão sincero nos seus sentimentos discorria sua alma e derramava seu coração em cada poema que a enviava via e-mail...
Já  no fidalgo amante do conhecimento filosófico existencialista, a sua busca se balizava em pleno labirinto subjetivamente seu..., não claro e não ameaçador e nunca reverberado/confessado e outrora jamais dito a ela e a ninguém que se possa interessar.
Porém, nada se assemelha em ser desejado, amado e respeitado estando ele nos braços de sua esposa traída (isso esmagava diariamente a sua própria consciência)...
Assim insta a razão dele permanecer casado e em família, a propósito, isso para ele seria inegociável (frase muitas vezes repetidas pela sua boca aos ouvidos de sua amante) – não poderia haver qualquer cobrança a sua pessoa acerca disso (seu  “sacro” casamento)...
Por não poucas vezes ele havia dito pra sua Flor-amante que a sua esposa tinha provado que o amava com todas as suas forças e alma. Ele (marido idolatrado, salve-salve) seria e sempre será o seu primeiro e único homem/marido eterno enquanto vida pulsante humana houvesse nela...
Esta era uma devotada declaração existencial de amor (dela pra ele...) e não uma jura de amor, mas um pacto conjugal que a poria em liberdade jamais – foi a sua escolha, e diante das escolhas de cada um, o outro apenas se cala..., Um honrado respeito à escolha ideológica do outro!
Um pacto que ela fez com ele pra todo o sempre. Embora ele de nada houvesse respondido pra ela e por ela acerca de sua decisão (era o que ele me dizia francamente)... Alguns aqui enxergariam egoísmo por parte dele, outros; violação do contrato matrimonial e ainda outros, um desamor sem medida! Afinal numa sociedade machista como a nossa os homens são todos iguais.
Todavia como e em qualquer relação dentro ou fora do matrimonio as brigas e os atritos são inevitáveis, as desconfianças e inseguranças de ambos amantes se fazem presentes a cada deslize que porventura existisse por parte de um ou do outro...
Ora, a bem da verdade, tudo que começa errado torna-se difícil de se consertar – e não seria pra menos que, a insegurança dela despertou os ciúmes dele!
E para não fugir a regra, essa relação além de ser avassaladoramente intensa e apaixonada obteve seus distúrbios por haver discrepâncias de valores, princípios  conceitos, e dos comportamentos reprováveis por parte na maioria das vezes dela ( segundo ele, ela o havia dito que tinha grandes dificuldades nos relacionamentos  - discutir a relação)...
Mesmo em “pecados” e mentindo pra a sua esposa, o filosofo sempre ou quase que sempre se manteve sincero e íntegro na sua relação com o seu amor maduro (assim dizia ele em seus poemas oferecidos a ela).
Para quem conhece um filosofo de perto saberá que ele preza pela indagação, pelo objeto de sua analise e com o desfecho de sua perquirição a vida toda e em toda sua vida... Desprezar a observação de um filosofo é não dá bolas para as suas perguntas com um tom de sondagem e insatisfação – não registrar cada palavra que sai da boca de um filosofo é se perder num mar existencial sem ondas que levam (arrastam) e trazem ( devolvem) respostas que acalentarão a chama da alma. É um cogitare erroneamente acerca de seu pensamento e blasfemar arbitrariamente de suas convicções viscerais..., Isso lhe soaria como uma afronta.
Eles dizem o que dizem sabendo o que dizem, e apenas dizem o que dizem por assim dizer que o seu dizer pra eles vem acompanhado do conhecimento experimental ante a sua própria observação...,
Daí  o cheiro, o toque e a textura das flores do campo se fazer essencial a sua perquirição existencial, mesmo que o seu desejo de inicio fosse apenas uma “aventura” nos sites de relacionamentos – dizia ele em tom de brincadeira dando margem nas entrelinhas uma nuance de sedução (tom sobre tom dada a sua paixão de sofista).
Das entranhas de seu diário subjetivo se lê“Minhas nuances são diversificadas, tanto no que diz respeito a minhas atitudes ou forma de pensar”Talvez aqui esteja a tão procurada resposta por parte da nutricionista em relação à personalidade mutante do filosofo apaixonado. Posto que ele dissesse ser o cosmos infindo (denso, extenso, vasto, largo, profundo, quântico – um exagerado!), uma metamorfose ambulante, um Jardineiro sedutor que aos poucos conquistou uma mulher de 49 anos e  a fez retomar ao caminho de uma madura adolescência..., “A flor de meu pomar secreto” – poeticamente declamava o Filosofo apaixonado.
Onde e de que lado está  à razão?
Até onde coube a emoção tudo era lindo, perfeito e maravilhoso...
De quem são as conseqüências de uma relação irrelevante, mas que outrora ardente?
E aqui nesta presopopeia entre um filosofo casado e uma nutricionista divorciada (sem nenhum compromisso) pelos olhos da razão, tanto um como outro dissolveram algo para que juntos pudessem “somar” o inimaginável, inatingível e ao mesmo tempo improvável, pois, o casamento dele poderia de imediato estar em jogo, ou seja, sucumbir. Era o que se esperava a qualquer instante mediante os encontros e as cumplicidades cresciam.
Dos muitos e-mails (poemas de paixão, confissões de amor, declamações, farpas, elogios, dês-elogios, suspeitas, ciúmes, e muitas desconfianças...) dos quais muitos deles eu tive o acesso, um dentre eles se registra:
“Cri que você retornaria as veredas antigas de sua existencialidade, e do amor e da aceitação própria (saber que és bela, linda e feliz), se sentiu amada e valorizada em meus braços amantes, e certa de que experienciou novamente na vida a alegria como sinônimo de amor e satisfação de estar plena e completa mesmo que por pouco instante, porém, numa relação única e sincera (desejos,vontades, reciprocidade leal, amores, paixões de alma para alma, toques, instintos, gozos, plenitude planificada em nós, lampejos, arroubos) se converteria a si mesma e superaria a mentira por uma vez e por todas outras energizadas em flagelos de verdades – se desvincilharia da utopia e da morte que  a mentira existencial traz pra alma ..., 
Mas deixa pra lá, eu não pretendo mais abismar o buraco que você de certa forma tem me provocado... E não é, e nunca e jamais será um desejo meu de introjetar tais dores em você!
Longe de mim tudo isso.
De suas manobras nada sinceras pra quem me amava visceral-Mente e de coração único (você então me respondia mentirosamente quando eu te perguntava se estava na mesma vidinha do badoo de antes, você me respondia levianamente que quando você está namorando com alguém você não ficava com outros...), e eu, Fred tenho a certeza de que depois que você começou a se relacionar comigo você saiu PELO MENOS COM DOIS CARAS e..., ESTES EU TENHO A CERTEZA, DOS OUTROS QUE FLAGREI NOS SEUS CONTATOS, CONFESSO QUE TENHO DÚVIDAS...
E o que é mais torturante é que eu te indago e a sua única resposta é repetir a mesma conversa: “Você só sabe me julgar!”- Mas nunca me chamou para uma mesa redonda e expôs tudo na íntegra e na pura verdade, ou me provou que eu estou errado e você é inocente, mas não, você preferiu e escolheu e sustenta até hoje e AGORA MESMO NESTE E-MAIL REPETITIVO, as mesmas nuances...e inverdades!
Se de fato tens a filha da razão em causa própria, a verdade em si poderá reverter a minha desconfiança em ciúmes e nada para além de ciúmes..
Sendo assim você poderá virar a mesa ao seu favorecimento e inocência, sendo que terá que me provar de que todas as minhas colocações contra sua fidelidade/sinceridade e caráter para comigo não desmereceram as minhas queixas e insultos (já colocados em outros e-mails) ante a sua conduta leviana para comigo.
E neste conteúdo deste e-mail mais uma vez não te julguei, eu apenas me defendi de alguma coisa...
Você faria deferente?
E como?”– fragmento de mais um dos vários e-mails que o filosofo enviou para a nutricionista quando nele despertou as desconfianças deixadas por ela na internet nos famigerados sites de relacionamentos.
“De tudo sofri um pouco, mas acredito que do pouco que sofri e que não foi pouco, muito serei feliz!” (Fil. Fred).
Diante de tantas brigas e trocas de insultos por parte dos dois e muito mais por parte dele. Num último encontro no apartamento da nutricionista (lugar onde eles se aninhavam amante-mente) numa madrugada de sábado pra domingo tudo vem ao chão...foram onze meses de paixão e amores inventados (como poetizava Cazuza).
Num clicar a internet tendo acesso a caixa de e-mails enviados de sua amada flor do Alagoas aos chamados “amigos virtuais”, Fred se depara com uma lista de nomes masculinos não explicados durante as suas inquirições de meses e de persistência  em saber o perfil de cada um deles, e que na sua maioria  eram omitidos,  ocultados, negados e excluídos! 
Ele me disse que num desses e-mails e bate-papos havia um papo caliente e recíproco com um cunhado dela! Diante de outras trocas de e-mails de homens que ela conheceu nas salas de bate-papo na net e em outros sites de relacionamento madrugada afora. E o que ele mais se chocou é que as datas e os horários destas “amizades” foram no período de seu namoro/caso/romance com ele, ele chegou a constatar que houve encontros recentes mesmo antes deles terminar a relação bastante conturbada (como era visto por ela sempre).
“Amigo quando ela batia a porta na minha saída do seu apartamento imediatamente abria portas ocultas na net pra 'chatear' com os homens" - disse-me Fred em tom de raiva e frustração...
“Desde cedo na relação descobri em que mundo ela havia se entregado, mas ela me prometeu mudanças, porque me dizia entre quatro paredes que me amava e que amor assim ela jamais teria tido/visto! Dei mais um crédito a ela e ela pisou nos meus sentimentos (não poucas vezes durante dez meses juntos). 
Ora, pensei em terminar por diversas vezes mas não possuía forças...”
Se eu fosse reverberar aqui  tudo o que meu amigo me relatou daria um livro...
E pra encerrar, ele vasculhando o histórico dos e-mails da nutricionista na presença dela descobriu que ela estava de caso recente com um cara que conheceu na sala de bate-papo da uol . Daí a gota d’água...tudo se ruiu e chegou-se ao término! Seca-se a erva e cai-se a Flor e o que era já não existe mais, ou seja, a paixão!
Moral da estória: maridos amem as suas esposas, esposas amem e cuidem de seus maridos, pois, só  assim se sabe e se conhece o que seja verdade, amor e reciprocidade em UNO quando numa relação de amantes que de fato se amam  a sinceridade reina .
                                                                                           cronica I Pseudônimos: Fred & Evita
P.S.:Não pude ter empatia em relação a nutricionista, posto que não tive acesso aos seus e-mail enviados para o meu amigo.
Mano Serafim